Alberto Romão Madruga da Costa (1940-2014), na ilha do Faial, e João Carlos Abreu (1935), na ilha da Madeira, têm em comum terem sido secretários regionais do Turismo nas duas regiões autónomas, durante os anos oitenta do século passado, e terem tido uma especial relação com as diásporas açoriana e madeirense que projetam os dois arquipélagos no mundo.
MADRUGA DA COSTA NOS AÇORES
Os três filhos mais ilustres da história política da ilha do Faial são naturais da Matriz da Horta e estão associados a movimentações geográficas.
António José de Ávila e Manuel de Arriaga nasceram aqui e serviram Portugal a partir de Lisboa.
A estes dois, acrescento o mais importante político faialense do regime autonómico, Alberto Romão Madruga da Costa, que serviu os Açores a partir da sua cidade da Horta e que sempre desenvolveu uma relação especial com todas as ilhas e com a diáspora açoriana.
Por exemplo, em 1996, como assessor de imprensa do Presidente do Governo, acompanhei-o na inauguração da grande obra de remodelação da Casa dos Açores do Rio de Janeiro e na inauguração do monumento evocativo dos 250 anos do povoamento açoriano do Sul do Brasil, em Santa Catarina.
Com ele – e com o seu cúmplice maior da construção autonómica, João Bosco Mota Amaral – aprendi que os Açores valem por nove e são mais do que isso: são do tamanho do Povo Açoriano, onde quer que se encontre.
Ele foi o primeiro faialense que chegou a Presidente do Parlamento – por duas vezes, até – e foi o único faialense que chegou a Presidente do Governo.
Em meio século de Autonomia Política, foi o único açoriano que exerceu a presidência dos dois órgãos de governo próprio da Região Autónoma dos Açores. Bem merece uma atenção, ainda maior, da sua própria terra.
Como os outros dois, já está consagrado na toponímia da Horta. Como os outros dois, podia estar representado na estatuária faialense.
A melhor forma de comemorar nesta ilha o cinquentenário da Autonomia dos Açores, em 2026, seria render a devida homenagem à sua saudosa memória, em registo público e perene, com o descerramento de um busto. Porventura, por iniciativa e na sede da própria Assembleia Legislativa.
Um busto que o retrate, como legado para as novas gerações, desde a sua excecional consciência autonómica até ao seu extraordinário coração açoriano.
JOÃO CARLOS ABREU NA MADEIRA
João Carlos Abreu nasceu na cidade do Funchal há 90 anos, a 5 de dezembro de 1935. É político, poeta, pessoa.
Como político, deixou o seu nome gravado a ouro no desenvolvimento e na projeção da sua Região Autónoma da Madeira, enquanto incontornável e incomparável Secretário Regional do Turismo, da Cultura e da Emigração.
Foi o mais resiliente governante português ao serviço de um destino turístico, durante 23 anos, de 1984 a 2007.
Como poeta, transpira a sensibilidade que não lhe cabe no coração. Cria a poesia com amor e vive a vida com paixão.
É um fazedor de poesia e um desinquietador de poetas na Madeira, na Macaronésia e no Mundo.
Ele próprio é um símbolo da Madeira, um arquiteto da Macaronésia, um navegante do Mundo.
É um amigo dos Açores. E das Canárias e de Cabo Verde.
Num belo dia de 2017, foi ter connosco à Câmara Municipal de Ponta Delgada para propor a organização de um encontro internacional de poesia capaz de reunir e celebrar as ilhas da Macaronésia. O desafio foi prontamente aceite pelo então presidente da câmara e atual presidente do governo, José Manuel Bolieiro, e logo concretizado naquela que ele próprio batizou como sendo a Cidade dos Poetas.
Oito anos depois, continuamos na causa dele e por causa dele. Seja em Ponta Delgada (2017, 2019 e 2024), no Porto Santo (2018 e 2022), em Las Palmas (2021) ou na Praia (2023).
Nestes Encontros de Poesia da Macaronésia, somos 27 ilhas com três milhões de almas azuis e olhamos o mundo com olhos de mar.
Tudo graças à personalidade inspiradora, agregadora e dinamizadora de João Carlos Abreu.
Como ele, acreditamos na faculdade libertadora da Poesia e apostamos na capacidade empreendedora da Macaronésia.
Acima do político está o poeta e acima do poeta a pessoa.
Recebeu o Doutoramento Honoris Causa em Ciências Sociais pela Universidade de San Cyrillo, foi condecorado como Grande Oficial da Ordem de Mérito da República Portuguesa e distinguido com a insígnia Cordão Valor em Ouro da Região Autónoma da Madeira, mas prefere apresentar-se assim:
“Eu sou o João Carlos, natural da Madeira, terra de muita simpatia e de muita bananeira.”
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Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores





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