Dois mortos num tiroteio na Universidade Brown

by | Dec 17, 2025 | Expressamendes

A meia dúzia de dias do Natal, dois tiroteios, um em Sidney, na Austrália e outro à porta de casa, em Providence, RI. Em Sidney tratou-se de um atentado terrorista contra a comunidade judaica.

Domingo, 14 de dezembro, numa praia de Sidney, dois homens abriram fogo sobre pessoas que celebravam o primeiro dia do Hanukkah, tradicional festa do judaísmo que se prolonga por oito dias. Morreram 16 pessoas e 40 ficaram feridas.

Dos atiradores, um morreu e outro foi detido.

No dia anterior, 13 de dezembro, em Providence, duas pessoas morreram e nove ficaram feridas, sete das quais com gravidade, depois de um atirador ter aberto fogo numa sala de aulas do edifício Barus & Holley da Universidade Brown, 184 Hope Street, em Providence. As duas vítimas mortais e os nove   feridos são todos alunos da Brown.

Construído em 1965, o edifício Barus & Holley, tem sete andares, alberga os departamentos de Engenharia e de Física da universidade e inclui 117 laboratórios, 150 gabinetes, 15 salas de aula, 29 salas de aula com laboratório e três auditórios.

Fundada em 1764, a Brown é uma das universidades mais antigas e importantes dos EUA, tem mais de 10 mil alunos e é parte do prestigiado grupo de universidades Ivy League, do qual também fazem parte Harvard, Yale, Columbia, Princeton, Cornell, Dartmouth e a Universidade da Pensilvânia.

A ação ocorreu por volta das 16h num dia movimentado no campus, uma vez que decorriam os exames finais do semestre. O atirador, um homem vestido de preto, com um blusão cinzento escuro e uma máscara de camuflagem, entrou numa sala de aulas e disparou cerca de 40 tiros de 9mm sobre os estudantes.

O departamento de segurança da universidade emitiu um alerta para todo o campus às 16h22 de sábado orientando os alunos e funcionários a trancar as portas, silenciar os telefones e seguir o protocolo “Corra, Esconda-se, Lute” (Run, Hide, Fight).

Imagens de vídeo segurança mostraram o atirador de costas, a sair do edifício pela porta da Hope Street e afastar-se caminhando na rua.

Cerca de 400 agentes das polícias locais e estadual, bem como elementos do FBI e da agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF), colaboram na investigação.

Ao começo da madrugada foi detido um indivíduo de 24 anos no hotel Hampton Inn, em Coventry, localidade nos arredores de Providence, mas viria a ser libertado um dia depois por falta de provas e os investigadores continuam à procura do atirador, do qual se sabe apenas ser um “homem vestido de preto”.

Com o ataque na Brown elevam-se a 210 os tiroteios em escolas nos EUA durante 2025, dos quais 18 com vítimas. Ainda assim, 2025 é o ano mais baixo em duas décadas nos incidentes de violência armada em escolas dos EUA.

Embora o número total de tiroteios em escolas tenha diminuído em 2025, cada caso afetou muitas vidas pois o impacto total de um tiroteio vai sempre para além das vidas perdidas e das despesas médicas, com traumas que podem afetar muitas pessoas a longo prazo.

O incidente mais mortífero num edifício escolar em 2025 ocorreu a 27 de agosto na Annunciation Catholic School em Minneapolis, onde um antigo aluno abriu fogo durante uma missa matinal, matando duas crianças e ferindo outras 29 pessoas. O atirador tinha um historial de problemas de saúde mental.

A 15 de abril, na Wilmer-Hutchins High School, em Dallas, um aluno de uma escola secundária em Dallas abriu fogo atingindo outros quatro alunos. Este ataque destaca-se por várias razões: primeiro, porque a escola já tinha sofrido um tiroteio no ano anterior e, segundo, porque a escola adotou várias medidas de segurança para prevenir incidentes do género como a instalação de detetores de metais na entrada principal e a exigência do uso de mochilas transparentes por parte dos alunos, e que não resultaram.

O terceiro incidente foi a 10 de outubro na Escola Secundária de Heidelberg, no Mississippi, onde três pessoas foram mortas num tiroteio durante um jogo de futebol americano. Vários adolescentes foram acusados do ataque.

Em resposta aos tiroteios nas escolas, as comunidades defendem sempre uma maior segurança e exigiram leis de controlo de armas mais rigorosas, mas nada muda.

A violência armada nos Estados Unidos é completamente absurda. É inacreditável como os americanos estão insensíveis perante números de violência armada desproporcionais. Estima-se que os civis possuam 393 milhões de armas de fogo, e que 35% a 42% das famílias no país tenham pelo menos uma arma. Per capita, são 120,5 armas para cada 100 pessoas. E o problema é que muitas dessas armas estão nas mãos de quem não as devia ter.

