Neemias Queta, o primeiro português na NBA
A NBA (National Basketball Association) é a liga de basquetebol mais competitiva e popular do mundo. Tão grande se tornou que os jogos têm transmissão televisiva para 215 países e em 60 línguas.
A liga tem evoluído graças a equipas como Boston Celtics e Los Angeles Lakers, que criaram as suas reputações através de rivalidades, e a jogadores ídolos como Michael Jordan, do Chicago Bulls, considerado por muitos o maior de todos os tempos e que conquistou seis títulos; ou LeBron James, dos Lakers, que pensa reformar-se no final desta temporada mas que, aos 41 anos, ainda foi selecionado para o seu 22º All-Star Game em 23 temporadas na NBA; ou jovens talentos como Victor Wembanyama, dos San Antonio Spars, que se destaca pelas habilidades e pela altura (2,26m).
Wembanyama nasceu em Paris e é um dos 19 franceses que jogam na NBA, que é cada vez mais internacional.
Jogar na NBA representa o ápice do basquete mundial e, na época 2024-25, a liga tem 125 jogadores estrangeiros oriundos de 43 países. Todas as 30 equipas têm pelo menos um estrangeiro, mas os Atlanta Hawks abusam e têm dez.
Quanto a nacionalidades, 22 são canadianos, 19 franceses, 13 australianos, oito alemães, seis sérvios, cinco nigerianos e um é português, o poste Neemias Queta que brilha nos Boston Celtics, onde tem tido destaque na temporada2025-26.
Neemias Esdras Barbosa Queta nasceu em Lisboa a 13 de julho de 1999 (26 anos), filho de pais guineenses. Cresceu no Vale da Amoreira, distrito de Setúbal e jogou basquetebol pela primeira vez aos dez anos nas camadas juvenis do Barreirense. Em 2016 transferiu-se para o SL Benfica, que deixou em 2018 para se matricular na Utah State University e jogar na equipa de basquete da universidade.
Em 2021, Queta candidatou-se ao draf da NBA e foi a 39.ª escolha dos Sacramento Kings, tornando-se o primeiro português a entrar na NBA. Assinou “contrato duas vias” com a equipa californiana e, como jogador de recurso, era utilizado tanto na equipa principal como na afiliada da NBA G League, os Stockton Kings.
Mesmo não sendo uma opção regular dos Sacramento Kings, foi o jogador da equipa mais votado (88.534 votos do público) para o NBA All Star Game de 2022 e, a 8 de agosto de 2023, renovou contrato mas a 12 de setembro os Sacramento Kings dispensaram-no.
Mas Queta não ficou muito tempo desempregado, uma semana depois assinou novo “contrato de duas vias” com os Celtics, desta vez sendo utilizado pela equipa principal e pelos Maine Celtics, nos quais viria a sagrar-se vice-campeão da NBA G League a 15 de abril de 2024 e também campeão da NBA em 17 de junho de 2024.
Os Celtics adquiriram recentemente o experiente poste Nikola Vučević (numa troca com os Bulls), o que deu origem a especulações sobre a possível saída de Queta, mas o português não saiu e parece ter consolidado o seu lugar como poste titular da equipa de Boston na temporada 2025-26, tendo há dias marcado 27 pontos e conquistado 17 ressaltos na vitória dos Celtics por 114-98 sobre os Philadelphia 76ers.
Há apenas alguns meses, Neemias Queta lutava por um lugar no plantel, mas agora parece ter o futuro promissor consolidado nos Boston Celtics e os adeptos, que antes não sabiam sequer como ele se chamava, agora cantam o seu nome no TD Garden.
Acrescente-se que Queta está sob contrato de três anos assinado em julho de 2024 e é dos jogadores mais baratos dos Celtics, ganhando no total $7.180.128, a média anual de $2.393.378, uma ninharia comparado com outros craques dos Celtics: Jayson Tatum, 54,1 milhões; Jaycen Brown, 53,1 milhões; Derrick White, 28,2 milhões; Nikola Vučević, 21,4 milhões; Sam Houser, 10,4 milhões e Payton Pytchard, 7,2 milhões.
Os Celtics detêm uma opção de equipa (team option) para manter o jogador e é possível que, se isso vier a acontecer, o português venha a ter um aumento.
Ticha Penicheiro, portuguesa no Hall of Fame da WNBA
O ex-presidente da República Portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa entregou recentemente condecorações a vários atletas portugueses de elite em diferentes modalidades e entre os distinguidos estava Ticha Penicheiro, residente nos EUA e cuja extraordinária carreira no basquetebol é desconhecida da maioria dos seus compatriotas.
Ticha recebeu das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa a comenda da Ordem do Infante D. Henrique em cerimónia que serviu de homenagem à única portuguesa cujo nome figura no Hall of Fame da WNBA.
Ticha jogou 15 épocas na WNBA, a maior liga feminina norte-americana de basquetebol profissional, sagrando-se campeã em 2005 pelos Sacramento Monarchs. Está no top-25 das melhores basquetebolistas de sempre da WNBA, foi quatro vezes All-Star e entrou para o Hall of Fame da WNBA e da FIBA. Hoje é agente de jogadoras.
