Morreram em Portugal a atriz Glória de Matos e a escritora Clara Pinto Correia, que foram imigrantes no Canadá e nos Estados Unidos, respetivamente.
Glória de Matos morreu dia 11 de dezembro, aos 89 anos, em Lisboa, vítima de insuficiência cardíaca e foi uma das figuras mais respeitadas das artes cénicas em Portugal com uma carreira de mais de seis décadas que começou no grupo Casa da Comédia.
Glória de Matos dedicou-se também ao ensino e lecionou o Conservatório Nacional e na Universidade Aberta.
Glória de Matos foi casada com o conhecido locutor e apresentador da TV Henrique Mendes.
Em 1975, quando Henrique Mendes foi saneado da RTP e viu a sua vida mudar com a Revolução dos Cravos, ele e Glória de Matos imigraram para Toronto, Canadá, onde ele viria a fundar uma rádio comunitária, a Asas do Atlântico, na qual ela colaborou. No ano de 1979, o casal regressou a Portugal, Henrique Mendes foi nomeado director de programas da Rádio Renascença e mais tarde passou a integrar os quadros da SIC.
Glória de Matos reatou a carreira teatral no Teatro Nacional D. Maria II e foi ainda orientadora do Centro de Formação da RTP por doze anos, e assessora da Secretaria de Estado da Cultura de 1990 a 1992, membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social de 1991 a 1994 e assessora do Instituto de Artes Cénicas entre 1994 e 1998.
Maria Clara Amada Pinto Correia, mais conhecida por Clara Pinto Correia, 65 anos, foi encontrada morta dia 9 de dezembro na sua casa em Estremoz, no Alentejo. Nasceu em Lisboa, a 30 de janeiro de 1960 e parte da infância foi passada em Angola (com três irmãs mais novas, incluindo a jornalista Margarida Pinto Correia), onde o pai foi professor de medicina e médico durante a guerra colonial, e a mãe também era médica.
Como bolseira Fulbright, Clara Pinto Correia passou o ano académico de 2014-2015 a investigar no Amherst College, em Massachusetts, e doutorou-se em Biologia Celular pela Universidade do Porto.
Ao longo da vida, destacou-se como bióloga e investigadora científica, com carreira académica sólida em Portugal e nos EUA, onde foi professora de Ciências Veterinárias na Universidade de Massachusetts e estava também associada à Universidade de Harvard e à Universidade de New York.
Além de bióloga, Clara Pinto Correia foi também figura marcante da cultura portuguesa como apresentadora de televisão, escritora (50 livros publicados) e jornalista que assinava crónicas semanais em várias publicações.
O seu livro científico “Ovário de Eva: Óvulo, Espermatozóide e Preformação” (1997) e o romance “O Regresso do Pássaro Louco: A Triste e Estranha História do Dodó” (2003) foram publicados em inglês.
Foi também tradutora de obras literárias como os contos completos de Flannery O’Connor e “As Viagens de Gulliver”.
A verdade é que apesar do sucesso profissional inegável, nem tudo foi um mar de rosas na vida de Clara Pinto Correia, nomeadamente no que diz respeito ao amor. Foi casada três vezes.
Primeiramente, uniu-se ao escritor António Mega Ferreira, mas a união cederia à pressão do casal em querer ter filhos e todas as tentativas saírem goradas.
Clara casou depois, em 1994, com um americano também académico e acabaram por adotar dois rapazes portugueses que foram criados nos Estados Unidos, têm agora 31 e 32 anos e vivem em Londres.
O terceiro casamento com o fotógrafo Pedro Palma foi, talvez, o mais marcante para Clara que, apaixonada, acabaria por dar o nó em Las Vegas, mas seria o enlace mais atribulado, com o casal a separar-se pouco tempo depois. Em 2017, com os dois já há muito divorciados, o fotógrafo foi encontrado morto dentro da bagageira do próprio carro, numa morte com contornos misteriosos que nunca foi completamente esclarecida.
Entretanto, em 2011, os filhos foram viver para Londres e Clara para os EUA. Estudou técnicas de reprodução assistida no humano e escreveu “Fear, Wonder, And Science – In The New Age Of Reproductive Biotechnology” (Medo, admiração e ciência – na nova era da biotecnologia reprodutiva em tradução livre), editado em 2017 pela Columbia University Press.
Regressou a Portugal, mas farta de viver em Lisboa fixou-se em Estremoz , num apartamento no centro da cidade e encontrou sossego longe das polémicas de outros tempos, fazia parte de um coro feminino, As Velhas Gaiteiras, e era colunista da publicação digital Página Um.
No passado dia 9 de dezembro, Clara Pinto Correia foi encontrada já sem vida pela empregada, mas tanto quanto se sabe a morte foi de causas naturais.






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