Segundo os dicionários, beleza é a qualidade do que é belo, sendo o belo um conjunto de qualidades que desperta um sentimento elevado de prazer e admiração.
O belo distingue-se do bonito pela virtude que tem de agradar ao espírito. O bonito é um valor relativo: agrada à vista, isto é, apenas enche os olhos. O belo é perene. O bonito é efémero.
Nesta ordem de ideias, eu diria que o quadro “O nascimento de Vénus” de Boticelli é belo, e que a Julia Roberts é bonita…
Vem isto a propósito dos concursos de misses, incorretamente denominados concursos de beleza.
Ora, tal como o algodão a semântica não engana: a beleza é algo que eleva, não é suscetível de se manifestar em termos de competição, porque a competição rebaixa, nivelando os valores do que é belo. A beleza não é mais nem menos – a beleza é. Mais ou menos é o bonito.
Por isso, julgo que a definição apropriada ao campeonato da mulher tornada objeto não é o concurso de beleza, mas concurso de boniteza, expressão mais consentânea com a maior ou menor possibilidade que os corpos exibidos têm de satisfazer o olho que neles apostou.
Há toda uma indústria de concursos de beleza (digo, boniteza) que servem para lançar a carreira de jovens mulheres, a quem se exige que tenham corpos elegantes e sejam bonitas, equilibradas, apaixonadas, talentosas, filantrópicas e que desejem a paz no mundo…
Com fato de banho e com vestido de gala, o que interessa aos promotores é o espetáculo da valorização da beleza (digo boniteza), e só em segundo plano o intelecto das candidatas.
Num mundo em que cada vez mais as mulheres lutam pela igualdade de direitos, ainda fará sentido este tipo de concursos, cujos critérios são sexistas e discriminatórios na seleção das candidatas? Até quando a objetificação da mulher?




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