Banda Nossa Senhora do Rosário em Providence, com 45 anos de presidência de Gilberto Paiva nos 57 anos de existência da banda

by | Mar 11, 2026 | Eventos Comunitários

 

E começamos com uma curiosidade:  A banda de Nossa Senhora do Rosário foi fundada quando o padre Luís Diogo era pároco no Rosário, tio e padrinho do empresário Luís Mateus, que por sua vez era familiar do tenente José Francisco Dias, primeiro maestro da banda, e familiar de José Soares, maestro da Banda Nossa Senhora da Conceição Mosteirense de Fall River.

Gilberto Paiva é uma figura incontornável no campo das bandas de música portuguesas. Paroquiano da igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Foi à sombra daquela igreja centenária que fundou a Banda de Nossa Senhora do Rosário, juntamente com Miguel Torres e José Cordeiro (este já falecido).

Mas seria Gilberto Paiva que assumiria a presidência de 45 anos consecutivos de presidência da banda de Nossa Senhora do Rosário.

“Rodeado de grande entusiasmo inaugurei a primeira sede e por motivos de requalificação da área no India Point, onde se encontrava, foi demolida. (Em foto inserida nesta reportagem, temos a inauguração da primeira sede na India Point)”.

Não podemos esquecer que a banda foi fundada em 1968 na igreja de Nossa Senhora do Rosário, quando ali desempenhava as funções sacerdotais, o padre Luís Diogo. Dei início à banda com Miguel Torres e José Cordeiro”. E é o mesmo Gilberto Paiva, deixando transparecer um entusiasmo invulgar, que acrescenta:

“Ver a banda atingir os 57 anos é uma satisfação desmedida, para quem a viu nascer. Não foi uma tarefa fácil, mas chegar-se a este ponto é o resultado de uma grande dedicação”.

A digressão aos Açores é uma meta que todas as bandas gostam de concretizar. E a banda de Nossa Senhora teve honras de desfilar na procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Ponta Delgada, numa digressão preparada por Gilberto Paiva.

“Assumi a responsabilidade de levar a banda aos Açores em 1973. O mestre era Manuel Remígio Fernandes. A banda tinha cinco anos e estivemos uma semana em São Miguel. Foi uma visita memorável e a confirmação de uma grande banda a desfilar entre as melhores existentes pelos Açores.

Voltamos em 1990 em mais uma memorável digressão. Foram duas semanas com concertos em Vila Franca do Campo e Ribeira Grande. Mas as digressões não finalizaram e regressamos em 2005. De novo a Vila Franca e Ribeira Grande. Tal como o Portuguese Times, noticiou todas as digressões, foram sob a minha presidência”.

É este Gilberto Paiva, que com todo o todo o mérito foi 45 anos presidente dos 57 anos de existência da banda de Nossa Senhora do Rosário. É atualmente o gerente de um projeto que fundou e que levou ao mais altos pontos da sua existência, que lhe proporcionou bons e “não tão bons” momentos. “Recordo aquando da formação da banda, aparecerem músicos, mas sem instrumentos, mas com vontade de querer fazer parte do projeto. Nós com os fracos recursos que tinhamos ajudávamos na aquisição dos instrumentos. Chegávamos a arranjar casa e trabalho. 

A “coisa menos boa” foi sair da sede da India Point. Trabalhamos muito para aquela sociedade. E havia uma grande ligação sentimental”, concluiu Gilberto Paiva, que foi até hoje o presidente mais concretizador daquela banda. Não obstante as atitudes pouco simpáticas de que foi alvo, nunca esqueceu a Banda de Nossa Senhora do Rosário, que viu festejar 56 anos de vida, com 43 anos sob a sua presidência e porque não dizê-lo, uma presidência de grandes sucessos.

 

“Isto não parece uma banda, parece um piano, tal é a afinação dos seus elementos”

– Miguel Torres, fraseando as palavras do mestre de cerimónias, num concerto em Bristol 

 

PT ouviu Miguel Torres, que, com Gilberto Paiva e José Cordeiro (já falecido) assumiu a fundação da banda. “Nunca me passou pela ideia, quando assumimos a responsabilidade de formar a banda, que não obstante todo o entusiasmo esta atingisse os 56 anos e com possibilidades de continuação. Começou-se, como que, por uma brincadeira. Mas a finalidade, foi tirar os jovens da rua. E conseguimos. Não foi uma tarefa fácil. Mas quando se consegue contaminar o jovem com o “bichinho” da música, este fica para sempre”.

Mas a banda precisa de um regente que a ensaie no salão e acompanhe nos desfiles. “Na altura residia em East Providence o tenente José Dias, que havia sido regente na Banda Militar em Ponta Delgada. Foi professor de música  e maestro. Passado um ano, precisamente em dezembro de 1968, demos o primeiro concerto no salão paroquial de Nossa Senhora do Rosário. Tinhamos apenas 18 músicos, mas foi o princípio de um grande sucesso. Em 1969 fomos dar um concerto a Bristol. Embora o repertório fosse curto, mereceu do mestre de cerimónias um curioso comentário: “Isto não parece uma banda, parece um piano, tal é a afinação dos seus elementos”. Nós começámos. Deu-se-lhe continuidade. E agora é manter para mais 50 anos”, concluiu Torres. “Estamos a ensaiar para poder fazer as procissões de São Francisco Xavier, Centro Cultural Santa Maria, Nossa Senhora do Rosário, Irmandade do Pico, Parada do Dia de Portugal, Clube Teófilo Braga, Espírito Santo do Rosário, Grandes Festas em Fall River. Foi esta a razão fundamental da criação da Banda e de todas as bandas”, disse Gilberto Paiva.

 

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