BOSTON — 8 de julho de 2026 — A mayor de Boston, Michelle Wu, anunciou hoje que a cidade, em representação das Escolas Públicas de Boston (BPS), avançou com uma ação judicial contra a Meta e outras empresas de redes sociais, incluindo o TikTok, o Snapchat e o YouTube. O processo alega que estas plataformas visam deliberadamente os menores com funcionalidades de design viciantes que prejudicam a saúde mental das crianças.
“As empresas de redes sociais têm provas dos danos que estão a causar aos nossos filhos ao desenharem plataformas que os mantêm presos em scrolling infinito, monetizando o envolvimento à custa da sua saúde mental”, afirmou a presidente da autarquia, Michelle Wu. “Boston está a avançar com vias legais para proteger as crianças e os jovens, e para responsabilizar estas empresas. Hoje, estamos a deixar claro que as empresas de redes sociais têm de pôr fim a práticas exploratórias e ser responsáveis perante padrões de proteção básica para as crianças.”
A superintendente das Escolas Públicas de Boston, Mary Skipper, sublinhou o esforço da comunidade escolar: “As Escolas Públicas de Boston prestam serviços críticos de saúde mental aos jovens da nossa comunidade através dos nossos conselheiros, assistentes sociais, psicólogos e enfermeiros, que têm ido mais além para responder às crescentes necessidades dos alunos. Trabalhamos arduamente para encaminhar os nossos estudantes para o sucesso através de um ensino rigoroso e de apoios integrais ao aluno, e a investigação é clara: as redes sociais têm tido um impacto negativo no bem-estar dos estudantes, ao mesmo tempo que beneficiam as empresas. Todos temos de fazer o que é correto pelos nossos alunos.”
Ao longo da última década, as BPS registaram um aumento significativo nas necessidades de saúde mental dos estudantes diretamente associado ao uso de redes sociais. Em linha com as tendências nacionais de saúde mental, as crianças e os adolescentes das BPS têm relatado crescentes preocupações de saúde mental desde a proliferação das funcionalidades viciantes das plataformas de redes sociais. Por exemplo, em 2021, 44% dos estudantes do ensino secundário das BPS relataram uma tristeza persistente, face aos 27% registados em 2015 (Comissão de Saúde Pública de Boston, 2024).
“Como prestadores de serviços de tempos livres, vemos em primeira mão como a dependência das redes sociais está a transformar a infância. Vemos jovens que lutam para se concentrarem, para se ligarem aos outros e para estarem simplesmente presentes”, afirmou Alexandra Oliver-Davila, diretora executiva da Sociedad Latina. “Estas grandes empresas tecnológicas sabiam dos danos que as suas plataformas causavam e escolheram o lucro em detrimento do bem-estar dos jovens. A Sociedad Latina apoia totalmente a decisão da Cidade de Boston e das Escolas Públicas de Boston de responsabilizar estas empresas, porque os nossos jovens merecem melhor, tanto na sala de aula como fora dela.”
Reconhecendo o profundo impacto das redes sociais no bem-estar e na aprendizagem dos estudantes, as BPS adotaram uma resposta abrangente e baseada em dados para a crise de saúde mental dos alunos, integrando a prevenção, a intervenção, a educação e o envolvimento familiar. Para responder às necessidades dos estudantes, as BPS expandiram exponencialmente os seus recursos de saúde mental nos últimos anos. Atualmente, as BPS empregam 240 assistentes sociais e 105 psicólogos escolares, em contraste com os 6 assistentes sociais e 48 psicólogos escolares que tinham em 2007. As BPS lideram também a Boston School-Based Behavioral Health Collaborative (BSBBHC), que reúne mais de 25 organizações comunitárias de saúde mental para prestar serviços diretos aos estudantes das BPS.
O processo judicial da cidade procura responsabilizar as empresas de redes sociais, forçando-as a remover as suas funcionalidades viciantes e a indemnizar a cidade pelos apoios de saúde mental de que os estudantes necessitam. Estas plataformas conceberam funcionalidades viciantes, tais como o scrolling infinito, notificações constantes e algoritmos direcionados especificamente para manter os jovens agarrados aos ecrãs. Além disso, a verificação de idade inadequada facilitou o acesso das crianças a estas plataformas com pouca ou nenhuma proteção. Como resultado, uma geração de jovens ficou a braços com crises de saúde mental, e os distritos escolares têm estado na linha da frente desta crise.
A ação judicial de Boston foi submetida no tribunal federal do Distrito Norte da Califórnia e alega que a crise de saúde mental juvenil criada pelas rés constitui uma perturbação da ordem pública (public nuisance) e que a conduta das rés foi negligente. O caso será consolidado com as queixas apresentadas por mais de 1500 distritos escolares em todo o país.





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