Jogo patológico, transtorno do jogo compulsivo ou ludomania, mais popularmente conhecido como “vício em jogar”, refere-se a um comportamento persistente em continuar a jogar apesar de consequências negativas ou do desejo de parar. É mais prejudicial e conhecido entre jogos que envolvem dinheiro, mas qualquer jogo de prazer pode-se tornar viciante.
Este é um problema cada vez mais prevalente na sociedade americana, particularmente desde 2018, quando o Tribunal Supremo abriu a porta às apostas desportivas. Essa medida resultou infelizmente num enorme aumento de jogadores e de acordo com especialistas mais de 75 milhões de americanos têm uma conta de jogo na internet – cerca de 1 em cada 5 pessoas.
O vicio do jogo desenvolve-se de mesmo modo das outras dependências. Ganhar um jogo ativa o cérebro de maneira muito semelhante a quando um viciado em cocaína recebe uma nova dose. Os psiquatras dividem-se em como classificar esta afeção, se uma compulsão e obsessão, como a cleptomania, ou de uma adição, como o alcoolismo. E mais: o uso de aplicações de jogo tornaram todos os telemóveis, computadores portáteis e “tablets” em casinos ambulantes que oferecem a oportunidade de jogar continuamente, o que causou uma duplicação dos gastos em jogo só durante os ultimos cinco anos!
Enquanto a imprensa tem por vezes chamado a atenção a este problema principalmente em homens jovens, a realidade é que cada vez mais os idosos são afetados, principalmente por causa de fatores que favorecem a atividade de jogar: isolamento, sentido de culpa, estigma, e uso desse “fruto proibido”. Para isto contribuiu muito a epidemia de Covid-19 durante a qual, por motivo das restrições impostas em interações sociais, levou muitos a usarem as plataformas online para passar tempo com jogo aparentemente inocente. O resultado foi desastroso e o número de viciados no jogo aumentou exponencialmente, com enormes consequências financeiras e sociais.
Dois fatores principais mantêm o viciado no jogo: um é claramente a oposição das companhias de jogo a que se façam restrições, ou mesmo que se financie a investigação e tratamento desta doença, classificada como um vício pela Associação Psiquiátrica Americana, e o segundo é que como qualquer vício, para que sofre deste problema será como um alcoólico tentando parar de beber, mas com uma garrafa de whisky na mão.
A verdade é que a indústria do jogo não quer que você pare, e usa todo o tipo de estratagemas para que jogue cada vez mais, por vezes com consequências trágicas. Devido à internet, as casa de jogo sabem perfeitamente os seus padrões de jogo, e automaticamente mandam bónus extra para o manter a jogar cada vez mais. Com os idosos, que ainda preferem os casinos tradicionais, a tática é diferente: transportes de graça para o casino, cupões de refeições, bilhetes para shows, e até oferta gratuita de scooters e cadeiras de rodas. O resultado? O Conselho Nacional de Jogo Problemático estimou que o risco do vício do jogo aumentou em 30 por cento só entre 2018 e 2021, parte devido a estas táticas agressivas, parte devido ao Covid.
Se o(a) leitor(a) necessita de jogar mais e mais para manter o efeito desejado, se fica irritado(a) quando não pode jogar, se tentou por mais de uma vez parar de jogar, se se preocupa com jogo, se perde quantias que não pode e volta para jogar tentando recuperar as perdas, se mente para ocultar o seu hábito, se perdeu relacionamentos, emprego, carreira, ou se começou a pedir dinheio a amigos e familiares para ir jogar, você pode ter o vício do jogo e deve procurar ajuda. Aconselhe-se com o seu médico ou com um profissional de saúde mental, ou contacte a National Problem Gambling Hotline 1-800-697-3738 (atendimento 24h), ou ainda a organização Gamblers Anonymous local. Haja saúde!





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