Nas últimas 18 crónicas ficámos a conhecer o percurso de vida de 50 açorianos emigrados. Nasceram em Santa Maria (1), São Miguel (23), Terceira (10), Graciosa (1), São Jorge (4), Pico (5), Faial (4), Flores (1) e Corvo (1) e vivem nos Estados Unidos da América (28), no Canadá (10), no Brasil (4) e na Bermuda (1), mas também na Arábia Saudita (1), nos Camarões (1), na Costa do Marfim (1), na Dinamarca (1), na Noruega (1), em Timor-Leste (1) e no Vietname (1). São homens (35) e mulheres (15), entre os 34 e os 88 anos de idade, que se notabilizaram na Educação (13), na Economia (9), na Política (8), na Cultura (8), no Social (8) ou na Diplomacia (4) dos seus países de acolhimento, mantendo sempre os Açores na saudade do seu coração. São 50, mas podiam ser 50.000. Foram entrevistados no livro “Conversas da Diáspora – 50 Açorianos pelo Mundo”, que publiquei em 2014 através da editora Letras Lavadas. Os interessantes percursos de vida que aqui foram apresentados resumem e assumem a determinação dos açorianos, a projeção dos Açores e a dimensão da Açorianidade. Esta homenagem a alguns dos mais notáveis é também extensiva a tantos outros menos notados, porque todos honram o bom nome dos Açores onde quer que se encontrem.
Na última crónica desta série biográfica, conhecemos mais duas histórias de vida: Durval Terceira, que nasceu na maior freguesia dos Açores, Rabo de Peixe, e que emigrou para o Canadá, liderando o maior sindicato de construção civil da América do Norte, e Mary Alsheikh, que nasceu na mais pequena ilha dos Açores, o Corvo, e emigrou para a Arábia Saudita, repartindo o seu tempo entre Riade, Londres e Califórnia.
DURVAL TERCEIRA
Durval Terceira nasceu em 1967 em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel. Aos 18 anos de idade, emigra para o Canadá, começa a trabalhar como operário da construção civil e, onze anos depois, em 1997, integra a Laborers’ International Union of North America, LIUNA, como representante dos trabalhadores da indústria de construção. A sua dedicação foi plenamente reconhecida pelos seus colegas e, em 2006, elegeram-no para coadministrador do sindicato Local com 97% dos votos. No ano seguinte, candidatou-se e venceu, tornando-se o primeiro açoriano a liderar o Local 183, o maior sindicato de construção civil de toda a América do Norte. Em 2011 passou a trabalhar para o Sindicato dos Carpinteiros – Local 1030. Primeiro, como representante do sindicato, depois, em 2020, como coordenador do sindicato local, e, por fim, desde 2022, como gerente regional, expandindo a jurisdição do Local 1030 para todo o Canadá, de Toronto a Vancouver. A sua vida é um exemplo de dedicação à luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores na grande nação canadiana, muitos deles portugueses, açorianos e micaelenses como ele.
MARY ALSHEIKH
Mary Alsheikh nasceu na mais pequena ilha dos Açores, em 1948, e emigrou para o grande Estado da Califórnia, em 1958. Estudou na Liberty High School e na San José State University, onde fez o Bacharel de Artes em Espanhol e de História da América Latina. Foi nessa universidade que conheceu o seu marido, natural da Arábia Saudita. Decidiram então ir viver para esse país do Médio Oriente, em 1977, e fixaram residência na sua capital, a cidade de Riade, onde tiveram três filhos. Em 1993, mudaram-se para Londres, a capital do Reino Unido, onde os filhos estudaram na King Fahad Academy, durante cinco anos. Em 1998, regressam aos Estados Unidos e Mary dedica-se a diferentes organizações da comunidade portuguesa da Califórnia. Está ligada aos órgãos dirigentes do Portuguese Historical Museum, do Portuguese Community Center, da Sillicon Valley Portuguese Education and Culture Foundation e da Luso-American Education Foundation. Está também ligada à Portuguese Heritage Publications of California e à Portuguese Historical Society of California. Além disso, foi copresidente do Dia de Portugal em San Jose e é dirigente do Clube de Mulheres da cidade de San Jose. É ainda coordenadora do conselho consultivo do programa de estudos portugueses da Universidade Estadual de San Jose. Continua a viver entre San Jose, na Califórnia, e Riade, na Arábia Saudita, mas sempre com vontade de visitar a sua ilha do Corvo.




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