Em 24 de maio de 2022, Salvador Rolando Ramos, 18 anos, matou a avó e foi depois matar 19 alunos e dois professores na Robb Elementary School em Uvalde, no Texas, acabando por ser abatido pela polícia. Ramos tinha feito 18 anos dia 16 de maio e nesse mesmo dia entrou numa loja de Uvalde e comprou duas carabinas semiautomáticas.

Por incrível que pareça, no Texas e outros estados é mais fácil um menor comprar uma pistola do que uma cerveja.

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A árvore de Natal de Boston

O Natal em Boston converte a cidade num paraíso festivo de luzes, decorações espetaculares, música e muita alegria. No Columbus Park podem-se ver 50.000 deslumbrantes lâmpadas a cintilar nas árvores. Pode-se também assistir ao bailado “O Quebra-Nozes” no Symphony Hall ou ouvir os cantores natalícios de rua que tornam o Natal em Boston tão especial. Ou simplesmente podem-se ver as várias árvores de Natal de Boston.

Essas árvores erguem-se no Boston Common, no Faneuil Hall Marketplace, Copley Square, Seaport e perto do Macy’s no Downtown Crossing, bem como muitas outras em lojas, lobbies de hotéis e restaurantes.

Mas a árvore de Natal de que os bostonianos se orgulham está no Boston Common, tem uma longa história, é um presente anual do povo da Nova Escócia, no Canadá.

Na manhã de 6 de dezembro de 1917, o navio cargueiro francês SS Mount Blanc, carregado com explosivos, colidiu com o navio norueguês SS Imo na baia de Halifax e detonou. A explosão provocou 1.782 mortos, e cerca de 9.000 feridos, e destruiu grande parte da cidade.

As linhas de comunicação foram destruídas, mas a notícia do desastre chegou a Boston e o governador de Massachusetts, Samuel McCall, e o mayor de Boston, James Michael Curley, organizaram rapidamente uma resposta de socorro.

Um comboio carregado com médicos, enfermeiros e suprimentos médicos partiu de Boston na noite do mesmo dia da explosão, correndo através de um nevão para chegar a Halifax o mais rápido possível.

As equipas de Boston foram fundamentais para aliviar o sobrecarregado pessoal médico de Halifax e fornecer cuidados essenciais aos milhares de feridos.

Além da ajuda médica, o estado de Massachusetts doou mais de $750.000 (equivalente a mais de 15 milhões de dólares hoje) para os esforços de reabilitação.

Em sinal de gratidão por esta ajuda vital, a província da Nova Escócia (onde Halifax está localizada) envia anualmente uma grande árvore de Natal para Boston. A tradição começou em 1918, anos depois foi suspensa e foi retomada oficialmente em 1971 pela província da Nova Escócia celebrando a história e convertendo-se num símbolo de amizade e gratidão.

A árvore deste ano (um abeto branco de 13,7 metros) doado por Ronald e Claire Feener, do condado de Lunenburg, Nova Escócia, chegou a Boston a 18 de novembro de 2025 transportada por um camião e faz parte de um gesto simbólico dos canadianos para fortalecer os laços entre os Estados Unidos e o Canadá, mesmo no meio de algumas tensões políticas provocadas por Trump a afirmar que o Canadá deveria ser o 51º estado dos Estados Unidos.

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Eggnog com vinho da Madeira

O eggnog é uma bebida cremosa e doce muito tradicional nas festas de fim de ano nos Estados Unidos, é fácil de fazer, pode ser servida quente ou gelada e com ou sem álcool.

É feito aquecendo leite e creme com especiarias (noz-moscada, canela), misturando gemas batidas com açúcar até formar um creme, combinando os dois, cozinhando em fogo baixo até engrossar (sem ferver), e adicionando álcool (rum, conhaque, uísque) e baunilha, servindo quente ou gelado, geralmente com chantilly e mais noz-moscada por cima, sendo essencial não cozinhar demais as gemas.

O eggnog tem origem no posset, uma bebida britânica medieval, uma mistura quente e leitosa geralmente feita com cerveja ou vinho e especiarias.

No século XIII, os monges acrescentaram ovos e figos ao posset, criando uma versão inicial e aromática do eggnog.

À medida que ingredientes como o leite, os ovos e o vinho se tornaram caros, o posset tornou-se uma bebida para os ricos na Grã Bretanha medieval, frequentemente utilizada em brindes.

Com o início da colonização da América do Norte, o posset foi trazido pelos colonos ingleses e começou a tornar-se uma tradição natalícia nas colónias americanas por volta de 1700, onde o rum foi substituído pelo xerez e outras bebidas alcoólicas mais caras, caso do vinho Madeira, ao tempo largamente consumido nas colónias britânicas.

O termo eggnog veio provavelmente da palavra escocesa noggin, que significa caneca, ou das cervejas fortes chamadas nog.

A natureza forte e alcoólica da bebida é lendária, sendo um exemplo famoso a Revolta do Eggnog de West Point em 1826, que foi desencadeada pela proibição do álcool no campus durante o Natal.

 

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