Ouvimos a presidente das Grandes Festas, Márcia Sousa, que já pensa na celebração dos 40 anos das festividades.
Como é que nos traduz esta primeira experiência de ser a primeira mulher a assumir a presidência das Grandes Festas?
“Assumir este cargo foi uma experiência profundamente gratificante e inspiradora. Embora muitas vezes se destaque o facto de eu ser a primeira mulher a desempenhá-lo, pessoalmente não atribuo grande relevância a esse título. Ao longo da história, ao lado de todos os presidentes cessantes estiveram sempre grandes mulheres, que desempenharam um papel fundamental no seu percurso e a quem deixo o meu mais profundo reconhecimento. Naturalmente, foi um grande desafio aceitar esta responsabilidade, mas fi-lo com a convicção de que não estava sozinha. Tenho ao meu lado um companheiro de vida extraordinário, o meu marido Daniel, bem como os meus filhos, António e Sofia, cujo apoio foi — e continua a ser — imprescindível. Sem eles, assim como sem o apoio da minha família, dos amigos e da comunidade, nada disso teria sido possível”.
Acha que resultou o facto de os convidados serem de diferentes ilhas?
“A escolha dos convidados não foi baseada na sua localização geográfica, mas sim no que cada um representa para a nossa comunidade. Este ano, em particular, tivemos a felicidade de receber convidados oriundos de várias ilhas, o que reflete o nosso esforço contínuo em sermos inclusivos e representativos de toda a diversidade do arquipélago. Como é tradição nas Grandes Festas, procuramos sempre garantir a presença de representantes religiosos, políticos e comunitários. Ficámos muito satisfeitos com a escolha feita este ano. Os convidados mostraram-se extremamente acessíveis, humildes e manifestaram um grande apreço pelas nossas tradições, reconhecendo a devoção e o amor profundo que dedicamos ao Divino Espírito Santo”.
Terão havido, no seu entender, algumas arestas que terão de ser moldadas?
“Acreditamos que é no fazer que se aprende. Naturalmente, há sempre aspetos que podem ser melhorados e ajustados em benefício da comunidade. No entanto, de forma geral, tudo correu bem. Quando as coisas são feitas com amor, dedicação e sentido de responsabilidade, os resultados tendem a ser positivos — e foi exatamente isso que procurámos garantir com a realização desta edição das Grandes Festas em honra ao Divino Espírito Santo”.
A alteração do jantar de encerramento, passando a convívio, é para continuar neste formato?
“Faço um balanço muito positivo desta alteração. A cerimónia de encerramento decorreu de forma harmoniosa e, acima de tudo, cumpriu plenamente os objetivos a que nos propusemos: promover um maior convívio entre os participantes, tornar o momento mais leve e acolhedor, além de ser significativamente menos demorado e dispendioso do que o tradicional banquete realizado em anos anteriores.
Estas mudanças não foram apenas pontuais, mas refletem uma nova abordagem que acreditamos ser mais adequada aos tempos atuais — mais sustentável, inclusiva e centrada nas pessoas. A intenção é dar continuidade a este novo formato, mantendo sempre o foco no bem-estar da comunidade e na essência das celebrações”.
Quais os comentários que lhes deixaram os convidados?
“Todos os convidados deixaram-nos mensagens muito tocantes de agradecimento, não apenas pela oportunidade de participarem nas nossas celebrações, mas também pelo privilégio de poderem conviver com esta extraordinária comunidade. Expressaram um profundo reconhecimento pelo legado e pela contribuição inestimável da comunidade açoriana nos Estados Unidos da América. É sempre gratificante ver reconhecido o papel fundamental que esta comunidade de origem açoriana tem desempenhado neste vasto país. A sua dedicação, espírito de entreajuda e forte ligação às raízes culturais continuam a ser motivo de orgulho e inspiração para todos nós”.
Algo mais que queira acrescentar?
“Gostaria de aproveitar esta oportunidade para expressar o meu mais profundo agradecimento a todos os que tornaram estas celebrações possíveis. À comissão organizadora, aos incansáveis voluntários, às irmandades, filarmónicas, ranchos folclóricos, clubes e associações, aos patrocinadores, artistas, meios de comunicação social e, acima de tudo, a toda a comunidade: o nosso mais sincero obrigado. Sem o vosso empenho, generosidade e espírito de serviço, estas festas não teriam a grandiosidade nem o significado que hoje orgulhosamente testemunhámos.
Quero deixar um agradecimento especial às duas Irmandades do Divino Espírito Santo da minha terra natal, Rabo de Peixe, pela sua presença nas nossas celebrações. A sua participação foi simbólica e emocional, proporcionando momentos únicos e inesquecíveis, não só para mim, mas para todos os rabopeixenses que aqui vivem e participaram. Deixo, por fim, um apelo sincero para o próximo ano: que todos se envolvam ainda mais, que tragam novas ideias, novas mãos e novos corações. Só com a união e o contributo de todos poderemos continuar a honrar o Divino Espírito Santo e a afirmar, com orgulho, a nossa herança portuguesa”.
Márcia Sousa com Clemente Anastácio, Francisco Fernandes, Joshua Lima e outros voluntários. Augusto Pessoa/PT






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