Um acontecimento original, belo e altruísta integrado nas comemorações do 5º aniversário do Micaelense Futebol Clube

by | Mar 18, 2026 | Do Outro Lado do Atlântico

 

“Recuamos ao passado à procura de acontecimentos quer nos ajudem a compreender o presente”

 

NOS BONS VELHOS TEMPOS, em que os CLUBES  DESPORTIVOS, eram parte integrante do viver dos micaelenses, na altura em que o “CLUBE”, era o “sal” do nosso Desporto”, e o associativismo, parte integrante e contagiante da nossa maneira de estar e viver em sociedade, aberto e participante, no interesse comum, e numa conjugação de esforços, visando a promoção individual, num objectivo altruísta de conseguir, congregar a participação de diversos elementos, de diferentes extractos sociais, num viver digno e fecundo.

FOI COM ESTA IDEIA, que o Micaelense Futebol Clube, velha agremiação, hoje extinta, que teve um historial riquíssimo, e um passado com uma “utilidade pública” dignificante, ao serviço da cultura física e cívica de inúmeros cidadãos – quantos indivíduos se promoveram na vida, integrados nos Clubes, vindos, por vezes, da fome e do pé descalço? – que ao longo da sua existência passaram pelo Clube, utilizando a participação que a colectividade oferecia, servindo e dignificando o Clube e a Região. Segundo julgo saber, o espólio do Clube, (troféus e documentação) estão num “vão de escada,” na sede da Associação de Futebol de Ponta Delgada.

SEMPRE FOI DIGNO DE REALCE, nos bons e saudosos tempos, a “MÍSTICA” especial que o “M.F.C.” tinha como “bandeira”, baseada na participação maciça de uma “classe operária” ávida de valorização, orientada e dirigida por uma elite de dirigentes, muitos deles, dos mais credenciados do dirigismo regional, numa conjugação de esforços e ideias. Passaram pelo Clube, fazendo parte dos seus simpatizantes,  associados, atletas e dirigentes das mais diversas amadas sociais.

DO “ESPÓLIO DO CLUBE”, que dedicou, sempre, a melhor atenção à valorização integral dos seus associados e atletas, consta diversas participações e realizações, não só no campo meramente desportivo, como cultural.

ESTÃO MEMÓRIA DE MUITOS, e na saudade de alguns, a actividade de “Grupos de teatro” fomentados pelo Clube, bem como, serões recreativos, levados a efeito no seu salão de festas.

QUEREMOS, AQUI E AGORA, lembrar e recordar um feito inédito, levado a efeito, durante as comemorações do seu 5º aniversário, e que constou da realização de um “BODO A 130 POBRES”. Cada um recebeu, um quilo de carne e dois pães, integrado num sugestivo programa que na época (1934) deu brado e mostrou à saciedade que a “MÍSTICA” inconfundível  que lhe servi de bandeira, numa existência altamente participativa, de um dos mais populares e credenciados Clubes Açorianos.

E terminamos este trabalho, recordando a nota dada pela imprensa da altura, do teor seguinte:- “BODO AOS POBRES – Na noite de sábado, e porque os rapazes do “MFC” quiseram mostrar que são cristãos e dos legítimos, foi distribuído um BODO A POBRES, que em número de 130 receberam, um quilo de carne e dois pães, o que quer dizer que, 130 lares, tiveram um dia de abundância, levada pela caridade do M.F.C.”

AO CONTRÁRIO das folhas das árvores que caiem e são absorvidas pela terra e levadas pelo vento, estas recordações permanecem no cofre da saudade  e nos arquivos do Desporto.

 

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