Ponta Delgada, Açores, 13 abr 2026 (Lusa) – O roteiro do poeta e filósofo Antero de Quental na cidade de Ponta Delgada, onde nasceu, vai ser assinalado no sábado, com o descerramento de uma lápide, no âmbito dos 184 anos do seu nascimento.
A Associação Amigos de Antero (AAA), responsável pelas comemorações dos 184 anos, vai também promover a tradicional deposição da coroa de flores, na campa do poeta, no Cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
A associação refere que “este ano, o ponto assinalado é no lado nascente da igreja Matriz, onde esteve sediada a Loja Férin, pertencente a Benjamim Férin, de ascendência judia, onde se vendia quinquilharia (conforme era designação da época)”.
Naquele local, Antero de Quental, pelas 17:00 do dia 11 de setembro de 1891, “comprou o revólver Lefauchaux, usado para pôr fim à vida, no campo de São Francisco, pelas 20:00”, ficando “assim assinalado mais um ponto do roteiro” que a Associação Amigos de Antero tem vindo a concretizar nos últimos anos.
A AAA decidiu também lançar um concurso de incentivo à participação pública de todos os cidadãos através da publicação de artigos de opinião na imprensa regional e/ou na radiodifusão das 00:00 de 18 de abril às 24:00 de 11 de setembro de 2026.
Antero de Quental publicou um artigo no jornal Açoriano Oriental, com apenas 18 anos, onde “se insurgiu contra as dificuldades verificadas com a construção do porto de Ponta Delgada, incentivando a contratação de engenheiros no exterior perante a incapacidade de soluções a nível local”.
Também o Centro de Estudos Anterianos, em Vila do Conde, vai assinalar a data do nascimento do poeta com uma conferência e uma exposição sobre aquele que é considerado “um dos mais notáveis intelectuais portugueses e referência obrigatória na poesia, no ensaio filosófico e literário, e no jornalismo”, mas também “nas lutas pela liberdade de pensamento e pela justiça social”.
“Antero de Quental – um autor global” é o título da conferência que será proferida por Ana Catarina Mesquita, que “oferece uma reflexão sobre a dimensão internacional do seu pensamento, assim como as suas influências e legado no contexto cultural e intelectual mais amplo, redescobrindo a atualidade e a projeção universal da sua obra”.
Já a exposição “Retratos de Antero” é a uma “pequena mostra documental em torno de um conjunto de representações de Antero de Quental feitas por alguns dos mais importantes pintores, desenhadores e escultores portugueses”, segundo o Centro de Estudos Anterianos.
Ambos os eventos têm lugar na Casa Antero de Quental, em Vila do Conde, no distrito do Porto, imóvel adquirido e restaurado pela Câmara Municipal, inaugurada em 2013, e que serviu de residência ao escritor entre os anos de 1881 e 1891.
Antero de Quental foi líder da denominada Geração de 70, grupo a que pertenciam Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, Augusto Soromenho, entre outros.






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