Esperança para um futuro tratamento do cancro do pâncreas

by | Jun 24, 2026 | Haja Saúde

 

O Adenocarcinoma Ductal do Pâncreas continua a ser uma das doenças mais difíceis de tratar e de consequente maior mortalidade. Até há pouco tempo este diagnóstico era quase uma sentença de morte, com uma sobrevida de apenas 5% ao fim de um ano. Parte desta tragédia deve-se ao facto de que quando o doente (e o médico) se apercebe da situação, invariavelmente já existem metásteses disseminadas e irreversíveis. O tratamento comum até agora consiste de quimioterapia, mas os benefícios continuam modestos, pois de acordo com a American Cancer Society cerca de 68 mil pessoas nos Estados Unidos são diagosticadas com este cancro todos os anos, dos quais mais de 53 mil morrem diretamente devido à doença. Estas são as más notícias.

Finalmente, uma “luz no fundo do túnel”. Durante a reunião da American Society of Clinical Oncology, em Chicago, o grupo do professor Dr. Brian Wolpin (Harvard/Dana Farber) recebeu uma ovação de pé quando apresentou os resultados dos estudos feitos pela Harvard, Dana-Farber, Sloan Kettering, e pela Universidade da California sobre um novo tratamento que pode melhorar em muito a sobrevida dos doentes. Trata-se do medicamento Daraxonrasib.

Cerca de 90 por cento dos doentes com cancro do pâncreas têm mutações (alterações) do gene KRAS que promovem o aparecimento deste carcinoma. O Daraxonrasib é um inibidor do RAS de modo algo complexo. Os investigadores, ao fim de vários anos, conseguiram desenvolver medicamentos que bloqueiam as mutações RAS. Fizeram um estudo em 500 pacientes na América do Norte, Europa, e Ásia que já tinham completado um curso de quimioterapia. Enquanto a quimio é dada de modo intra-venoso, o daraxonrasib pode ser dado por via oral.

Os resultados foram animadores e parecem apontar para um futuro tratamento curativo: o grupo que recebeu o daraxonrasib sobreviveu o dobro dos que que só tinham recebido quimioterapia, cerca de 7,2 meses em vez de 3,6 meses. Mais ainda 31,6 por cento mostraram apreciável redução ou desaparecimento dos tumores, em vez dos 11,2 % dos que receberam só quimioterapia. Sem dúvida números animadores.

Entretanto, ourto grupo está a investigar maneiras de tornar os tumores menos protegidos pelo próprio organismo, e consequentemente mais recetivos aos medicamentos anti-cancro. Estes medicamentos podem ser o futuro e a esperança para uma doença até agora praticamente intratável.

 

Haja saúde!

 

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