Jornais comunitários com alma açoriana

by | Jan 7, 2026 | Décima Ilha

 

A comunicação social assume importância estruturante na construção, na preservação e na promoção do sentimento de pertença a uma comunidade distinta.

Com a televisão, a rádio ou os jornais, ganhamos consciência da vivência coletiva e, através da insubstituível imprensa, arquivamos para memória futura os momentos determinantes da nossa identidade e da nossa geografia. 

Antes de mais e acima de tudo, os órgãos comunitários de comunicação social na América do Norte prestam um contributo decisivo para a desejada resiliência da língua portuguesa, falada e escrita.

Mas, por muito importantes que sejam os meios audiovisuais e as novas formas de comunicação digital, nada substitui o jornal – e, em especial, o jornal impresso, que podemos folhear e guardar, para sentir a pulsação da comunidade local ou para aconchegar a saudade da terra natal.

Merece, por isso, a devida congratulação e o adequado louvor constatar a longevidade de um jornal convencionalmente impresso em papel, num tempo e num espaço de crescente pressão digital.

Aqui ficam dois exemplos, entre outros possíveis, na Província do Quebeque e no Estado de Massachusetts. 

 

A VOZ DE PORTUGAL HÁ MAIS DE 60 ANOS NO CANADÁ

Um jornal intitulado A Voz de Portugal não podia ter uma data mais adequada para celebrar o seu aniversário do que o dia 25 de abril. Foi a 25 de abril de 1974 que Portugal ergueu a sua Voz para implantar a Democracia e afirmar a Liberdade. A liberdade de expressão, a liberdade de imprensa.

Sucede, contudo, que, por curiosa coincidência, a fundação do jornal é anterior à revolução. Premonitoriamente, A Voz de Portugal nasceu treze anos mais cedo, a 25 de abril de 1961.

Já completou 64 anos de publicação ininterrupta. Passadas mais de 3.300 semanas, é o jornal de língua portuguesa mais antigo do Canadá.

Honra a comunidade lusitana, maioritariamente açoriana, da cidade de Montreal e da província do Quebeque.

Merece, por isso, a devida homenagem, com sensação de reconhecimento e com expressão de louvor, a quantos levaram e levam mais longe, no espaço e no tempo, A Voz de Portugal.

Desde logo, os seus fundadores, Elísio de Oliveira e José Simões Silvestre, e os seus sucessivos diretores Artur Ribeiro, Luís Filipe Costa, Dúlio Barreto Rosette, Armando Barqueiro e António Vallacorba. De entre todos se destaca Armando Barqueiro, que dirigiu o jornal durante 40 anos, de 1965 a 2005, até falecer.

Neste tributo cabem também, pelo tempo presente, o editor Sylvio Martins, os diretores Jorge Matos e Francisca Reis e, em geral, os seus redatores, os seus colaboradores, os seus anunciantes, os seus leitores.

São muitas as vozes portuguesas, de ontem e de hoje, que fazem A Voz de Portugal. Uma delas foi o jornalista açoriano Norberto Aguiar, antigo e marcante chefe de redação de A Voz de Portugal, que fundou e dirige o jornal LusoPresse, em Montreal, desde 1996.

Já no Ontário, entre outros, destaca-se aqui, por exemplo, o jornal Correio da Manhã Canadá, semanalmente editado na cidade de Brampton, desde 2012, sob a direção de Eduardo Vieira e Jorge Passarinho.

 

PORTUGUESE TIMES HÁ MAIS DE 50 ANOS NOS EUA

 

Com os 54 anos que agora comemorou, desde a sua fundação em 1971, o Portuguese Times destaca-se como um caso raro de orgulhosa resistência, que muito honra a nossa comunidade. Não apenas na cidade de New Bedford, mas no estado de Massachusetts e em toda a Nova Inglaterra. 

Está entre os mais antigos jornais portugueses ainda em publicação nos Estados Unidos da América, partilhando este feito notável com outros títulos emblemáticos como o Luso-Americano (Newark, New Jersey), desde 1928; O Jornal (Fall River, Massachusetts), desde 1975; ou o Tribuna Portuguesa (Modesto, Califórnia), desde 1979.

Já honra o histórico legado da imprensa luso-americana, que remonta mesmo ao século XIX, com A Voz Portuguesa (San Francisco, Califórnia), fundado em 1870, ou o Jornal de Notícias (Eire, Pennsylvânia), editado em 1877.

Pela longevidade do Portuguese Times, estão de parabéns os seus novos proprietários e administradores Henrique Arruda e Paulina Arruda, o seu diretor e editor Francisco Resendes, os seus poucos e bons redatores na pessoa do histórico repórter e fotógrafo Augusto Pessoa, mas também os seus colaboradores, os seus anunciantes, os seus leitores, de ontem e de hoje. Todos contribuindo para a sua antiguidade e, mais ainda, para a sua afirmação, não obstante a dificuldade acrescida dos tempos que correm.

Este jornal desenha-se no passado, consolida-se no presente e projeta-se no futuro, como causa e consequência da própria identidade da nossa comunidade da Nova Inglaterra.

_____

Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores

 

0 Comments

Related Articles