Vancouver, Canadá, 16 mai 2026 (Lusa) — O cônsul-geral de Portugal em Vancouver considerou que a comunidade portuguesa no Oeste do Canadá atravessa uma fase de consolidação e crescimento, defendendo que as novas gerações têm hoje mais influência económica, académica e social na região.
Há quatro anos à frente do consulado-geral de Portugal em Vancouver, depois de cinco anos como conselheiro da embaixada portuguesa em Otava, João Paulo Costa considera que a jurisdição do posto diplomático representa um dos maiores desafios consulares portugueses na América do Norte, devido à dispersão geográfica da comunidade.
“O consulado-geral cobre três províncias e dois territórios: Colúmbia Britânica, Alberta, Saskatchewan, Yukon e Territórios do Noroeste. É uma área geográfica imensa, praticamente metade do Canadá, e isso cria exigências muito próprias no apoio consular”, afirmou o diplomata, em entrevista à Lusa.
Segundo João Paulo Costa, os últimos censos canadianos apontam para cerca de 65 mil a 70 mil portugueses e lusodescendentes residentes nesta área de jurisdição, com maior concentração na Colúmbia Britânica e Alberta.
“Só a região metropolitana de Vancouver concentra mais portugueses e lusodescendentes do que toda a comunidade portuguesa residente em Alberta”, referiu, acrescentando que o crescimento populacional da comunidade portuguesa na região aumentou cerca de 11,5% em comparação com os censos de 2011.
O responsável salientou que esse crescimento também se reflete na procura de serviços consulares, indicando que o consulado realizou cerca de 5.500 atos consulares em 2025, incluindo documentos de identificação, registo civil e atos notariais, além de aproximadamente 500 vistos processados ao longo do ano.
“Temos uma procura muito significativa de serviços consulares e isso exige um grande esforço operacional de uma equipa relativamente reduzida”, explicou.
O consulado-geral conta atualmente com cinco funcionárias, depois de um período de dificuldades ao nível dos recursos humanos que, segundo João Paulo Costa, foi ultrapassado nos últimos anos.
“Foi feito um esforço importante de recrutamento e formação. Hoje temos uma equipa muito competente, que consegue responder às necessidades da comunidade e também assegurar deslocações consulares regulares a locais muito distantes”, afirmou.
O diplomata disse que o posto organiza entre seis a oito permanências consulares por ano, muitas delas realizadas por via aérea para cidades como Calgary, Edmonton ou Kitimat, situadas a mais de mil quilómetros de Vancouver.
“Há comunidades portuguesas espalhadas por locais muito afastados entre si, muitas delas associadas ao desenvolvimento económico do Canadá nas décadas de 1950 e 1960, sobretudo nos setores mineiro, ferroviário e das infraestruturas”, explicou.
João Paulo Costa destacou igualmente o nível de integração da comunidade portuguesa no oeste canadiano, descrevendo-a como “empreendedora, trabalhadora e bem integrada” nas várias províncias da jurisdição consular.
“Existe uma forte tradição associativa. Na Colúmbia Britânica temos 11 associações portuguesas e seis ranchos folclóricos. Em Alberta existem quatro associações, dois ranchos folclóricos e uma filarmónica”, indicou.
Apesar disso, reconheceu que o movimento associativo enfrenta desafios semelhantes aos registados noutras comunidades emigrantes, nomeadamente o envelhecimento da população e a dificuldade em atrair elementos mais jovens para cargos dirigentes.
“O associativismo ressente-se dessas mudanças geracionais, mas há também um enorme potencial nas segundas e terceiras gerações, que hoje estão mais qualificadas, presentes nas universidades, investigação, engenharias, artes e setores estratégicos da economia canadiana”, afirmou.
Para o cônsul-geral, existe ainda uma subvalorização da capacidade de influência da comunidade portuguesa na região.
“Há um paradoxo entre a perceção que a própria comunidade tem de si mesma e o seu verdadeiro valor. A comunidade portuguesa prosperou nestas províncias e hoje tem capacidade para ter maior influência social, económica e institucional”, considerou.
João Paulo Costa defendeu que as novas gerações lusodescendentes mantêm uma forte ligação às origens portuguesas, apesar da integração plena na sociedade canadiana.
“Há jovens muito qualificados, inovadores e com orgulho nas suas raízes portuguesas. Isso representa uma enorme mais-valia para o futuro da comunidade e também para a presença de Portugal nesta parte do Canadá”, afirmou.
Segundo os dados do recenseamento do Canadá de 2021, a província da Colúmbia Britânica concentra cerca de 39 mil portugueses e lusodescendentes, enquanto Alberta reúne cerca de 20 mil, números que fazem da jurisdição do consulado-geral de Portugal em Vancouver uma das mais relevantes comunidades portuguesas do oeste canadiano.






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