O meu primeiro Natal e primeiro Ano Novo nos Estados Unidos foi em 1973 na cidade de New York. Tinha acabado de chegar de visita e tencionando regressar a Angola, onde vivia há dez anos e a vida não me corria mal, mas a inesperada oferta de emprego no Portuguese Times, que então se publicava em Newark, New Jersey, levou-me a ficar em New York.
Recebi nessa altura carta dos patrões angolanos (o Rádio Clube do Uige na cidade de Carmona, hoje Uige), convidando-me a regressar a uma Angola independente, mas optei pelos Estados Unidos e por isso não fiz parte do lote dos portugueses que passaram pelo mau bocado do fim do império colonial, os chamados “retornados”.
Mas aqueles primeiros meses em New York permitiram-me conhecer um pouco a cidade. Morava no Greenwich Village, um bairro muito caminhável que mistura história, cultura e arte.
Morava na Rua 3, não muito longe do histórico Village Vanguard, o mais antigo clube de jazz de New York, na 7ª Avenida, e do Washington Square Park com o seu famoso arco do triunfo inspirado no Arco do Triunfo de Paris e cuja história é curiosa. Um arco de madeira foi erguido em 1889 para celebrar o centenário da tomada de posse do primeiro presidente, George Washington, em 1789, em New York. Toda a gente gostou e foi decidido construir um arco permanente em mármore inaugurado em 1895.
New York é isto, quanto mais a gente conhece, mais coisas ficam para conhecer e uma das minhas descobertas em 1973 foi a passagem de ano na Times Square e a famosa ball drop.
O atual escritório principal do New York Times fica num arranha-céus de 52 andares no 620 da 8ª Avenida, perto da Times Square, mas até 2007 a redação e os escritórios do jornal estiveram numa praça conhecida como Long Acre Square e que em abril de 1904 passou a chamar-se Times Square. A bola da Times Square desceu pela primeira vez em 1907 celebrando a passagem de ano graças a um entendimento entre Adolph Ochs, editor do jornal, e um jovem metalúrgico imigrante ucraniano chamado Jacob Starr que construiu uma bola de 318 quilos, com 1,5 metros de diâmetro, feita de ferro e madeira e com 100 lâmpadas de 25 watts.
No ano passado, foi revelado que a Constellation Ball, a sétima e mais recente versão da bola é uma deslumbrante esfera de cristal que mede 3,8 metros de diâmetro, pesa 5.400 quilos e é composta por mais de 32.000 lâmpadas LED que criam o efeito de um caleidoscópio.
Os únicos anos em que não houve descida da bola foram 1942 e 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, quando New York instituiu um “apagão” noturno durante a Segunda Guerra Mundial para se proteger dos ataques nazis.
A bola luminosa desce pela fachada do One Times Square, um arranha-céus com 111 metros de altura e 25 andares nos últimos 60 segundos do ano. Quando o show acaba é lançado confettis sobre a multidão que enche a praça.
Por sinal, este ano e pela primeira vez, depois da bola de cristal descer na véspera de Ano Novo, voltará a subir brilhando em vermelho, branco e azul para saudar a chegada de 2026 e dar início a meses de celebrações do 250º aniversário dos Estados Unidos.
Milhões de pessoas em todo o mundo vêm a descida da bola pela televisão, consideram isso motivador e inspirador, e a Times Square espera este ano um milhão de pessoas, mas posso garantir que na vida real não é tão inspirador como na televisão.
Primeiramente, como é inverno, faz muito frio em New York, quase sempre abaixo de zero, e para conseguir um bom lugar as pessoas precisam chegar muitas horas antes do evento e esperar longas horas ao frio e ainda por cima sem banheiros por perto.
Por isso a passagem do ano na Times Square é mais um teste de resistência do que uma celebração do réveillon.
Passei a noite em Times Square em 1973 e nunca mais repeti, embora tenha sido realmente uma noite inesquecível, mas devido a outro episódio.
Depois da descida da bola, a Times Square fica despovoada em 15 minutos, as pessoas mortas de frio arrancam para casa ou para os hotéis e vi-me sozinho a caminhar em direção ao Village. Não se via ninguém na rua e raramente passavam carros.
Como sabem, New York é uma cidade violenta, todos os dias há homicídios e são assaltadas milhares de pessoas. Pensava precisamente nisso e acelerei o passo quando de repente um preto enorme, com dois metros ou mais de altura, saiu de um portal, atravessou a rua e correu para mim.
Fiquei apavorado temendo ser assaltado e tentei fugir, mas o latagão agarrou-me pelo braço. Só que, em vez de me agredir, o tipo abriu-se num enorme sorriso e desejou-me um cordial “Happy New Year”. Aquele pretinho reconciliou-me definitivamente com New York.
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O ano nem sempre começou em janeiro
O Ano Novo nem sempre foi comemorado a 1 de janeiro. A origem do Ano Novo como conhecemos hoje remonta ao Império Romano, em 46 a.C., quando Júlio César implementou o Calendário Juliano. Antes disso, os romanos começavam o ano em março, em homenagem à primavera e aos deuses da guerra – Marte, o deus protetor dos soldados, Minerva, a deusa da guerra estratégica e justa, e Belona, a deusa que representava a carnificina e a destruição no campo de batalha.
