Cidadãos portugueses no estrangeiro, problemas com Trump e tempo instável em Portugal e Fall River.

by | Feb 18, 2026 | Expressamendes

 

É preciso facilitar o voto dos portugueses no estrangeiro

Realizou-se dia 8 de fevereiro a segunda volta das eleições presidenciais em Portugal e o socialista António José Seguro foi eleito com 3.482.481 votos (66,8%), cerca de dois terços dos votos expressos, enquanto o seu oponente André Ventura teve 1.729.471 (33,2%) e saiu derrotado por grande margem no território nacional, mas teve a maioria de votos na diáspora portuguesa.

Seguro foi o político português mais votado de sempre, com 3,4 milhões de votos (mais do que Mário Soares na reeleição em 1991), mas se contassem apenas os votos dos emigrantes portugueses quem teria sido eleito era Ventura, líder do partido de extrema-direita Chega e não deixa de ser curioso o apoio recebido dos emigrantes uma vez que se trata de um político que contesta a emigração.

Seguro foi o mais votado no Reino Unido (mais de 70%), Alemanha, Espanha, Países Baixos, Bélgica e países nórdicos, mas onde houve poucos votos, enquanto Ventura foi mais forte nos três países onde os portugueses emigrados mais votaram: Suiça, França e Brasil.

Na Suiça, Ventura somou 71,85% e Seguro 28,15%. Em França, Ventura teve 60,40% e Seguro 18,72%. Quanto ao Brasil, onde Ventura já tinha sido o mais votado na primeira volta, voltou a ser vencedor na segunda volta com 58,73% (4.269 votos) contra 41,27% de Seguro (3.000 votos).

Nos Estados Unidos, segundo informações de Lisboa que não incluiram New Bedford, Ventura teve 459 votos e Seguro 199 em Newark; Ventura 150 votos e Seguro 144 em Washington DC e Ventura 30 votos e Seguro 33 em Providence.

Nos restantes consulados dos Estados Unidos, Seguro levou a melhor. Em New York, Seguro teve 178 votos e Ventura 130. Em San Francisco, Seguro teve 120 votos e Ventura 17. Em Boston, Seguro teve 119 votos e Ventura 27.

Ventura recebeu 42.788 votos dos emigrantes e Seguro 41.422, como tal, se apenas contasse a votação dos emigrantes, o futuro chefe de Estado português seria André Ventura.

⁠          Alguns jornais portugueses falaram numa viragem esmagadora da emigração portuguesa para a extrema-direita, mas não se pode pensar nisso uma vez que Ventura teve pouco mais de 42.000 votos, número reduzido se considerarmos que havia inscritos 1.777.019 eleitores emigrantes e a grande maioria não votou.

Só desde 2006 é que os emigrantes portugueses votam nas presidenciais, com voto presencial em urna nos consulados e embaixadas, e nesse ano o número de potenciais votantes disparou de 187.109 inscritos para quase dez vezes mais.

Acontece, porém, que os emigrantes não podem votar à distância nas presidenciais, a lei não permite. A eleição do presidente da República está consagrada numa lei de 1976 que determina que o voto presidencial dos emigrantes é exercido presencialmente nas embaixadas e consulados portugueses. Não há voto por correspondência, nem voto eletrónico. E é esse problema que a Comissão Nacional de Eleições tem de resolver se quer que os emigrantes participem na eleição do presidente da República.

As pessoas têm de se deslocar aos consulados para votar e isso nem sempre é fácil para milhares de portugueses, que têm de fazer vários quilómetros de viagem entre a sua residência e o serviço consular mais próximo.

É o caso da Califórnia, onde um português morador em Los Angeles tem de se deslocar a San Francisco e percorrer 1.230 quilómetros para votar. Ou se morar em Chicago terá de ir votar em Washington, distante 956 quilómetros.

O problema é generalizado. Na Noruega, houve quem tivesse de viajar 1.700 quilómetros até Oslo para votar nas presidenciais. Os portugueses moradores em Hong Kong tiveram de votar a Macau e os que vivem no Sri Lanka tiveram de ir a Goa.

Daí que a abstenção tenha sido este ano 95,22%, estavam inscritos 1.758.753 eleitores e 1.674.858 não votaram.

Portanto, este ano votaram pouco mais de 100 mil e o cenário repete-se eleição após eleição. Em 2006, votaram apenas 18.840 (10% do total). Em 2016, a abstenção situou-se nos 95,3%. Em 2011 nos 94,5% e em 2021 a afluência mais baixa de sempre (1,9%) e a abstenção atingiu 98,1%.

Em 2026, no consulado de Estrasburgo, em França, votaram 451 dos 22.356 eleitores inscritos; no consulado de Estugarda, na Alemanha, votaram 1.310 dos 31.103 inscritos; na embaixada de Bruxelas, na Bélgica, votaram 2.818 dos 20.902 inscritos; no Luxemburgo votaram 4.398 dos 41.610 inscritos e em Espanha votaram 3.347 dos 52.548 eleitores inscritos.

Não é preciso nenhum phd para concluir que o voto presencial dos emigrantes não faz sentido. O presidente Marcelo Rebelo de Sousa já disse que “impede que milhares de portugueses exerçam o seu direito” e adiantou que “há que pensar no voto por correspondência para os emigrantes”.

Pelos vistos, todos estão de acordo e, sendo assim, estão à espera de quê para uma simples medida que é uniformizar o sistema de voto dos emigrantes com a admissão de voto postal em todas as eleições?


