Habitantes da ilha de Santa Maria mantêm tradição anual das ‘candeinhas’

by | Feb 5, 2026 | Outras Notícias

 

Vila do Porto, Açores, 05 fev 2026 (Lusa) – Os habitantes de Espírito Santo, no concelho de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, Açores, mantêm a tradição da produção artesanal de ‘candeinhas’ (velas) que estão associadas à festa de Nossa Senhora da Purificação.

A festividade religiosa está associada à Apresentação do Senhor (assinalada na segunda-feira) e acontece sempre no primeiro fim de semana de fevereiro.

As ‘candeinhas’, que são velas de cera mais finas do que as habituais, são feitas pelos habitantes da freguesia de Santo Espírito 15 dias antes das festividades anuais de Nossa Senhora da Purificação.

As velas artesanais são benzidas na missa da festa, que está marcada para domingo, às 12:30 locais (mais uma hora em Lisboa), para a igreja paroquial.

“As ‘candeinhas’ são umas velas artesanais que as pessoas em Santo Espírito fazem [e são] próprias para […] a bênção neste dia”, disse hoje à agência Lusa o padre João Ponte.

Segundo o sacerdote da paróquia de Santo Espírito, as velas tradicionais são feitas de cera de abelha e “as pessoas juntam-se todas”, duas semanas antes da festa, para as confecionar.

João Ponte, que está na paróquia desde setembro de 2025, também esteve “a fazer as ‘candeinhas”.

A sua feitura consiste na utilização de “vários cordões” de fios de pavio, “que vão passando em cera quente – e, à medida que se vai passando o fio pela cera ela, depois, com a temperatura ambiente, vai solidificando”.

“Depois, quando se chega à grossura pretendida [o fio com cera] é cortado nos tamanhos que as pessoas pretendem. Normalmente, não é uma vela muito grossa, é uma vela muito mais fina [do que as comuns], com dois ou três centímetros de diâmetro. O comprimento, normalmente, é à volta de 30 centímetros”, explicou o padre.

Este ano, a feitura das ‘candeinhas’, com a participação de novos e velhos, decorreu na tarde do dia 25 de janeiro, tendo sido produzidas cerca de 300 unidades para a festa de Nossa Senhora da Purificação.

Na sua produção foram utilizados cerca de 30 metros de pavio e uma quantidade de cera de abelha que João Ponte não sabe quantificar, porque foi oferecida por habitantes, por alguns apicultores e também pela cooperativa local.

As velas artesanais são recolhidas pelos fiéis no dia da festa, após a sua bênção pelo sacerdote.

“As pessoas prezam muito este sinal de virem buscar a sua ‘candeinha’ para levarem para as suas casas. Até, antigamente, as pessoas vinham buscar as ‘candeinhas’ para depois, quando se sepultavam, levarem a sua ‘candeinha’ para a sepultura”, revelou.

Na atualidade, segundo o pároco, as pessoas levam a vela artesanal para casa para acenderem ao longo do ano junto de imagens do Espírito Santo ou de um santo da sua devoção.

O padre de Santo Espírito valoriza a tradição comunitária da feitura das ‘candeinhas’, considerando tratar-se de “uma coisa que não se pode perder”.

“Faz parte da tradição, faz parte da cultura, faz parte da nossa religiosidade popular, faz parte da nossa identidade como cristãos de celebrarmos a nossa fé. E estes gestos que nos ajudam a viver a fé e a ligarmo-nos ao divino é sempre importante mantermos, cultivarmos e passarmos para as gerações vindouras”, disse à Lusa.

Segundo o sítio Igreja Açores, a festa de Nossa Senhora da Purificação está “profundamente enraizada na identidade religiosa e cultural da ilha” de Santa Maria.

A festividade, que reúne a comunidade “em torno da luz, da fé e da devoção mariense”, está “associada à busca da luz e da proteção divina”.

Para muitos fiéis, a festa também marca o encerramento simbólico do ciclo do Natal, tal como o Cantar às Estrelas em outras ilhas dos Açores.

Do programa consta a celebração da missa solene no domingo e, este ano, pela primeira vez, no sábado, realiza-se a Serenata da Luz, pelas 20:00 locais.

 

 

 

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