Na crónica anterior conhecemos, genericamente, o Atlas da Emigração Portuguesa editado em setembro de 2025 pelo Observatório da Emigração, da autoria dos seus investigadores permanentes Rui Pena Pires, Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo e Carlota Moura-Veiga. Com base nele, nesta crónica desenvolvemos, sumariamente, os destinos da emigração portuguesa para a Europa e, na próxima, para a América.
Mais de dois terços dos emigrantes portugueses vivem na Europa, enquanto na América residem 28%, sendo residual o número destes noutras partes do mundo (2%). O número de emigrantes a viver na Europa cresceu nas últimas décadas, mas diminuiu o número dos residentes na América.
FRANÇA
A França é o país em que residem mais portugueses emigrados. São quase 600 mil. Esta realidade resulta da continuidade da emigração desde os anos 60 do século XX, quando aquele país era o principal destino dos fluxos de saída de Portugal. Mais de 43% dos emigrantes portugueses em França vivem na região de Paris (247.800).
ALEMANHA
A Alemanha era o segundo destino da emigração portuguesa antes de 1974, mas perdeu importância relativa com o aparecimento de novos destinos desde finais do século passado. Hoje, viverão na Alemanha menos de 120 mil portugueses, sobretudo nos estados de Nordrhein-Westfalen (37.880) e de Baden-Wurttemberg (29.070).
SUIÇA
A Suíça é o segundo país europeu em que vivem mais emigrantes portugueses: cerca de 200 mil. Com uma história mais recente do que a da emigração para França e Alemanha, os fluxos portugueses para a Suíça iniciaram-se em meados dos anos 80. É uma emigração concentrada nos cantões predominantemente francófonos: em Vaud, Genebra, Valais, Friburgo e Neuchâtel vivem 61% dos emigrantes portugueses.
ESPANHA
No início do século XXI, a Espanha transformou-se no principal destino da emigração portuguesa, com um máximo de entradas superior a 27 mil em 2007. A ligação entre emigração e construção contribuirá para explicar a concentração da população portuguesa nas regiões fronteiriças espanholas, de que é exemplo a Galiza, onde residem 20% dos portugueses emigrados em Espanha.
REINO UNIDO
O Reino Unido substituiu a Espanha como principal destino da emigração portuguesa desde 2010. Entre 2013 e 2016, entraram anualmente no Reino Unido mais de 30 mil portugueses, quase um terço da emigração portuguesa total. O Brexit pôs termo a esta dinâmica. Dois terços dos emigrantes portugueses vivem na região de Londres e nas regiões vizinhas do Este e do Sudoeste.
LUXEMBURGO
O Luxemburgo é o país em que é maior o impacto da emigração portuguesa: nasceram em Portugal 12% dos habitantes daquele país, os quais representam 32% dos imigrantes que nele residem. Dos cerca de 75 mil emigrantes portugueses residentes no Luxemburgo, quase metade (45%) vive no cantão de Esch-sur-Alzette (42.021).
PAÍSES BAIXOS
Os Países Baixos são um dos destinos da emigração portuguesa que mais tem crescido nas últimas décadas, sendo hoje da ordem dos 20 mil. Perto de dois terços (65%) dos emigrantes portugueses estão concentrados nas regiões da Holanda do Norte e do Sul.
BÉLGICA
A tendência para o crescimento das entradas portuguesas na Bélgica é menos pronunciada do que nos Países Baixos, mas o aumento do número de portugueses emigrados residentes, que quase duplicou, sendo hoje superior a 38 mil, é da mesma ordem de grandeza. Bruxelas continua a ser a região de maior concentração de emigrantes portugueses, com 38% do total (19.190).
PAÍSES NÓRDICOS
Os países nórdicos (Suécia, Dinamarca e Noruega) são os novos destinos para onde mais cresceu a emigração portuguesa neste século. Na Suécia, a população portuguesa emigrada é superior a quatro mil indivíduos, sobretudo concentrados em Estocolmo (1.489). Na Dinamarca, o número de portugueses também é superior a quatro mil, dos quais 59% vivem na região de Copenhaga. Na Noruega, vivem cerca de 3.500 emigrantes portugueses, também aqui especialmente concentrados na região da capital, Oslo, com cerca de 54%.
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Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores. Texto baseado no Atlas da Emigração Portuguesa, 2ª edição, produzida pelo Observatório da Emigração, em setembro de 2025.





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