Inaugurado o Museu Afro-Americano de Rhode Island, 500 Broad Street, Providence, é o primeiro do género em Rhode Island e pretende honrar a história negra da região.
Presentemente, o museu tem patente a exposição intitulada “Bem-vindo ao Bairro” e que explora os bairros negros de Providence entre as décadas de 1940 e 1970, incluindo Fox Point (que era o bairro português), West End, o Lippitt Hill Historic District e University Heights.
“Somos representativos das histórias cabo-verdianas, das histórias africanas, dos descendentes africanos de escravos e das histórias afro-latinas”, disse a curadora inaugural, dra. Melaine Ferdinand King. “Reunimos tudo isto sob o mesmo teto para realmente contar um momento exploratório e histórico que incorpora muito mais diásporas do que as pessoas costumam considerar”.
Na verdade, a imigração cabo-verdiana para os EUA tem séculos de história e é diferente de qualquer outra imigração africana, pois começou voluntariamente enquanto todos os outros africanos vieram trazidos como escravos.
Segundo historiadores, desde o descobrimento das ilhas de Cabo Verde pelos portugueses, em 1460, os seus habitantes procuraram outras paragens para fugir à seca e à fome.
No início do século XVIII, os baleeiros americanos que navegavam pelo Atlântico Sul aportavam em Cabo Verde para se abastecerem de água e reforçar as tripulações com cabo-verdianos conhecidos como bons marinheiros.
A imigração cabo-verdiana começou no século XIX trazida pelos navios baleeiros da Nova Inglaterra que escalavam as ilhas de Cabo Verde para se reabastecerem e engajar pescadores, que se ofereciam voluntariamente para escapar à pobreza insular.
Os primeiros imigrantes cabo-verdianos começaram a fixar-se no século XVIII na ilha de Nantucket. Por volta de 1750, dezenas de navios baleeiros americanos aportavam regularmente a Cabo Verde e, em 1840, mais de 40% dos baleeiros de Nantucket eram cabo-verdianos, que eram bons arpoadores e alguns deles foram afamados capitães baleeiros.
Na Nova Inglaterra, os cabo-verdianos estabeleceram-se nas comunidades formadas pelos baleeiros açorianos e madeirenses no sudeste de Massachusetts e Rhode Island, e concentravam-se sobretudo em New Bedford, MA, e Fox Point, RI.
Para além da caça à baleia, muitos trabalharam no cultivo de cranberry (arando) do Cape Cod e nas fábricas no sudeste de Massachusetts, mas alguns criaram pequenas empresas, incluindo restaurantes, mercearias, imobiliárias e companhias de seguros.
Ao longo do século XX, desenvolveu-se uma pequena comunidade cabo-verdiana em Boston e hoje os cabo-verdianos são o maior grupo de nacionais africanos da cidade e o sexto maior grupo de estrangeiros no geral, estabeleceram-se em zonas predominantemente negras e latinas de Roxbury e Dorchester, especialmente na zona entre Dudley Square e Upham’s Corner.
A cidade de Brockton, uma antiga cidade industrial localizada entre Boston e New Bedford, tem sido outra área de povoamento importante, com os cabo-verdianos a representarem um terço da população estrangeira da cidade. Atualmente, o mayor de Brockton é o cabo-verdiano Moisés M. Rodrigues, eleito em 2025 e que, em 2001, foi também eleito deputado pelo parlamento cabo-verdiano.
Hoje, admite-se que vivem cerca de 400 mil cabo-verdianos nos Estados Unidos, a grande maioria na Nova Inglaterra.






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