O Observatório da Emigração, estrutura técnica e de investigação independente integrada no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, acaba de produzir a segunda edição do seu Atlas da Língua Portuguesa, da autoria dos seus investigadores Rui Pena Pires, Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo e Carlota Moura-Veiga.
O estudo refere que a emigração é, em Portugal, um fenómeno de longa duração e grande amplitude que teve, no século XXI, um novo crescimento. Entre 2001 e 2020, terão saído anualmente de Portugal, em média, mais de 75 mil pessoas. Somadas às grandes vagas emigratórias anteriores, da segunda metade do século XX, as saídas mais recentes contribuíram para a constituição de uma população emigrada de grande dimensão.
Hoje, viverão espalhados pelo mundo 2.1 milhões de emigrantes portugueses. Medida em termos relativos, a emigração portuguesa é a maior da Europa e a oitava maior do mundo.
Neste Atlas, elaborado pela equipa permanente de investigadores do Observatório da Emigração, reúne-se e analisa-se a informação estatística disponível sobre o estado atual da emigração portuguesa.
Vale a pena conhecê-lo, ainda que, aqui, em síntese.
De acordo com as estimativas do Observatório da Emigração, nas duas primeiras décadas do século, de 2001 a 2020, a emigração foi responsável pela partida de mais de um milhão e meio de pessoas, o equivalente a perto de 15% da população total do país. No mesmo período, o regresso de emigrantes terá representado mais de um terço destas saídas, o que, somado à imigração de estrangeiros, compensou parcialmente o êxodo.
Atualmente, segundo estimativas das Nações Unidas, vivem espalhados pelo mundo mais de 2.1 milhões de pessoas nascidas em Portugal, o equivalente a cerca de um quinto da população residente no país.
O maior país de emigração portuguesa continua a ser a França, onde vivem cerca de 600 mil pessoas nascidas em Portugal, mais de um quarto da população portuguesa emigrada.
Os destinos europeus são responsáveis por mais de 80% da emigração atual. A hierarquia dos principais destinos foi variando ao longo das duas últimas décadas: até 2008, a Espanha foi o destino que mais cresceu e para onde se dirigiram mais emigrantes, lugar que seria depois ocupado provisoriamente pela Suíça e, mais longamente, pelo Reino Unido. Este país, que foi durante anos o principal destino da emigração portuguesa, exerce hoje uma atração cada vez mais reduzida por efeito do Brexit.
Para além de europeia, a nova emigração é mais qualificada. Esta emigração mais qualificada dirige-se sobretudo para os novos destinos da emigração portuguesa, como o Reino Unido, continuando os antigos países de emigração, como a França, a ser sobretudo destinos de trabalho pouco qualificado.
Globalmente, em termos de fluxos, a emigração portuguesa é equilibrada por sexos e, sem surpresa, composta maioritariamente por ativos jovens: mais de dois terços dos emigrantes que saíram de Portugal ao longo da última década tinham entre 15 e 39 anos.
Nos países de destino no continente americano, como o Brasil e os Estados Unidos, onde é hoje muito pequeno o número de entradas anuais de novos emigrantes portugueses, a população emigrada está muito envelhecida e em diminuição.
É da Suíça e da França que vem a maioria das remessas dos emigrantes portugueses. O seu valor é economicamente significativo: nas últimas duas décadas, as remessas atingiram valores na ordem dos 1.8% do PIB (Produto Interno Bruto).
No outro lado da moeda estão os impactos demográficos da emigração. Mais de um quarto dos nascidos em Portugal com 15-39 anos vivem no exterior. Os nascimentos no estrangeiro de mães portuguesas representarão cerca de um quinto dos nascimentos em Portugal.
Só o aumento da imigração poderá, pois, contribuir para atenuar as consequências da acumulação de dinâmicas demográficas recessivas.
Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região
Autónoma dos Açores
Texto baseado no Atlas da Emigração Portuguesa, 2ª edição, produzida pelo Observatório da Emigração, setembro de 2025.





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