César mudou tudo. Escolheu janeiro como primeiro mês do ano em homenagem a Janus, o deus romano com duas faces: uma olhando para o passado, outra para o futuro. O nome “janeiro” vem de Janus e o símbolo do Ano Novo, o relógio marcando meia-noite, é a versão moderna das duas faces de Janus.
O calendário juliano tinha um erro de 11 minutos por ano, o que, em séculos, desalinhava as estações. Como tal, em 1582, o Papa Gregório XIII criou o Calendário Gregoriano corrigindo esse erro e oficializando 1 de janeiro como início do ano civil.
A Igreja Católica adotou rapidamente o Calendário Gregoriano e, com ela, os países europeus, que começam o ano a 1 de janeiro.
Mas nem todos os povos começam o novo ano na mesma data. Israel, que segue o calendário hebraico, começa o ano de 13 a 15 de setembro de 2026, o Rosh Hashanah, com reflexão e comendo maçãs.
O calendário islâmico começa o ano novo a 17 de julho e o Ano Novo Muçulmano é recebido em silêncio e jejum. Este calendário é seguido por quase todos os países de maioria islâmica, como Arábia Saudita, Indonésia e Paquistão.
O ano novo chinês (lunar), celebrado por dois biliões de pessoas, começa a 17 de fevereiro de 2026, marcando o início do Ano do Cavalo de Fogo, e as celebrações estendem-se até ao início de fevereiro de 2027, quando termina o ciclo do Cavalo e começa o próximo ano lunar.
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2026 será um Ano Universal
A passagem de 2025 para 2026 trará um Ano Universal 1 na numerologia. Isso significa que o novo ano será regido pelo número 1, de acordo com a numerologia (2 + 0 + 2 + 6 = 10, que reduz para 1).
O vermelho é a cor simbólica de 2026, associada à vitalidade, liderança, superação e coragem para novos começos.
2026 (MMXXVI, na numeração romana), que começará numa quinta-feira, segundo o calendário gregoriano, será um ano comum do século XXI com 365 dias e visto como um período de grandes transformações e recomeços, tanto pela numerologia (Ano Universal 1, início de um novo ciclo de 9 anos) quanto pela astrologia (com trânsitos planetários significativos), com energia de renovação e novos inícios, e é marcado por previsões de temperaturas elevadas e destaque para a cor vermelha na simbologia de ano-novo para vitalidade e ação.
Será um Ano Universal 1, simbolizando um novo ciclo, recomeços, novas lideranças e ideias.
Segundo a Astrologia marcam-se grandes mudanças com Saturno em Áries, Urano em Gêmeos (revolucionando comunicação) e Plutão em Aquário (transformando o coletivo).
As previsões indicam que 2026 pode ser um dos anos mais quentes, com temperaturas acima dos níveis pré-industriais, devido ao aquecimento global.
O que é de esperar é um período para assumir o protagonismo, iniciar novos projetos e reconectar com a essência.
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Superstições de Ano Novo
Não faltam tradições curiosas sobre o Ano Novo e li algures que, numa tribo da Polinésia, o guerreiro mais audaz deve lançar a donzela mais bonita da tribo para um vulcão num sacrifício aos deuses. Mas a jornada para a cratera é longa e, se o guerreiro for suficientemente audaz e a donzela quiser deixar de o ser, já não é preciso sacrifício.
Na Colômbia, a tradição é tirar a mala do armário e sair a correr ao redor do quarteirão com a mala na mão, pois dizem que traz um monte de oportunidades de viagem no ano seguinte.
Em Itália, a tradição é atirar objetos velhos da janela – cadeiras, roupas, até móveis. É um ato simbólico de “largar o passado” e que é mantido em cidades como Bologna e Florença.
As tradições para a passagem de ano são distintas consoante o país, religião ou cultura. Mas o objetivo é o mesmo: Apontar aos desejos do novo ano e deixar para trás o ano velho.
Não faço da passagem de ano uma explosão obrigatória de alegria, mas brindo à meia-noite com o champanhe da ordem e como 12 passas na esperança de que tragam sorte, hábito a que juntei recentemente o de comer três bagos de uva e fazer um pedido para cada bago. Desisti foi de comer as sete sementes de romã para atrair riqueza. Ao preço que as romãs estão nos EUA ia à falência.
Existem muitas superstições sobre a melhor maneira de entrar no Ano Novo, a minha mulher insiste sempre em mudar os lençóis da cama, obriga-me saltar doze vezes ao pé coxinho à meia-noite, a sair de casa e entrar com o pé direito.
Aprendi também que o primeiro animal que a gente encontrar na rua no primeiro passeio de Ano Novo pode significar muita coisa: cão é sorte, gato é dinheiro e rato é saúde. Mas se virmos hienas nas ruas de New Bedford como me aconteceu há uns anos, significa estarmos perdidos de bêbados e o melhor é ir para a cama.





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