Há momentos em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser cumplicidade. Perante a recente decisão da Governadora de Massachusetts, Maura Healey, de assinar legislação que elimina o anterior limite das 24 semanas e restrições legais ao aborto nas fases mais avançadas da gravidez, não podemos ficar calados.
Assim não, Sr.ª Governadora!
E dizemo-lo com particular tristeza e indignação porque a Governadora Maura Healey se apresenta publicamente como católica. Não questionamos a sua consciência nem julgamos a sua relação pessoal com Deus. Mas temos todo o direito de questionar a profunda incoerência entre a fé católica que publicamente afirma professar e uma decisão política que diminui a proteção legal da vida humana ainda no ventre materno.
Ser católico não é uma etiqueta que colocamos quando nos convém. A defesa da vida humana, desde a conceção até à morte natural, não é um detalhe opcional da doutrina católica. É uma exigência fundamental da dignidade de cada ser humano.
E não escondamos a gravidade daquilo que está em causa. A nova legislação retirou o anterior limite gestacional e determinadas restrições existentes depois das 24 semanas. Estamos a falar de uma fase da gravidez em que ninguém pode seriamente fingir que estamos perante uma realidade humana abstrata. Estamos perante uma criança no ventre da sua mãe.
Que sociedade estamos a construir quando, em vez de aumentar a proteção dos mais indefesos, retiramos limites à possibilidade de lhes pôr fim à vida?
Não! Nem tudo aquilo que uma maioria parlamentar aprova se torna moralmente aceitável. A lei pode permitir. A consciência pode continuar a gritar que está errado.
E nós, católicos, temos de acordar. Não podemos proclamar aos domingos que toda a vida é dom de Deus e permanecer silenciosos quando decisões políticas atingem precisamente aqueles que não podem falar, protestar ou votar.
Defender a vida exige também defender e acompanhar a mãe: ajudá-la quando tem medo, oferecer alternativas, recursos, acolhimento e esperança. Mãe e filho não são inimigos. São duas vidas que merecem ser protegidas.
Por isso, com respeito pelo cargo que ocupa, mas com a liberdade de quem não abdica das suas convicções, digo claramente:
Assim não, Sr.ª Governadora Maura Healey!
Quando está em causa uma vida humana, não podemos olhar para o lado. Porque uma sociedade que deixa de proteger os seus filhos mais indefesos deve perguntar seriamente que humanidade está a escolher para o seu futuro.




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