 

Homenagens a Trump são problemáticas

As homenagens a Donald Trump, incluindo estátuas ou renomeação de locais, enfrentam resistência devido ao seu histórico polarizador, impeachments da Câmara dos Representantes (duas vezes) e políticas controversas. Críticos destacam as acusações de abuso sexual (feitas por 27 mulheres), tentativas de subverter eleições, retórica contra emigrantes e o encerramento do prestigiado John F. Kennedy Center for the Performing Arts, que resolveu chamar Donald J. Trump and The John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts. Estas ações impedem um consenso sobre a exaltação de Donald Trump.

Uma congressista republicana da Flórida, Anna Paulina Luna, apresentou uma proposta oficial para acrescentar a cara de Trump ao Monte Rushmore, mas não teve seguimento.

O Monte Rushmore foi obra do escultor Gutzon Borglum. É uma formação rochosa no estado do Dakota do Sul que tem esculpidas as caras de quatro antigos presidentes: George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln e, na parte de trás, em homenagem aos índios nativos, a cara de um índio.

Ao longo dos anos, houve tentativas para adicionar outros presidentes, como Ronald Reagan e Franklin D. Roosevelt, mas o Serviço Nacional de Parques diz que já não cabem mais caras devido a restrições geológicas da rocha.

Outra alternativa é dar o nome de Trump a um aeroporto, resta saber qual, uma vez que na cidade de Washington os três aeroportos já têm nome: Ronald Reagan National Airport, Dulles International Airport e Thurgood Marshall International Airport.

Em New York, os cinco principais aeroportos que servem a cidade também já têm nome: John F. Kennedy International Airport, LaGuardia Airport, Mac Arthur Airport, Stewart International Airport e Newark Liberty International Airport. A única alternativa é o Manhattan Regional Airport, um pequeno aeroporto de voos domésticos que deverá não ser do agrado de Trump.

Por essas e por outras, o Partido Republicano parece preferir a proposta do congressista republicano Brandon Gill de substituir Benjamin Franklin pela cara de Donald Trump nas notas de 100 dólares.

Mas entretanto a Casa Branca informou que pensa emitir uma nova nota de um dólar com a cara de Trump para comemorar o 250º aniversário dos Estados Unidos.


 

Trump bombo da festa

Os apresentadores dos talk shows noturnos da TV nos EUA converteram Donald Trump em bombo da festa, mas as piadas sobre Trump no primeiro mandato presidencial costumavam ser engraçadas, no segundo mandato não têm tanta graça e criam demasiados problemas. Os humoristas da TV estão a tentar atirar Trump para debaixo do autocarro e afinal ele é que é o autocarro…


 

O inventor do avião foi americano ou brasileiro?

Para os norte-americanos, os inventores do avião são os irmãos Orville e Wilbur Wright, mas os brasileiros não concordam e consideram que o inventor é um dos seus heróis mais queridos, Alberto Santos Dumont.

A 12 de novembro de 1906, Santos Dumont voou 220 metros nos arredores de Paris, num pequeno aparelho que parecia um cometa de asas retangulares a que chamou 14-bis.

Foi o primeiro voo público de que há notícia e o brasileiro tornou-se conhecido na Europa como inventor do avião.

Só mais tarde os irmãos Wright reivindicaram serem pioneiros alegando que tinham realizado um voo em Kitty Hawk, Carolina do Norte, a 17 de dezembro de 1903, três anos antes de Dumont, mas para os brasileiros é uma das maiores fraudes da história.

Os brasileiros alegam que os Wright não cumpriram os parâmetros fixados na época para um voo e lançaram o seu aparelho no espaço com ajuda de uma catapulta.

Os americanos contrapõem que, quando Santos Dumont fez o primeiro voo, já os Wright tinham voado várias vezes, incluindo uma vez em que percorreram 39 quilómetros em 40 minutos.

Voar foi um grande passo para a história da humanidade e cada país reivindica a liderança. Os franceses, por exemplo dizem que Clement Sader é o inventor do avião, tendo voado antes dos Wright e de Santos Dumont, no dia 9 de outubro de 1890, nos arredores de Paris.

E os portugueses também podem orgulhar-se do seu pioneiro da aviação, o padre Bartolomeu de Gusmão que, a 3 de outubro de 1709, apresentou na Casa da Índia, em Lisboa, a sua Passarola, um aeróstato (balão de ar quente) apresentado como “máquina de se andar pelo ar”, dois séculos antes dos Wright e de Dumont.


 

Neve em Fall River

A neve nas ruas é um sério problema, dificulta as deslocações, as estradas ficam extremamente escorregadias devido ao gelo (o chamado black ice) e o risco de acidentes é elevado tanto para motoristas como para transeuntes.

Em Fall River, já passaram três semanas desde que um nevão despejou quase meio metro de neve na região, a cidade continua coberta de neve e as preocupações chegaram ao City Hall, onde o recém-eleito conselheiro municipal Michael Canuel pretende promover uma reunião para avaliar o equipamento municipal para remoção da neve.

Na verdade, Fall River tem uma velha máquina para remover a neve, é a Primavera.


Portugal seco & molhado

O querido Portugal tem um grave problema: no inverno chove demasiado e os rios inundam povoações; no verão chove de menos e a seca e os incêndios florestais destroem os campos. As crises do seco e do molhado motivam a constante presença do sr. presidente e do sr. primeiro-ministro na televisão anunciando medidas que, pelos vistos, não resultam, uma vez que os problemas continuam.

 

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