No dia 26 de julho de 2025, tivemos o privilégio de testemunhar um momento histórico – histórico para a cidade de Belo Horizonte e para o Estado de Minas Gerais, mas também para a relação de cumplicidade entre o Brasil e os Açores.
Foi um dia histórico, até, para a afirmação da açorianidade no mundo. Sempre que nasce uma Casa dos Açores, a nossa identidade cultural chega mais longe e fica mais forte.
Nasceu a Casa dos Açores de Minas Gerais – a oitava Casa dos Açores do Brasil e a 19ª em todo o mundo.
A primeira Casa dos Açores foi fundada em Lisboa há 98 anos, em 1927. A mais recente nasceu na Região Centro do continente português há um ano, em 2024. Mas outras duas surgirão ainda neste ano de 2025: a Casa dos Açores da Região Sul, no Algarve e Alentejo, e a Casa dos Açores do Havai, no arquipélago norte-americano do Oceano Pacífico.
Em quase 100 anos, a rede mundial das Casas dos Açores afirmou-se em mais de 20 estados, províncias ou regiões de 6 países.
Em 1952, chegou ao Brasil, com a Casa dos Açores do Rio de Janeiro. Em 1977, chegou aos Estados Unidos da América, com a Casa dos Açores de Hilmar, na Califórnia. Em 1978, chegou ao Canadá, com a Casa dos Açores do Quebeque, na cidade de Montreal. Em 2011, chegou ao Uruguai, com a Casa dos Açores sedeada em San Carlos, uma cidade fundada por açorianos em 1763. Em 2013, chegou à Bermuda, com uma Casa dos Açores representativa de um quarto da população do arquipélago britânico do Atlântico Norte.
Entretanto, nasceram mais três Casas dos Açores em território português: a Casa dos Açores da Região Norte, em 1980, sedeada na cidade de Porto; a Casa dos Açores da Região Autónoma da Madeira, em 2019, na cidade do Funchal; e a já referida Casa dos Açores da Região Centro, em 2024, na cidade de Coimbra.
Nasceram também mais três Casas dos Açores na América do Norte: a Casa dos Açores da Nova Inglaterra, na costa leste dos Estados Unidos, em 1982, na cidade de Fall River, e as Casas dos Açores das províncias canadianas de Ontário e Manitoba, em 1985 e 1992, respetivamente, nas cidades de Toronto e Winnipeg.
Nos últimos 45 anos, já no âmbito de uma Região Autónoma dos Açores dotada de órgãos de governo próprio, nasceram ainda mais seis Casas dos Açores no Brasil: a Casa dos Açores de São Paulo, em 1980; a Casa dos Açores da Bahia, também em 1980, na cidade de Salvador; a Casa dos Açores de Santa Catarina, em 1999, na cidade de Florianópolis; a Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, em 2003, na cidade de Gravataí; a Casa dos Açores do Maranhão, em 2019, na cidade de São Luiz; e a Casa dos Açores do Espírito Santo, em 2022, no município de Apiacá.
Com a primogénita do Rio de Janeiro e a “caçulinha” de Minas Gerais, oito estados brasileiros integram agora a rede mundial das “embaixadas culturais” açorianas.
E assim tinha que ser, porque o Brasil foi o primeiro grande destino da emigração açoriana, muito antes dos Estados Unidos da América e do Canadá: no século 17, fomos para o Maranhão; no século 18, para Santa Catarina e Rio Grande do Sul; no século 19, para Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Bahia.
Mas a presença histórica dos Açores no Brasil vai para além destes sete Estados. Ela chega, também, a Minas Gerais.
Vejamos, por exemplo, uma pesquisa de Maria Eduarda Fagundes, do Instituto de Culturas Lusófonas de Uberaba, em Minas Gerais.
Ela refere que “os açorianos que emigraram inicialmente para o Brasil foram na nova terra bandeirantes, desbravadores, colonizadores, vaqueiros, escravos brancos, construtores de fortalezas, fundadores de vilas, cidades e comunidades, agricultores, criadores de gado, políticos, padres, militares, enfim, homens que ajudaram a construir as Minas Gerais e outras regiões deste país”.
E assim prossegue: “Muitas famílias que nestes solos aportaram e que hoje são referência na história mineira – como as famílias Terra, Brum, Silveira, Dutra, Faria, Fagundes, Rosa, Rezende, Cunha, Garcia, Neves, Bittencourt ou Goulart – vieram das ilhas de bruma e de lava, e com muita peleja e dificuldade ajudaram a construir no Brasil um novo mundo.”
(Conclui na próxima edição)
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José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores
Texto baseado na intervenção proferida na cerimónia fundacional da Casa dos Açores de Minas Gerais, realizada a 26 de julho de 2025, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, em Belo Horizonte, Brasil





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