Na edição anterior apresentámos o nosso livro “Transatlântico – As Migrações nos Açores”, editado em 2023. Nesta falaremos do que lhe sucedeu em 2024: “Transatlântico II – Açorianidade & Interculturalidade”, também da editora açoriana Letras Lavadas.
A Região Autónoma dos Açores projeta Açorianidade nas Américas e acolhe Interculturalidade nas Ilhas.
Somos menos de 250.000 residentes nas nove ilhas do arquipélago português do Atlântico Norte, mas bem mais de dois milhões de açorianos e seus descendentes no Brasil, no Uruguai, nos Estados Unidos, no Canadá ou na Bermuda.
Inversamente, já somos destino emigratório de mais de 8.000 cidadãos estrangeiros provenientes de 95 países diferentes, que vêm compensar a erosão demográfica natural, colmatar a carência de mão de obra local, ajudar a desenvolver os Açores.
Na senda de “Transatlântico – As Migrações nos Açores”, com textos de 2021 e 2022, este “Transatlântico II – Açorianidade & Interculturalidade”, compilando informações e reflexões de 2023, tanto celebra a identidade açoriana da Diáspora como a diversidade cultural da Região.
Tudo isso a pretexto de efemérides açóricas como os 275 anos do povoamento açoriano do sul do Brasil, os 260 anos da chegada dos açorianos ao Uruguai, os 145 anos da emigração açoriana para o Havai, os 100 anos do nascimento de Natália Correia, os 95 anos da Casa dos Açores em Lisboa, os 80 anos da vinda dos americanos para a Base das Lajes, os 70 anos da emigração oficial dos Açores para o Canadá, os 65 anos do Azorean Refugee Act ou os 25 anos da Direção Regional das Comunidades do Governo dos Açores.
Este livro foi prefaciado por três conhecidos e reconhecidos professores da diáspora açoriana: Lélia Pereira Nunes (Brasil), Diniz Borges (Estados Unidos da América) e José Carlos Teixeira (Canadá).
Lélia Nunes, presidente da Academia Catarinense de Letras, escreve assim: “O açoriano emigrou como o último recurso não de um indivíduo, mas de uma coletividade. Era preciso coragem para rasgar o cerco do mar e encontrar novos horizontes. Seguiram para o Brasil no século XVII, XVIII e XIX, a partir do século XIX para os Estados Unidos e em meados do século XX para o Canadá. Partiram embarcados em sonhos de realização e na grande aventura de construir uma nova vida por terras do Novo Mundo. Constituiu-se assim uma sociedade transversal, abstraindo da referência as fronteiras físicas. Por outro lado, mantiveram vivos os valores sociais e culturais comuns, alicerçados a uma herança que se preserva fortalecendo os sentidos de pertencer aos Açores – nove ilhas fincadas no meio do Atlântico Norte. Lugar raiz. Esquina dos mares, ponto de cruzamento, de passagem, de partida e de regresso. Rota de comércio, de pessoas e culturas. Hoje, porto de abrigo aos novos migrantes do século XXI.”
Diniz Borges, diretor do Portuguese Beyond Borders Institute da Universidade do Estado da Califórnia, escreve assim: “A diáspora açoriana nos Estados Unidos é um testemunho vivido da resiliência cultural e da força da identidade açoriana além arquipélago, assim como da ligação inabalável dos Açores com a América. Ao longo dos últimos dois séculos, as comunidades açorianas nos EUA prosperaram, mantendo vínculos sólidos com as suas raízes enquanto se integravam na diversidade do mosaico humano que é a Terra do Tio Sam. Este fenómeno é mais do que uma simples dispersão geográfica – é uma demonstração da vitalidade da cultura açoriana além das fronteiras atlânticas.”
José Carlos Teixeira, professor catedrático da Universidade de British Columbia, escreve assim: “Este livro representa um importante contributo para uma melhor compreensão da diáspora açoriana. Também preenche uma valiosa lacuna na literatura. O papel e impacto dos imigrantes açorianos como agentes de mudança na vida social, cultural, política e económica dos seus países de acolhimento – desde o Brasil, os EUA e o Canadá até às ilhas Bermudas – não pode ser subestimado. Este livro é recomendado como um recurso para alunos de estudos da migração portuguesa/açoriana, mas também será de interesse para o leitor comum interessado neste tema fascinante.”
O livro desenvolve-se por 20 capítulos assim intitulados: Um povo emigrante, De cais de partida a porto de abrigo, Azorean Refugee Act, Os Açores na América do Norte, A açorianidade da lusofonia, Os pioneiros, As pioneiras, Viola de dois corações, Conselho Mundial das Casas dos Açores, Encontro Açores Brasil, Los Azorenos, Açores e Cabo Verde, Os hinos da Macaronésia, Pedagogia da Autonomia, A Horta das migrações, Horta e Gravataí, Praia da Vitória, Welcome Home, De braços abertos e Obrigado!
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