“Como diplomatas falamos muitas vezes do trabalho que as nossas embaixadas e consulados fazem, e eu tenho muito orgulho nisso. Mas nos Estados Unidos e em Portugal muito do que nos une acontece a nível local”, afirmou Douglas Koreff, encarregado de Negócios da Missão dos EUA em Portugal durante a Cimeira Cidades Irmãs promovida no âmbito dos 40 anos da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento realizada em Ponta Delgada para comemorar os 230 anos de relações diplomáticas entre os EUA e Portugal.
Numa exemplicação das declarações de Douglas Koreff: as ligações locais entre os Açores e os EUA remontam à década de 1820, quando homens portugueses foram recrutados para trabalhar em navios baleeiros americanos baseados em Nantucket, Cape Cod, New Bedford. Estabelecendo-se nas cidades costeiras da Nova Inglaterra, as primeiras vagas de imigrantes portugueses que procuravam uma vida melhor encontraram refúgio em comunidades que partilhavam uma ligação semelhante com o mar. Na Califórnia, onde as oportunidades agrícolas impulsionaram a imigração, os açorianos continuaram a estabelecer-se nos Estados Unidos no início do século XX.
Raízes culturais profundas que unem as cidades irmãs
Atualmente cerca de 1.3 milhões de descendentes e imigrantes portugueses vivem nos EUA, e as suas tradições duradouras constituem a base das ligações entre cidades irmãs. Portugal tem 57 relações de cidades irmãs com os Estados Unidos, 37 das quais com sede nos Açores. A mais antiga destas relações, datada de 1966, é entre Angra do Heroísmo, na ilha Terceira e a cidade de Tulare, no Vale de San Joaquim na Califórnia. Após a devastadora erupção vulcânica dos Capelinhos, em 1958, e a subsequente Lei dos Refugiados Açorianos, patrocinada pelo então senador de Massachusetts, John F Kennedy, uma segunda vaga de açorianos chegou aos EUA.
No início de 1970, o conselheiro municipal Manuel Fernando Neto, vereador do Bairro 5 em New Bedford e presidente do Conselho Municipal, natural da Horta, propõe a geminação das cidades irmãs New Bedford/Horta, como forma de fortalecer as já longas relações entre as duas cidades.
Nota-se aqui uma visão de aproximação institucional entre dois municípios, tendo por base o sucesso conseguido dos que aqui se foram radicando. Em 1972, o então mayor John A. Markey foi convidado a visitar o Faial, onde foi assinado o diploma comprovativo do ato de cidades irmãs, New Bedford/Horta.
Um legado de amizade enraizado em sucessivos exemplos
Com mais de dois séculos de história bilateral, os laços entre os EUA e Portugal estão profundamente enraizados e são de grande alcance um facto evidente na vitalidade das suas relações entre cidades. Embora os fluxos de imigração portuguesa para os EUA tenham abrandado, as ligações mantêm-se. E cada vez mais americanos estão a descobrir a cultura e os destinos portugueses. A recente cimeira de Ponta Delgada serviu para recordar que estes acordos não são apenas tinta no papel mas representam laços vivos que continuam a enriquecer as comunidades do outro lado do oceano que partilhamos.
– Dados recolhidos junto do The Portugal NEWS






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