Porto, 07 mar 2026 (Lusa) – Jann Hinrich Andresen nasceu na Dinamarca, mas viria a deixar um legado “muito importante” no Porto, sendo precursor da família de Sophia de Mello Breyner Andresen e outros nomes influentes no país.
Natural da ilha de Föhr, onde nasceu em 1826, há 200 anos, Jann Hinrich chegou ao Porto adolescente e mais tarde, de nacionalidade portuguesa adotada e com João Henrique como nome mais ‘acessível’, tornou-se um dos mais influentes armadores e empresários da cidade no seu tempo, deixando ampla descendência que marcou ainda mais a história portuense nos quase dois séculos que se seguiram.
“A marca que ele deixou ainda hoje existe: a J.H. Andresen. Já não está na família, mas continua a ser uma marca importante, embora de nicho, sem ser uma grande empresa, mas de vinhos de qualidade, vinhos do Porto de qualidade. O primeiro Andresen chega a ser o maior armador do Porto. A empresa torna-se muito importante, não só nos vinhos como também nas moagens, destilação…”, conta, à Lusa, o historiador Gaspar Martins Pereira.
Martins Pereira é autor do livro “J.H. Andresen – A família, a empresa e o tempo”, que conta o legado da família, desde que, em adolescente, JH Andresen chegou ao Porto ao fugir do veleiro em que seguia, depois de se zangar com o capitão, e ser acolhido por um armador de Cima do Muro, na Ribeira.
A descendência que foi deixando à medida que o sucesso nos negócios avançava foi ganhando mundo, da Europa à América, sem deixar de marcar o Porto, cidade que defendeu através da Associação Comercial do Porto e outros fóruns cívicos
Criou um ‘império’ empresarial, que também se estendeu a Manaus, no Brasil, e mesmo que as firmas fossem “desaparecendo”, ao longo do século XX, ou passando para outras mãos, o ‘Jota Agá’ Andresen deixou “um legado muito mais importante do que esse, que é o legado humano, a sua descendência”.
Contam-se neste ‘campeonato’ nomes como Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das poetas maiores de Portugal, mas também Ruben A, Alfredo Nobre da Costa, João Andresen ou Miguel Sousa Tavares, entre muitos outros nomes.
Apesar do peso na cidade desta família, que deu não só uma das grandes poetas da história do país como outros contributos, como a arquiteta paisagista Teresa Andresen e vários empresários, este nome de família “precisa de ser recordado” pelo que legou à cidade, considera Gaspar Martins Pereira.
“O Porto sempre foi uma cidade comercial e ligada ao comércio marítimo, portanto, Andresen foi um dos grandes contribuintes para que a cidade também fosse o que é, nessas áreas Destacaria ainda uma outra questão: as empresas que lançou foram muito importantes e geraram uma grande fortuna naquele período, sobretudo no final do século XIX e princípio do século XX. Isso permitiu que vários Andresen construíssem ou adquirissem casas importantes”, lembra.
Um dos exemplos mais emblemáticos, e aberto ao público, é o Palacete do Campo Alegre, que hoje alberga a Galeria da Biodiversidade da Universidade do Porto, um de vários “edifícios marcantes que hoje são património do Porto”.






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