Cortiça portuguesa na proteção da nave Artemis II

by | Apr 15, 2026 | Cultura, Notícias das comunidades

 

A missão Artemis II – o primeiro voo tripulado até à Lua em mais de 50 anos – durou dez dias e terminou dia 11 de abril de 2026. A cápsula Orion com quatro astronautas amarou no Oceano Pacífico, ao largo de San Diego, pelas 17h07 (hora da Califórnia) e precisamente nesse momento a empresa portuguesa Corticeira Amorim anunciou em comunicado que a cortiça portuguesa voltara a participar numa missão da NASA integrada no sistema de proteção térmica da nave.

Fundada em 1870, em Mozelos, Santa Maria da Feira, sendo atualmente liderada pela quarta geração da família Amorim, a Corticeira Amorim é o maior grupo de transformação de cortiça do mundo, com exportações para mais de 100 países.

A empresa produz por dia mais de 40 milhões de rolhas, mas nem só de rolhas vive a Corticeira Amorim, e disponibiliza também um conjunto de soluções, materiais e artigos para as indústrias aeroespacial, automóvel, construção, desporto, energia e arquitetura através da Amorim Cork Solutions, de que Eduardo Soares é diretor da inovação.

Materiais de cortiça são aplicados em comboios, aviões e navios, aproveitando as suas propriedades de isolamento e leveza. No caso aeroespacial, depois de ter sido utilizada na missão Artemis I, um voo espacial de 16 de novembro a 11 de dezembro de 2022, a cortiça da Amorim voltou a contribuir de forma determinante para a missão Artemis II integrada no sistema de proteção térmica da nave.

Atuando como material isolante, a cortiça protege estruturas críticas em vários componentes sujeitos a temperaturas extremas durante o voo. Mas longe das suas aplicações tradicionais, a cortiça utilizada na indústria aeroespacial é transformada num processo de engenharia altamente especializado conhecido no setor como P50, conduzido por uma equipa técnica qualificada e por sistemas rigorosos de controlo de qualidade.

A cortiça contribui com várias propriedades essenciais para uma missão espacial desde o isolamento térmico em condições de calor extremo, absorção de energia sob esforço mecânico, flexibilidade para adaptação a geometrias complexas e desta forma a cortiça é uma espécie de ‘escudo’ que reforça a resistência térmica da nave.

O CEO da Corticeira Amorim, António Rios de Amorim, congratula-se pela escolha da NASA e destaca que a preferência mostra a “fiabilidade” da cortiça portuguesa.

“No setor aeroespacial, a continuidade não é assumida – é conquistada através do desempenho”, afirma António Rios de Amorim no seu comunicado.

“O futuro da engenharia de alta performance dependerá cada vez mais de materiais inspirados na natureza e se a cortiça consegue responder num ambiente tão complexo e tecnologicamente exigente como o espaço, tem potencial para responder a desafios em praticamente qualquer indústria”.

 

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