Nova Iorque, Estados Unidos, 16 mai 2026 (Lusa) – Um projeto intercultural bilingue ligou alunos do estado norte-americano de Massachusetts e estudantes do Colégio de Lamego, em Portugal, estabelecendo uma ponte feita de palavras entre os dois países.
O projeto, desenvolvido pela professora Mara Santos, com o apoio e enquadramento da Coordenação do Ensino de Português nos Estados Unidos, visou promover a língua portuguesa, fortalecer laços culturais e aproximar alunos de diferentes contextos educativos.
Na prática, os alunos separados pelo Oceano Atlântico trocaram postais com recurso a códigos QR (com gravações de voz), complementada por vídeos produzidos pelos próprios estudantes, “promovendo não só a prática da língua portuguesa e inglesa, mas também uma ligação cultural direta entre os dois contextos educativos”, explicou à Lusa Mara Santos.
Mara é docente num programa de ‘dual language’, ou seja, um programa letivo em duas línguas (português-inglês), em Framingham, Massachusetts, e ao longo dos últimos quatro anos tem vindo a desenvolver projetos interculturais.
Fá-lo não apenas “por se encontrar num programa de intercâmbio de professores entre Portugal e Massachusetts, mas também por acreditar profundamente no valor educativo” dessas iniciativas, assegurou.
“Considero que este tipo de contacto entre alunos de diferentes contextos é extremamente enriquecedor, promovendo uma aprendizagem da língua portuguesa mais autêntica e significativa, bem como o desenvolvimento da empatia, da curiosidade e da consciência intercultural”, explicou à Lusa.
Tudo começou com pequenos cartões postais.
“Deste lado do oceano, os meus alunos escreveram, desenharam, imaginaram. Mas, com a introdução de códigos QR, algo mudou: aquelas palavras passaram a ter voz. Do outro lado do oceano, os alunos de Lamego não se limitaram a ler, ouviram. Ouviram sotaques, hesitações, entusiasmo. Ouviram pessoas”, contou.
Já os alunos do Colégio de Lamego responderam, “não de forma genérica, mas individual, pessoal, humana”, disse.
“Numa época em que tanto se fala de distância, de tecnologia e de superficialidade, houve aqui algo profundamente autêntico: jovens interessados em conhecer outros jovens. Mas esses alunos quiseram mais. Apresentaram também um vídeo sobre a sua cidade, a sua história, cultura e identidade”, destacou Mara Santos.
Do lado norte-americano, em Massachusetts, isso despertou uma curiosidade genuína nos alunos do 7.º ano.
“Houve perguntas, risos, surpresa. Houve aprendizagem real, daquela que não se esquece. E depois houve aquilo que não cabe nos objetivos curriculares”, sublinhou.
Os Estados Unidos são um dos países onde o ensino de português mais tem crescido, com mais de 20 mil alunos no ensino básico e secundário, e mais de dois mil estudantes no ensino superior, apoiados por mais de quatro centenas de professores, segundo dados oficiais, que apontam para um crescimento de 100% nos últimos 10 anos.
Mara Santos destacou que a iniciativa que promoveu transformou-se numa ponte entre os dois países, entre línguas e entre culturas.
“Uma ponte que lembrou aos alunos, e a mim, que aprender uma língua é, acima de tudo, aprender a relacionar-nos com os outros. (…) Talvez sejam estes alunos que melhor nos ensinam que o mundo é maior, mais próximo e muito mais humano do que, por vezes, acreditamos”, observou a docente.
No próximo ano letivo, Mara Santos terá uma nova turma, o que lhe permitirá voltar a desenvolver atividades semelhantes com outros alunos e, eventualmente, explorar novos formatos de intercâmbio e colaboração entre escolas.






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