Dinis L. Pimentel é um profissional sénior na área dos sistemas prediais e energia, com mais de 25 anos de experiência na promoção do desempenho das infraestruturas, da eficiência energética, dos sistemas de segurança de vida e do conforto dos ocupantes.
Trabalha em Tecnologias de Sistemas Prediais desde 1999 e integra a equipa da Siemens Industry, Inc. desde 2004, onde tem prestado apoio a instalações complexas e a iniciativas de modernização em grande escala, tanto no setor público como no privado.
Natural de Hudson, Massachusetts, Dinis obteve o seu grau de Bacharel em Ciências pelo Worcester Polytechnic Institute e concluiu a sua formação no programa ROTC da Marinha (Navy ROTC) no College of the Holy Cross.
Serviu no ativo da Marinha dos Estados Unidos como Oficial de Submarinos, de 1992 a 1999. Posteriormente, obteve o grau de Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica pelo Rensselaer Polytechnic Institute.
Paralelamente à sua carreira civil, Dinis ocupou cargos de alta liderança na Reserva da Marinha dos EUA, desempenhando funções operacionais, de planeamento estratégico e de nível executivo nos Estados Unidos, na Europa, na América do Sul e na Ásia.
As suas responsabilidades incluíram a direção de avaliações operacionais multinacionais, a liderança de organizações de planeamento de operações atuais e futuras, a supervisão de unidades de proteção de força e de operações submarinas, a gestão de funções logísticas e de planeamento de recursos a nível institucional, e o apoio a missões conjuntas e internacionais.
O seu serviço incluiu a mobilização no Iraque em apoio de operações de contingência, bem como funções de liderança na resposta a crises e na coordenação de esforços de resgate submarino — incluindo as operações de Busca e Salvamento do submarino ARA San Juan.
“Sou natural de Hudson, MA e fui crescendo nesse ambiente de costumes e tradições portuguesas, muito por influência do meu tio Arturo, irmão da minha mãe, que envolvia-se em várias organizações lusas da região, a cantar folias em festas e outras tradições religiosas junto da igreja de São Miguel”, começou por dizer ao PT, Dinis Pimentel, filho de pais açorianos: o pai é natural das Capelas, São Miguel e a mãe nasceu em São Lourenço, Santa Maria. “Eu e a minha família mantemos um contacto permanente com os Açores com visitas frequentes anuais e tanto eu como a família, adoramos Santa Maria e São Miguel, terra dos nossos pais e avós”, reforça Pimentel.
“Desde muito novo, ainda nos meus tempos de liceu em Marlboro, que me interessei por Ciência e Tecnologia mas confesso que não foi fácil devido aos altos custos do ensino, mas com o apoio dos meus pais, consegui concretizar esse sonho e mais tarde, já a estudar ciência nuclear, consegui contactar a Marinha (Navy) e perante o interesse da minha parte em engenharia nuclear e submarinos consegui, através desse contacto, uma bolsa de estudo e mais tarde trabalhar num submarino”, refere Pimentel, que à pergunta de como é um dia normal a navegar dentro de um submarino, esclarece: “É como ir num avião: é tudo muito calmo. Num avião voas no espaço e num submarino flutuas tranquilamente no oceano, se bem que poderia ser também um oficial nuclear a bordo de um porta-aviões mas estar a bordo de um submarino é para mim tão calmo e agradável como estar em casa, e sei bem que algumas pessoas sofrem de claustrofobia, mas obviamente que não é o meu caso e depois há também outro elemento que me fascina: num submarino ninguém sabe onde estás, se no Oceano Atlântico, no Pacífico ou no Índico, mas nós, tripulação, sabemos onde estamos… É sem dúvida um trabalho extraordinário”, sublinha Dinis Pimentel, já reformado, e reforçando a ideia de que adorou essa fase da sua vida.
À pergunta sobre o número de tripulação que integra um submarino, Dinis Pimentel explica:
“Isso depende do tipo de submarino… Os submarinos são classificados principalmente com base na sua missão e propulsão, incluindo submarinos nucleares de mísseis balísticos (SSBN) para dissuasão, submarinos nucleares de ataque (SSN) para guerra antissubmarina e antinavio, submarinos de mísseis guiados (SSGN) para ataques de precisão (não temos SSK). O submarino em que estive integrado era um submarino de ataque com cerca de 130-140 tripulantes, e com este número de pessoas podemos lutar a um nível muito elevado, 24 horas por dia, ao passo que num outro tipo de submarino, como o balístico (SSBN), com 150-160 tripulantes, porque, para além de ser equipado como um submarino normal, os submarinos balísticos são projetados especificamente para transportar e lançar mísseis balísticos intercontinentais com ogivas nucleares, agindo como um pilar de dissuasão estratégica”, explica Dinis Pimentel.
Já alguma vez enfrentou uma situação perigosa, de vida ou de morte?
O nosso entrevistado adianta: “A força e energia do mar foi um perigo que enfrentei, porque o mar exige respeito da nossa parte e já naveguei em mares de todas as latitudes e geografias e até mesmo no Ártico, região polar no extremo norte da Terra, onde para além da pressão da água há que lidar com o gelo e isso implica cuidados redobrados… Devo ainda salientar que cada submarinista no desempenho da sua missão usa um distintivo (“Dolphins”) no seu uniforme indicando o seu nível de qualificação, o que chamamos de submarinistas qualificados, o que significa que aprendeu a proteger os seus marinheiros e tripulantes em qualquer tipo de situação de perigo, nomeadamente na ocorrência de um incêndio ou inundação”, afirma
Após cinco anos a apoiar o programa de comissionamento do navio, Dinis fundou a USS Massachusetts Commissioning Foundation, da qual é o presidente do Conselho de Administração.
De referir que a Fundação dedica-se a servir a tripulação e as famílias do submarino USS Massachusetts, bem como fortalecer os laços duradouros entre a comunidade de submarinistas e a Commonwealth de Massachusetts.
“Através de parcerias estratégicas com universidades, instituições de investigação, líderes da indústria e organizações cívicas, a Fundação promove programas que apoiam a educação, o desenvolvimento profissional e o envolvimento comunitário”, sublinha o lusodescendente.
No passado dia 28 de março, a organização foi responsável das celebrações de comissionamento em Boston, na inauguração de um novo submarino, o USS Massachusetts (SSN 798).
No seu discurso, o capitão Dinis L. Pimentel disse:
“… Hoje, vocês dão vida ao mais recente submarino da nossa nação — um símbolo notável de excelência tecnológica, força e propósito. Ao fazê-lo, honrais um orgulhoso legado de serviço, sacrifício e coragem, ao lado da Madrinha do Navio, cuja dedicação e apoio têm sido uma força orientadora para dar vida a esta embarcação…
Este dia também pertence às vossas famílias — àqueles que esperaram, apoiaram e se mantiveram firmes enquanto davam o vosso melhor à missão. Elas são a força silenciosa por detrás do vosso serviço. Aos pais, cônjuges, filhos, companheiros e amigos: temos para convosco uma profunda dívida de gratidão; hoje é o vosso dia também…
O vosso Comité de Comissionamento continuará a permanecer ao vosso lado e das vossas famílias. Onde quer que o USS Massachusetts navegue, saibam que levam consigo o nosso inabalável orgulho, respeito e gratidão. É uma honra para nós estarmos ao vosso lado”, teceu, a traços gerais, Dinis L. Pimentel, Capitão da USN (Veterano), presidente do Conselho de Administração da USS Massachusetts Commissioning Foundation.





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