Os quenianos John Korir e Sharon Lokedi repetiram dia 20 de abril o seu triunfo na 130ª Maratona de Boston, a mais antiga das grandes maratonas do calendário internacional. A maratona de Boston é uma das sete majors a nível mundial, a par de New York, Londres, Berlim, Tóquio, Chicago e Sydney. Teve a sua primeira edição a 9 de abril de 1877 e é organizada pela Boston Athletic Association.
Em 2026, na corrida masculina, John Korir, 29 anos, concluiu em 2:01.52 e retirou 70 segundos ao recorde da prova (2:03:02) fixado em 2011 por Geoffrey Mutai. A marca de Korir só não é considerada o quinto melhor de sempre porque o percurso de Boston tem parte em desnível negativo e por isso não é homologado pela World Athletics.
Vencedor em Chicago em 2024 e em Boston e Valência no ano passado, John Korir é irmão de Wesley Korir, vencedor em 2012 em Boston.
A prova feminina teve em Sharon Lokedi, 32 anos, uma vencedora autoritária, que concluiu em 2:18.51, tendo ficado a um minuto e 29 segundos do seu próprio recorde do percurso (2:17.22).
Além das medalhas, Korir e Lokedi ganharam o prémio monetário de $150.000 e Korir recebeu mais $50.000 pelo novo recorde da prova.
Na prova de cadeira de rodas masculina, o americano Mariel Hug ganhou pela nona vez com 1:16:16 e a americana Eden Rainlow Cooper venceu pela segunda vez a prova feminina com 1:30:51. Ambos ganharam o prémio de $50.000.
Participaram na corrida 32.000 atletas, a maior parte dos quais oriundos dos Estados Unidos mas um bom número de estrangeiros provenientes de 130 países.
Mais de 11.000 voluntários executaram variadíssimas tarefas de apoio aos atletas, incluindo um grupo de polícias que corre os 42 quilómetros misturado com os atletas para tentar prevenir qualquer ataque desde o atentado bombista de 2013, que provocou seis mortos e 280 feridos.
O antigo presidente Bill Clinton entregou a medalha de participante a esses polícias. Clinton e a mulher, a antiga secretária de Estado Hillary Clinton, estavam na meta, na Boylston Street, para abraçar a filha, Chelsea, que correu a maratona e completou a prova em 3:40:52.
A Maratona de Boston tem uma forte componente de filantropia e, desde 1989, centenas de atletas angariaram mais de 600 milhões de dólares para causas humanitárias. Este ano, Zdeno Chara, antigo jogador dos Boston Bruins, correu a sua terceira maratona angariando donativos para a Thomas E. Smith Foundation e Hoyt Foundation.
Betsy Sullivan, de Narragansett, RI, correu a sua quinta Maratona de Boston angariando donativos para o Massachusetts General Hospital’s Pediatric Cancer Team que cuida do seu filho e angariou $190.000.
Dois agentes da Polícia Estadual de Rhode Island, Arnaldo de Lacerda e Matt House, correram para angariar fundos para a organização Cops for Kids Cancer. Todos eles receberam a medalha de participante, mas uma medalha especial é a de Wesley “Wes” Araujo, adolescente de 15 anos, de Fall River, que luta contra uma leucemia. Wesley resolveu correr também a sua maratona e transformou um corredor do Boston Children’s Hospital no seu próprio percurso de maratona de 42,2 quilómetros ao qual deu 552 voltas enquanto fazia tratamento.
Wesley não se ficou por aqui. Durante a sua estada no Boston Children’s Hospital, completou também o equivalente à Maratona de Tóquio. Em apenas quatro dias, percorreu mais 42,2 quilómetros, com uma média de cerca de 11 quilómetros por dia, enquanto continuava o tratamento. É incrível, duas maratonas num hospital e tudo isto lutando contra o cancro.
Na manhã do dia 22 de abril, o pai de Wesley, Craig Araujo, recebeu um telefonema da Diman Regional Vocational Technical High School informando que alguém tinha algo especial para o seu filho.
Quando Wesley chegou à escola, tinha à sua espera Lin Griffin, diretora de Orientação da Diman, que correra a Maratona de Boston dois dias antes e, sabedora da determinação do jovem, optou por lhe dar a sua medalha oficial da maratona.
Além da medalha, a preparadora física da Diman, Stephanie Hart, também presenteou Wesley com um dos cobiçados casacos da Maratona de Boston.
Para Wesley Araujo estas ofertas foram mais do que um presente, foram um reconhecimento. É evidente que Wesley não está apenas a brincar às maratonas no hospital, está a correr pela própria vida.




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