Na Praça Minerva, em Roma, está o famoso Obelisco do Elefante. Como outros obeliscos que se encontram no coração da capital italiana, este terá sido trazido do Egito ainda no tempo do Império Romano, há uns dois mil anos. Foi usado por Gian Lorenzo Bernini para idealizar um projeto encomendado por um papa, Alexandre VII. Assim, colocando-o sobre um elefante em mármore, esculpido por Ercole Ferrata, discípulo de Bernini, foi dada em meados do século XVII uma nova vida à velha pedra com hieróglifos encontrada num convento dominicano. E a chamada Cidade Eterna ganhou mais um embelezamento.
Mas século e meio antes do elefante em mármore, a população de Roma tinha podido ver um verdadeiro elefante caminhar na cidade. Para mostrar o seu poderio, e as imensas riquezas de um Império que se estendia do Brasil à Índia, D. Manuel I enviou em 1514 uma faustosa embaixada ao papa, na época Leão X.
A comitiva, encabeçada pelo navegador e diplomata Tristão da Cunha, trazia vários animais exóticos, nomeadamente um rinoceronte e um elefante branco, também papagaios. Sabe-se que o papa se interessou sobretudo pelo elefante, trazido da Índia até Portugal e que depois foi transportado para Itália a fim de impressionar o chefe máximo da Igreja Católica. O elefante ganhou o nome de Hanno, referência a um general cartaginês.
Dessa embaixada portuguesa, ficaram memórias várias. O rinoceronte foi desenhado por grandes artistas europeus, e a recordação do elefante persistiu muito tempo em Roma, pois o papa sentiu bastante a sua perda, por doença, ao fim de três anos.
Em 1716, uma outra embaixada, também imponente, foi enviada por Portugal a Roma, no tempo do papa Clemente XI. O nosso D. João V, riquíssimo graças ao ouro do Brasil, procurou impressionar, tal como fizera D. Manuel I dois séculos antes. Dessa vez, e noutras nos anos seguintes, foram belos coches que percorreram as ruas de Roma, alguns dos quais podem ser hoje vistos no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.
* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.



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