Ticha nasceu na Figueira da Foz (18 de setembro de 1974) e começou a carreira de basquetebolista no Ginásio Clube Figueirense, passou pela União Desportiva de Santarém e, aos 20 anos, transitou para o desporto universitário dos EUA iniciando o sonho de ser jogadora profissional de basquetebol.
Quatro anos depois estava na WNBA, como “rookie”, iniciando uma caminhada de sucesso. Em 2005 conquistou o título da WNBA com as Sacramento Monarchs e, no total de 15 épocas que passou neste campeonato, jogou ainda com as camisolas das Los Angeles Sparks e das Chicago Sky.
Jogou também na Europa e conquistou um título da Euroliga Feminina e a entrada para o Hall of Fame da FIBA, distinção da Federação Internacional de Basquetebol para os jogadores e jogadoras com contribuição significativa para a modalidade.
Ticha fez parte quatro vezes das melhores da WNBA e por duas ocasiões integrou a equipa ideal da WNBA. Pela seleção portuguesa realizou mais de 100 partidas, terminando a sua carreira em 2012.
Vive hoje em Miami, é agente de jogadoras e sócia da On Time Agency, agência de marketing desportivo fundada pelo antigo astro da NBA, Ramon Sessions.
Ticha é vice-presidente e chefe da divisão de basquetebol feminino. O seu cargo inclui criar percursos de carreira para as suas atletas, e representa jogadoras da WNBA como Kayla McBride (Minnesota Lynx), Jordin Canada (Atlanta Dream), Michaela Onyenwere (Phoenix Mercury), Megan Gustafson (Washington Mystics), Bridget Carleton (Minnesota Lynx) e Clara Silva, talentosa portuguesa de 19 anos que está a tentar a sorte nos EUA e joga na Texas Christian University.
Ticha acha que Clara Silva “tem tudo” para ser a próxima portuguesa na WNBA, a começar pela altura (1,98m).
Clara Silva iniciou o basquetebol na cidade de onde é natural, Faro, no Sporting Clube Farense e jogou também no Imortal Basket Clube antes de emigrar para Málaga/Espanha, aos 14 anos, acompanhando o irmão Hugo Silva, que hoje joga no Benfica. Na época de 2024-25, Clara esteve na University Kentucky e na atual época representa a Texas Christian University, ganhando cada vez mais visibilidade.
Aos 18 anos, Clara Silva é uma das maiores promessas do basquete português e europeu e o seu objetivo é a WNBA.
Mery Andrade destaca-se como treinadora na NBA
Mery Andrade nasceu em Cabo Verde, mas foi criada em Lisboa, Portugal, e foi uma das duas basquetebolistas portuguesas a jogar na liga feminina norte-americana WNBA, a par de Ticha Penicheiro, tendo jogado nos Cleveland Rockers e nos Charlotte Sting em cinco temporadas na WNBA, depois de ter jogado nos Old Dominion Monarchs, no campeonato universitário.
No total jogou mais 16 temporadas profissionais incluindo em Itália, Portugal e WNBA, além da seleção portuguesa que representou durante 19 anos (133 jogos), mas o seu desejo de ser treinadora trouxe-a de volta aos Estados Unidos.
Como treinadora, começou também na liga universitária, na Universidade de San Diego, treinando os San Diego Toreros. Mas Andrade trabalhou arduamente para fazer parte de um pequeno grupo de mulheres que conseguiram entrar no panorama das treinadoras da NBA, que inclui nomes como Becky Hammon, Teresa Weatherspoon, Niele Ivey a ex-assistente dos Raptors, Brittni Donaldson, agora nos Atlanta Hawks, e outras que passaram de assistentes na NBA para cargos de treinadoras principais na WNBA ou na NCAA, mas ainda não houve uma mulher treinadora principal na NBA e Mery Andrade poderá ser a primeira.
Treinou depois o New Orleans Pelicans (2019-2023), ocupando-se principalmente do desenvolvimento de jogadores dos Erie BayHawks, afiliados dos Pelicans na G League, e dos BayHawks e dos Birmingham Squadron, da G League.
Trabalhou depois no Petro de Luanda na Basketball Africa League (2022) e era assistente técnica da equipa da Summer League dos Boston Celtics (2023) quando surgiu o convite para ser adjunta do sérvio Darko Rajaković nos Raptors de Toronto e a sua familiaridade com o sistema de desenvolvimento da NBA tornou-a ideal para a sua função atual de elo de ligação entre a equipa principal dos Raptors e a sua afiliada da G League, os Raptors 905.
Reconhecida pela sua capacidade de desenvolver a confiança dos jogadores através do desenvolvimento individual e pela sua experiência em sistemas de basquetebol europeus e americanos, Mery Andrade é hoje adjunta de Darko Rajaković nos Toronto Raptors, o que lhe valeu reconhecimento da própria NBA, quando integrou a equipa técnica do All-Star Game da NBA, ao assumir o cargo de treinadora-adjunta da Team World, numa das maiores distinções da sua carreira.
Em 2020, Mery Andrade já antecipava mudanças históricas, ao afirmar que era apenas “uma questão de tempo” até surgir uma mulher como treinadora principal na NBA e ela própria confirma que esse futuro está cada vez mais próximo.
Tal como acreditou no potencial de Neemias Queta quando muitos ainda duvidavam, Mery continua a abrir portas e a projetar o basquetebol português além-fronteiras.





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