O grande estilo do nosso rei nascido em Alcochete

by | May 27, 2026 | A Descoberta

 

Passei há dias por Alcochete, vila à beira Tejo, e lembrei-me daquele que é o seu mais famoso filho: D. Manuel I, rei de Portugal entre 1495 e 1521. Mas o ilustre alcochetense foi mais do que rei de Portugal; foi um dos monarcas mais ricos e poderosos da sua época. A riqueza tinha que ver com o comércio que os portugueses faziam por todo o mundo, afinal foi logo no início do reinado que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia e que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil. 

 

Ainda em vida de D. Manuel I, o Império Português tomou Goa, na Índia, Colombo, no Sri Lanka, Ormuz, no Irão, e Malaca, na atual Malásia. Foi também a época em que os navegadores ao serviço da Dinastia de Avis aportaram tão longe como a China, a Indonésia ou Timor-Leste, hoje em dia o mais remoto país de língua oficial portuguesa. Não admira que os relatos sobre os produtos que chegavam a Lisboa incluissem especiarias, mas também papagaios. O próprio rei mandou vir um elefante da Índia, que ofereceu depois ao papa Leão X.

 

Quando nasceu em Alcochete, em 1469, nada fazia prever que aquele bebé seria rei. Claro que era um nobre importante, descendente de D. João I e de D. Duarte, mas não pertencia ao ramo dos Avis destinado a cingir a Coroa. Mas execuções (do irmão mais velho) e acidentes (morte do príncipe herdeiro) transformaram o jovem D. Manuel em sucessor de D. João II, seu primo e cunhado (a rainha D. Leonor era sua irmã). 

 

Um dia entrevistei João Paulo Oliveira e Costa, biógrafo, e este disse que “ D. Manuel I chegou a rei por uma carambola inacreditável de mortes e de não nascimentos”. O historiador também destacou que o rei português foi o primeiro monarca da História a ter exércitos em quatro continentes e navios em três oceanos. O tal poder imenso à escala global, apesar da pequena dimensão do território português na Europa.

 

Mas a maior marca de D. Manuel, aquela que ainda hoje é bem visível, é o estilo arquitetónico que tem o seu nome. Há em Alcochete, como em muitas cidades e vilas de Portugal. Mas os mais belos exemplos do manuelino estão na margem norte do Tejo, em Lisboa, já perto da foz: o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, esta última agora finalmente com as obras terminadas e possível de contemplar em toda a sua magnificência.

 

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