Slatersville: America’s First Mill Village (A Primeira Aldeia Industrial da América) é uma série documental histórica contada ao longo de 11 episódios (8 já foram lançados) e demorou 15 anos a ser produzida. Conta a história de 250 anos da primeira aldeia industrializada da América, localizada no Blackstone Valley, no norte de Rhode Island. Filmada em 10 estados americanos e no Reino Unido, Slatersville conta com a realização e edição do cineasta lusodescendente Christian de Rezendes.
A primeira temporada de Slatersville, episódios 1 a 5, estreou na Rhode Island PBS (agora Ocean State Media) no outono de 2022. Pode encontrar opções de streaming para a primeira temporada aqui. A segunda temporada, episódios 6 a 8, estreou em 2024. Pode ver estes episódios no Tubi, Prime Video e YouTube Movies. A terceira temporada, episódios 9 a 11, concluirá a série. Os três episódios finais estão agora em pós-produção e a data de estreia será anunciada em breve.
Há mais de três décadas que Christian de Rezendes faz aquilo que mais gosta: fazer cinema. Hoje, o licenciado em estudos cinematográficos da RIC é um cineasta premiado.
O seu mais recente projeto, uma série documental histórica intitulada “Slatersville: America’s First Mill Village”, ganhou recentemente três prémios Emmy® regionais de Boston/Nova Inglaterra – um de realização e outro de banda sonora e ainda três prémios Telly.
Portuguese Times contactou o produtor desta excelente série, o lusodescendente Christian de Rezendes, a fim de saber mais pormenores sobre este registo que vai certamente contribuir para o enriquecimento e conhecimento deste ramo de atividade.
“Desde criança que comecei a interessar-me por filme e recordo que aos 14 anos já me envolvia em projetos e ao longo do tempo fui criando e realizado diversos projetos em filmes de curtas metragens e na realidade foram muitos, alguns dos quais já nem me lembro”, começou por dizer em entrevista ao PT, Christian de Rezendes, um cineasta luso-americano natural de Woonsocket, Rhode Island, atualmente a residir em North Smithfield, proprietário de uma companhia de produção de vídeo destinada a produzir todo o tipo de trabalho, quer para grandes corporações, firmas ou apenas projetos de índole pessoal.
Christian explica as suas raízes lusas e o contacto com a terra de origem dos avós.
“Sou descendente de portugueses, a minha mãe, Natalia DeRezendes, aqui nascida, foi muito ligada à música, fez parte do Coral Herança Portuguesa, visitei Portugal Continental por três vezes (a última vez foi em 2000) e também os Açores e confesso que adoraria regressar à terra dos meus avós”, confidencia-nos o cineasta luso-americano.
Sobre o projeto Slatersville: America’s First Mill Village, o cineasta explica:
“O projeto ainda não está completo, atualmente tenho cerca de oito episódios completos e falta ainda completar quatro outros episódios quase prontos e devo dizer que estou a trabalhar nesta série de documentários históricos há cerca de 15 anos, com um baixo orçamento, e a verdade é que inicialmente não pretendíamos que fosse uma série mas apenas um documentário histórico mas depois com foram tantos os pormenores que fomos recolhendo numa história concentrada em 250 anos, começando pela Inglaterra, e depois em cerca de dez estados nos EUA, com toda a variedade de documentos, fotos, cartas, registos históricos e entrevistas a 156 individualidades e que nos levou a diversos países e a verdade é que tem sido uma jornada impressionante ao longo deste tempo e entre 2022 e 2024 lançámos os primeiros oito episódios desta série”, sublinha Christian DeRezendes, que tem a seu lado uma equipa dedicada para que o projeto seja um verdadeiro contributo para a história a que se propõe divulgar e projetar.
O projeto tem sido sido um processo de aprendizagem de diversas formas, especialmente neste tipo de séries consecutivas em que é muito mais difícil de angariar fundos do que por exemplo para um simples filme ou documentário, uma vez que há que explicar às pessoas sobre a essência, a importância histórica, a abrangência e dimensão deste projeto, e isso requer um constante apoio nas suas diversas fases.
“Temos tido apoios dos sectores público e privado, de diversas instituições de arte e cultura, não obstante ser muito mais difícil conseguir apoios para uma série desta envergadura e amplitude do que obter apoios para um simples documentário e, modéstia à parte, não penso ter existido em Rhode Island um projeto desta dimensão, profundidade, rigor histórico e tão envolvente, que vai ao princípio de tudo, daí termos filmado em diversas localidades”, afirma Christian, adiantando que os oito episódios têm sido consultados por uma vasta audiência não apenas em Rhode Island, mas também em Connecticut, Massachusetts, Carolinas do Norte e Sul e outras localidades, uma vez tratar-se de uma história abrangente e com profundas e vastas raízes e envolvendo uma variedade de lugares e entidades que marcaram e ficaram na história.
“Neste filme, não se pode contar a história da fábrica sem incluir a atividade comercial mais deplorável do sul dos Estados Unidos: a escravatura, e os homens, mulheres e crianças negras que forneciam o algodão que movia a fábrica”, diz, para adiantar: “Não se pode falar da fábrica sem falar das crianças imigrantes – na sua maioria franco-canadianas – que trabalhavam na fábrica desde os seis anos e que perdiam dedos ou membros em acidentes, sendo punidas com amarras à roda de água. Slater lucrava com a economia da escravatura. Poucas pessoas fazem esta ligação”, explica o cineasta.
A história chega longe e Christian elucida-nos sobre um pormenor interessante na longínqua Austrália.
“Quando começámos com as filmagens fui abordado por algumas pessoas que realizavam trabalhos de pesquisa sobre a família e suas origens em Melbourne, Austrália, que ficaram a par do nosso trabalho e apoiaram-nos devido ao facto de haver nessa cidade descendentes de Slatersville e isto é uma prova concludente de que o assunto deste documentário é abrangente chegando a diversas localidades e pessoas que de uma forma ou de outra estão ou estiveram ligadas à história desta atividade”, esclarece Christian.
Uma das entidades protagonistas nesta série é o saudoso Manuel Pedroso, falecido a semana passada aos 106 anos de idade e que fala sobre a sua experiência e vivência nos Estados Unidos de então.
Atualmente, de Rezendes realiza palestras e exibições em escolas, bibliotecas, museus, sociedades históricas e outras organizações sobre a produção de “Slatersville”.
Para os interessados em saber mais sobre esta série devem aceder ao site: firstmillvillage.com
Acrescente-se que esta série começou a ser exibida na Biblioteca Pública de Providence no passado dia 07 de março, estando previstas outras sessões dias 21 de março, à 1:15 da tarde e dias 4 e 18 de abril.
Para inscrever-se deve aceder ao site provlib.org





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