A “Chronica da Terceira” na ilha Terceira, a “Chronica” em São Miguel, “O Incentivo” no Faial, “O Futuro” na Graciosa, “O Jorgense” em São Jorge, “O Picoense” no Pico, o “Correio Mariense” em Santa Maria e “O Florentino” nas Flores foram, como já vimos, os primeiros jornais publicados em cada uma das nossas ilhas, com exceção do Corvo, no período de implantação regional da imprensa açoriana, compreendido entre os anos de 1830 e 1885.
Vale a pena conhecer melhor os jornais pioneiros.
A “Chronica da Terceira”, fundado em Angra do Heroísmo a 17 de abril de 1830, é considerado o primeiro jornal impresso no Arquipélago dos Açores. Órgão oficial da Regência, com periodicidade semanal, é impresso na Imprensa do Governo e termina a 27 de março de 1831, com a sua edição nº 44. São seus redatores Simão José da Luz, Elias José de Moraes, José Estevão Coelho de Magalhães e João Eduardo d’Abreu Tavares. Dois anos volvidos sobre a introdução da imprensa no Arquipélago dos Açores, é fundado, em Ponta Delgada, o semanário “Chrónica”, em 1832. Trata-se, possivelmente, do primeiro jornal impresso na ilha de São Miguel, a partir do qual Ponta Delgada assumiria a liderança quantitativa da impressa açoriana do século XIX.
Fundado em 10 de janeiro de 1857, “O Incentivo” é o primeiro jornal impresso na ilha do Faial. João José da Graça Júnior é o proprietário, editor e redator deste semanário ‘literário e noticioso’, que termina em abril de 1858. O pioneiro da imprensa faialense, impresso em tipografia própria, tem a sua redação instalada na Rua do Colégio, nº 2, na cidade da Horta.
O primeiro periódico publicado na ilha Graciosa é o semanário “O Futuro”, que se assume como ‘jornal político’. É fundado em 4 de agosto de 1866, tendo como proprietário João José da Graça Júnior, também pioneiro da imprensa faialense. Impresso em tipografia própria, em Santa Cruz da Graciosa, este jornal termina em setembro de 1866, porque ‘o seu proprietário mudou de residência para o Fayal’.
A imprensa é introduzida na ilha de São Jorge a 15 de fevereiro de 1871, com a publicação do primeiro número do quinzenário “O Jorgense”, na vila das Velas. Jornal político, literário e noticioso, é seu diretor A. S. B. Silveira e seu redator José Urbano d’Andrade. O Dr. João Teixeira Soares é ainda apresentado como colaborador principal. Impresso em tipografia própria, o pioneiro da imprensa jorgense suspende publicação em 15 de novembro de 1879, com a sua edição nº 195.
Na Madalena é publicado o primeiro jornal da ilha do Pico, “O Picoense”, fundado em 20 de dezembro de 1874 pelo seu redator Urbano Prudêncio da Silva. Semanário impresso em tipografia própria, na Rua da Calheta, deixa de publicar-se em 27 de maio de 1877.
Aos extremos do arquipélago chega a imprensa açoriana em 1885, com Santa Maria em abril e Flores em julho seguinte.
O primeiro periódico publicado na ilha de Santa Maria, “O Mariense”, é fundado em 9 de abril de 1885 e assume-se como ‘jornal literário e noticioso’. Editado por Jacintho Monteiro Bettencourt, seu proprietário, e redigido por Urbano de Medeiros, o quinzenário é impresso na Tipografia Oriental, na Rua da Conceição, em Vila do Porto. É suspensa a sua publicação em 15 de julho de 1885, com a edição nº 7, ‘em consequência da sentença judicial por abuso da liberdade de imprensa e do editor se recusar a publicar a mesma’, conforme atrás referido noutro contexto. Consta ainda que ‘do nº8 chegou a imprimir-se a 1ª e a 4ª páginas, de que se tiraram mui poucos exemplares, por ser prohibida a publicação pela authoridade’.
Finalmente, “O Florentino”, pioneiro da imprensa na ilha das Flores. Fundado em 2 de julho de 1885, em Santa Cruz, é primeiro publicado com periodicidade semanal e, depois, como trimensário. Constantino Cândido Leal Soares é o seu principal impulsionador, deixando, contudo, a redação, para fundar o jornal “Amigo do Povo”. Impresso na Tipografia Imparcial Florentina, em Santa Cruz das Flores, publica o jornal a sua derradeira edição em 1888.
É este o retrato da nossa imprensa oitocentista, de Santa Maria às Flores.
(continua na próxima edição)
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José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores
Baseado na conferência “Para uma História da Imprensa Açoriana”, proferida na Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo, a 3 de julho de 2025





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