Mundial2026: Estreante Uzbequistão atesta evolução em contexto mais exigente

by | Jun 21, 2026 | Desporto

Redação, 21 jun 2026 (Lusa) – O estreante Uzbequistão, adversário de Portugal na segunda jornada do Grupo K do Mundial2026, na terça-feira, tenta mensurar a sua progressão num torneio mais exigente, salienta o treinador português Pedro Moreira, com passado no futebol uzbeque.

“A grande dificuldade é perceber em que nível eles estão. O jogo que têm apresentado nos torneios asiáticos faz com que sejam muito mais fortes em várias situações, mas não lhes tem permitido assumir a iniciativa num cenário como o Mundial. Baseiam-se na aglomeração defensiva, em linhas baixas e na organização para, após recuperarem a bola, fazerem uma boa transição”, descreveu à agência Lusa o técnico, de 51 anos, que orientou em 2024/25 o Pakhtakor, recordista de títulos de campeão uzbeque (16).

Na quarta-feira, o Uzbequistão tornou-se o 84.º país a atuar em fases finais da principal prova internacional de seleções e o quarto e último debutante a entrar em ação nesta edição, ao perder frente à vice-campeã sul-americana Colômbia (3-1), na Cidade do México, para a ronda inaugural da ‘poule’ K, formada ainda por Portugal e República Democrática do Congo.

“Estão a apalpar terreno numa nova realidade e a ver como conseguem ser mais capazes. Nesta partida, viu-se mais procura [pelo golo], muitas vezes com poucos atletas. Não chegam ao último terço com a equipa completa. Têm sempre três defesas centrais [atrás] e um médio a garantir equilíbrio, pelo que atacam com seis e, às vezes, sete. Isso nem sempre dá muitas valias ofensivas, mas a forma como estão organizados é bem mais importante para eles”, analisou o antigo técnico de Torreense e Casa Pia.

Primeiro país da Ásia Central num Campeonato do Mundo, o Uzbequistão juntou-se à Rússia e à Ucrânia entre as antigas repúblicas soviéticas que chegaram às fases finais, 35 anos depois da sua independência da União Soviética (URSS), quarta colocada em 1966, num total de sete presenças.

“Há uma aposta muito grande. O centro de treinos da Associação de Futebol do Uzbequistão (UFA) é muito moderno e o complexo olímpico foi reformado. Têm sido campeões em vários escalões jovens na Ásia e houve também uma visibilidade ainda maior pela inédita participação nos Jogos Olímpicos Paris2024”, realçou, em alusão aos dois títulos continentais de sub-17, um de sub-20, festejado como anfitrião em 2023, e um de sub-23.

Duas chegadas aos quartos de final e uma aos ‘oitavos’ do Mundial de sub-20, do qual serão coorganizadores com o Azerbaijão em 2027, bem como duas presenças nos ‘quartos’ e outras tantas nos ‘oitavos’ da competição homóloga de sub-17, atestam também a evolução na última década e meia dos uzbeques, um dos nove países asiáticos no Campeonato do Mundo sénior, após o segundo lugar no Grupo A da terceira fase, a dois pontos do Irão.

Pedro Moreira viu “uma explosão de alegria e um enorme entusiasmo” em Tashkent aquando da qualificação, que, volvidas sete tentativas falhadas, desde 1998, foi garantida em junho de 2025 com Timur Kapadze, já depois da saída do treinador esloveno Srecko Katanec, por problemas de saúde, e antes de a UFA apostar no italiano Fabio Cannavaro, campeão do mundo como futebolista pela Itália em 2006 e último defesa a conquistar a Bola de Ouro.

“A base de recrutamento é muito maior do que há uns anos e as seleções passam bastante tempo em estágio. O projeto da UFA obriga os clubes a ceder jogadores durante muito tempo. Por exemplo, esta equipa está em estágio desde 06 de maio. Quem atua fora veio um pouco mais tarde, mas quem compete no campeonato uzbeque está com Fabio Cannavaro desde essa data. Há uma cultura de equipa e fizeram uma pré-época para o Mundial2026, com uma base forte de preparação”, enquadrou.

Dos 26 convocados, 10 pertencem a clubes estrangeiros, entre os quais o defesa central Abdukodir Khusanov, cuja contratação pelos ingleses do Manchester City no ano passado elevou a visibilidade do futebol uzbeque.

“Os jogadores de referência são os que foram para fora, tiveram sucesso e vingaram o nome do país. A sensação que tenho é de que há miúdos que participaram neste processo de maior qualidade das seleções jovens e já estão a sair. Alguns foram mais cedo para a Europa e acredito que vá aumentar o olhar sobre este mercado”, notou o vencedor da Taça do Uzbequistão em 2025.

Antigo adjunto de Paulo Fonseca, Pedro Moreira lembra que Fabio Cannavaro apostou em futebolistas que se destacaram no campeonato local, mas “não estavam há algum tempo nos planos da seleção”, triunfante na Taça da Nações da Ásia Central em 2025 e afastada nos penáltis pelo anfitrião e futuro bicampeão Qatar nos ‘quartos’ da Taça Asiática de 2023.

“Estão a melhorar no idioma inglês, mas nem todos o dominam e há algum receio de jogar fora por causa disso. Agora, a competitividade é grande. Os atletas de maior qualidade estão na seleção e passaram pelos emblemas mais fortes do país, sendo que não têm grande problema em circular de um para o outro”, finalizou o treinador, atualmente sem clube.

 

 

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