O livro “Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra – 40 anos de Açorianidade na América (1986-2026)”, organizado por nós a convite da comissão de festas, foi lançado a 28 de agosto de 2026, em Fall River, na costa leste dos Estados Unidos. Como o próprio nome indica, ele reconstitui e regista o percurso histórico de um acontecimento comunitário de caraterísticas únicas.
As Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra foram instituídas em 1986, na cidade de Fall River, por um grupo de emigrantes açorianos dos Estados de Massachusetts e Rhode Island, liderado pelo dinamizador cultural Heitor de Sousa.
Em quatro décadas, honraram sempre a mais representativa manifestação identitária do povo açoriano, sob as sucessivas presidências de José Costa, José Pacheco, Clemente Arruda, José Diogo, Clemente Anastácio, António Carvalho, Geraldo Cabral, João Amaral, José Rocha, Manuel Costa, Manuel Braga, Sidónio Simões, Fernando Garcia, José Moniz, Luís Carreiro, Joseph Silva, Duarte Carreiro, John Medeiros, Duarte Câmara, Herberto Silva e Márcia Sousa da Ponte, mobilizando dezenas de entidades com centenas de voluntários para milhares de participantes.
Quarenta anos depois, elas constituem, provavelmente, a maior concentração popular dos açorianos no mundo.
Por isso valeu a pena fazer esta viagem no tempo, a partir do arquivo histórico do jornal Portuguese Times, que culmina com as mensagens dos convidados de honra de 2026: o antigo presidente da república portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa e o atual presidente do governo açoriano José Manuel Bolieiro.
Na sua mensagem, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa escreve assim: “Fall River é símbolo da força dos Açores, da força de Portugal. Quarenta anos de celebração dessa força – que é ainda mais antiga – são sinal da unidade, da coesão, do poder da comunidade açoriana, da comunidade portuguesa. Sinal de ligação às raízes do sangue, da terra, da religião, do culto do Espírito Santo, das tradições, dos usos, das festividades, dos trajes, dos sabores dos nossos Açores, do nosso Portugal. Sinal, também, da amizade fraternal entre Portugal, os Açores e os Estados Unidos da América.”
O Presidente José Manuel Bolieiro começa assim a sua mensagem: “O Divino Espírito Santo está, e sempre esteve, presente na Devoção dos Açorianos, fazendo parte significativa da identidade do açoriano. Da açorianidade. A açorianidade está na alma de cada açoriano, seja ele residente nas nove ilhas dos Açores, ou residente na décima ilha açoriana no mundo, isto é, em vários países, onde está culturalmente instalada. A essência da mensagem do Divino Espírito Santo, que é o “hóspede discreto da alma”, é transformadora e renovadora da vida de cada Ser Humano, que reproduz sentimento de partilha e de Amor. Foi esta a inspiração na formação da identidade do Açoriano.”
Também a presidente das Grandes festas, Márcia Sousa DaPonte, deixa o seu testemunho na abertura do livro: “Ao longo de quatro décadas, estas Festas têm sido muito mais do que apenas uma celebração religiosa e cultural. Elas representam a união da nossa comunidade, a preservação das nossas raízes açorianas e portuguesas e a transmissão dos nossos valores às novas gerações. A continuidade desta herança depende de todos nós. Cada pessoa, cada família, cada gesto de colaboração e cada hora de voluntariado são fundamentais para manter viva a nossa cultura, as nossas tradições e a devoção ao Divino Espírito Santo.”
Mas o livro comemorativo do 40º aniversário das Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra conta ainda com um prefácio da autoria do diretor do jornal Portuguese Times. Francisco Resendes termina assim o seu texto – e nós, com ele, esta crónica: “Este livro será certamente uma excelente ferramenta de consulta para as gerações vindouras e um instrumento de reforço e afirmação da nossa identidade cultural e religiosa, em particular no culto ao Divino Espírito Santo, que encontra nas Grandes Festas da Nova Inglaterra, nos seus 40 anos, uma clara e inequívoca expressão de fé e devoção promovendo ideais de partilha, caridade e igualdade social de um povo que atravessou o Atlântico trazendo na bagagem todos esses valores religiosos.”
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Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores




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