Doença de Lyme

by | Dec 23, 2025 | Haja Saúde

 

Não foi há muito tempo que um jornal local alertava a população para o fato recém-descoberto que a incidência desta doença é 10 vezes maior do que se pensava. Apesar de ser parcialmente verdade, pensei que se tratava de mais um artigo sensacionalista como muitos há na TV, rádio e imprensa destes dias, e daí talvez não. Achei pois que devia tentar dar algumas informações de carácter objectivo aos nossos leitores, e alertar para alguns riscos que são reais, merecendo a atenção de todos. 

Esta doença, a que foi dada o nome da vila de Old Lyme, em Connecticut, onde foram descobertos os primeiros casos, é causada por um ser microscópico, uma bactéria, mais propriamente uma espiroqueta de nome Borrelia burgdorferi, que é transmitida aos seres humanos pela carraça do veado de cauda branca, comum nesta área do país. A esta carraça dá-se o nome de vector, ou seja o agente intermediário de infecção. A doença de Lyme é sem dúvida a doença transmitida por vector mais comum nos Estados Unidos e a verdadeira incidência ainda está por determinar, mas a verdade é que mais e mais casos estão a ser encontrados conforme o recente alerta público. O problema do número de pessoas afetadas é que as manifestações clínicas não são espcíficas e as análises de laboratório são muitas vezes inconclusivas numa fase inicial da infeção, fazendo com que muitos doentes a que é dado este diagnóstico na realidade não o tenham. Para ajudar à confusão, há outras doenças transmitidas por outro tipo de carraças que têm certas semelhancas à Doença de Lyme, como as borrelioses transmitidas pela carraça “Lone Star”. A carraça ixoide, a que transmite a verdadeira doenca de Lyme, existe principalmente no nordeste dos EUA, norte-centro e região Atlântica média. A doença existe principalmente em ratos do campo e veados, e para além de seres humanos muitas outras espécies podem sofrer da doença: outros roedores, aves, cães, cavalos e bovinos, mas nesses animais as principais manifestacoes são artrite. Como a preferência das carraças é parasitar os veados de cauda branca, e como estes são cada vez mais comuns na nossa área do país, é pois natural o alastramento dos casos de infecção. 

Eis as manifestações clínicas: A descrição típica é de 3 estadios da doença: uma primeira fase que consiste num sindroma gripal e de uma erupção da pele típica, chamada erytema migrans, com o formato de um alvo, uma segunda fase semanas ou meses depois consistindo em meningite, encefalite e paralisia de Bell (facial), e uma terceira fase de artrite. 

 

 

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