O sr. José António Pacheco foi um grande presidente, e para nós foi um enorme prazer trabalhar com ele o ano inteiro.
A 17 de Março de 2001 levamos a efeito um jantar para angariação de fundos na Associação Académica de Fall River, aonde o próprio presidente foi visto trabalhando na cozinha e servindo à mesa, de gravata ao pescoço.
O jantar foi servido entre as dezoito e as vinte horas, cuja ementa familiar constou de carne estufada, galinha assada, arroz, vegetais, doces e café. Seguiu-se música para dançar, até à meia-noite, pelo DJ EXTACY. Preço dos bilhetes: uma bagatela. Doze dólares para adultos e seis para crianças até aos doze anos. Ainda foi no tempo das vacas gordas.
De acordo com a notícia divulgada no semanário O Jornal (edição de 21 de março), na sala da Associação Académica estavam duzentas e trinta pessoas, sem contar com os organizadores do evento.
José António Pacheco, informando ao mesmo jornal que os fundos angariados reverteriam em favor de bolsas de estudo, acrescentou ao que já havia dito, estas palavras:
“Esta já é uma tradição do nosso convívio, que este ano se realiza a 14 de outubro, no White’s of Westport, onde serão entregues duas bolsas de estudo, no valor de mil dólares cada.”
Acrescentando a divulgação das bolsas de estudo, a edição de 6 de junho do jornal Portuguese Times descreve os requisitos necessários, e informa os leitores sobre os locais de obtenção dos formulários, os quais deveriam ser preenchidos e entregues até 4 de agosto. Porquê 4 de agosto? Porque 4 de agosto é a data de aniversário do município da Ribeira Grande, o qual nasceu em 1507, por alvará do Rei Dom Manuel I.
A praticamente um mês da grande confraternização ribeiragrandense da Nova Inglaterra, aconteceu o 11 de setembro. Aquela data que nunca será esquecida, pelos quatro ataques terroristas suicidas islâmicos, coordenados e realizados pela Al-Qaeda, contra os Estados Unidos da América.
Mataram cerca de três mil pessoas, e este conjunto de quatro ataques foi o golpe terrorista mais mortal da história, que deu origem à guerra global contra o terror.
O país fechou as portas ao resto do mundo. Muitos eventos foram cancelados, muitas noivas ficaram por casar, etc. Mas, graças a Deus, três semanas depois já se respirava ares de liberdade pelo lado de dentro das nossas paredes. A juntar a esta satisfação tivemos o privilégio de ver a SATA e a TAP, novamente cruzando o Atlântico. E numa destas viagens vieram os nossos convidados da Ribeira Grande, na primeira semana de outubro.
Afinal, veio a calhar o fato de terem vindo mais cedo. Aproveitaram o tempo, e acompanharam os Amigos da Ribeira Grande ao Canadá. Mais precisamente a Montrèal. Para participar no terceiro convívio ribeiragrandense de Quebeque. Eles próprios fizeram questão de nos acompanhar.
Os convidados de honra da nona confraternização foram: a professora Dona Elvira Machado e o professor Manuel Francisco Aguiar. Além deles, vieram também da Ribeira Grande, e honraram-nos com suas presenças, os senhores Albano de Melo Garcia e o engenheiro Armindo Moreira da Silva, para além do jornalista californiano Ferreira Moreno. Mas este só chegou à Nova Inglaterra no dia 12. Dois dias antes do grande evento.
A caminho do Canadá francófono a camionete rangia fusos, por causa da alegria que se fazia sentir no interior do seu corpo. Eram conversas e risadas contagiosas, que só por si declaravam guerra à saudade. Mas ao mesmo tempo pediam tréguas. Porque sem a saudade, aquele “vulcão de sentimentos” não existiria. Era a vontade de ir à festa, a oportunidade de ver fulano, sicrano e beltrano, aqueles de quem há muito tempo não se tinha notícias.
À porta do Canadá, quando o estado de Vermont ficou percorrido, os guardas na fronteira fizeram uma vistoria geral no autocarro. No compartimento da bagagem encontaram um caixote de papelão recheado de livros, ainda com cheiro de tinta fresca e papel acabado de cortar. Como não tinham palavras escritas em francês ou inglês, despertaram curiosidade e, por isso, os agentes policiais mandaram chamar o responsável por aquela matéria escrita.
Veio à cena o autor dos livros, e este teve de jurar que neles não havia ideias terroristas, nem instruções para fabrico de bombas, nem de outras coisas causadoras de destruição. Afinal, estas medidas de segurança foram compreensivas: estávamos a pouco mais de três semanas do acontecimento que revoltou o mundo.
Bienvenu au Canadá! Check-in no hotel, banhoca para refrescar e cheirar bem, sem usar perfume Patchouli, e partida para o local da festa.
No salão paroquial de L’Èglise de L’Enfant Jesus, pelas nove horas da noite, na pista de dança, repleta de gente vibrando ao som da música, foi visto o professor Manuel Francisco, dançando com a Gisela da Siva. Mesmo manco, como ele dizia estar, e dava aparências disto, não deixou passar a oportunidade.
Tanto o professor Manuel Francisco, como a senhora Maria Elvira, e o engenheiro Armindo Moreira da Silva foram impecáveis na inclusão do grupo que muito se manifestou fuseiro, cem por cento o tempo inteiro.
Precisamente uma semana depois da festa canadiana, a 13 de Outubro, sendo a véspera da grande confraternização dos ribeiragrandenses da Nova Inglaterra, Alfredo da Ponte lançou em East Providence, RI, o primeiro volume de “Os Fusíadas”, que foi apresentado pelo seu padrinho “adoptivo”, Ferreira Moreno.
Os fuso-canadianos foram contemplados com alguns exemplares antes da publicação oficial, mesmo depois de um pequeno embargo na alfândega, como já foi contado. Mas o mesmo “embaraço” não aconteceu com os livros do engenheiro Armindo Moreira da Silva, sobre o futebol na Ribeira Grande, por serem um número reduzido, e transportados na bagagem pessoal. Haviam sido lançados na Ribeira Grande naquele ano, e o autor trouxe algumas cópias consigo, as quais foram muito apreciadas pelos amantes daquela modalidade desportiva e, sobretudo, pelos fiéis da religiosa rivalidade entre o Águia e o Ideal.
Quanto à nona grande confraternização da Nova Inglaterra, que teve como mestre de cerimónias o inconfundível Dinis Paiva, aconchegando cerca de 600 pessoas numa das salas do restaurante White’s of Westport, daremos notícia na próxima crónica. Até lá: Haja saúde!
Da América ao Canadá
Foi um carro aos trambolhões,
Gente cheia de saudade,
rebentando de emoções.
Só quem tem saudade sente
O amor à pátria lusa.
Não há gente como a gente,
Como o fuso e como a fusa.





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