1978 e 2026, dois nevões que ficam na história da Nova Inglaterra

by | Mar 4, 2026 | Notícias das comunidades

 

O inverno da Nova Inglaterra acaba a 20 de março, mas antes de se ir embora, decidiu mostrar o seu mau humor e dia 23 de fevereiro brindou a Costa Leste dos EUA com uma tempestade de inverno que paralisou cidades e obrigou ao encerramento de escolas deixando milhares de alunos sem aulas.

Os meteorologistas dizem que a tempestade de 23 de fevereiro foi um clássico e poderoso “nor’easter”, típicas tempestades de inverno da Nova Inglaterra que se formam a partir do contraste de temperaturas entre o ar frio em terra e o ar quente da humidade oceânica e chamam-lhe “furacão de neve”.

Apesar de habituada a invernos rigorosos, a Nova Inglaterra não enfrentava um temporal desta magnitude desde meados da década passada.

Em New York caiu meio metro de neve e a cidade precisou mobilizar 2.000 limpa-neves para tornar transitáveis as ruas essenciais.

Em New Jersey, cairam 70 centímetros de neve em algumas zonas e Connecticut também recebeu grande quantidade de neve. Normalmente, o litoral de Connecticut é poupado quando se trata de grandes nevões, enquanto as partes do interior do estado são mais atingidas, mas não nesta tempestade e na cidade piscatória de Stonington cairam 76 centímetros de neve.

Em Rhode Island e Massachusetts algumas regiões acumularam mais de 90 centímetros.

No T.F. Green Airport em Warwick RI, cairam 96 centímetros de neve em 2026, quebrando o recorde de 70 centímetros estabelecido em 1978.

Refira-se que a tempestade fechou todos os aeroportos da Costa Leste (algo inédito), implicando no cancelamento de 14.000 voos.

Neve, chuva e frio levaram 20 estados e a capital, Washington, a declarar o estado de emergência e 40 milhões de americanos foram obrigados a ficar em casa, alguns com o problema de que os ventos provocaram a queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia que afetaram mais de meio milhão de casas.

Os governadores de dez estados declararam o estado de emergência, com restrições de circulação em vigor desde a tarde de 22 de fevereiro e que em alguns casos ainda vigora pois com montes de neve de mais de seis metros de altura nas ruas o trânsito é realmente impossível.

A tempestade de 2026 fez lembrar o nevão de 1978, frequentemente considerado a “Tempestade do Século”. Mas o nevão de 2026 reescreveu os livros de recordes de queda de neve em Rhode Island, soterrando a região com mais de 84 centímetros de neve e superando o total de 72,6 centímetros registados em 1978.

Durante a tempestade de 1978, a neve caiu a um ritmo de 10 centímetros por hora em Massachusetts e as rajadas de vento atingiram os 177 km/h, enquanto que em 2026 se registaram rajadas de 120 km/h.

Mas além de tudo isto, a maior diferença entre 2026 e 1978 foi a previsão meteorológica.

Em 2026, as populações começaram a ser alertadas para uma possível tempestade de inverno com uma semana de antecedência. As escolas começaram a fechar e todos ficaram em casa no dia da tempestade, o que não aconteceu em 1978.

Em 1978 as previsões meteorológicas eram mais rudimentares e muito mais lentas do que são hoje. A tecnologia de comunicação era limitada na época. Ainda não havia internet, os planos de contingência não estavam suficientemente desenvolvidos e por tudo isso a previsão para a tempestade não era boa.

A maioria das pessoas seguiu com a sua rotina, indo para a escola e para o trabalho, mas quando regressavam a casa a maioria ficou presa na neve que caía a um ritmo de dez centímetros por hora.

O resultado foi perto de 2.000 carros ficarem presos nas autoestradas cobertos de neve. A tempestade acabou por fazer 73 mortes em Massachusetts e 26 em Rhode Island, muitas delas dentro dos carros e devido a intoxicação por monóxido de carbono e outros de ataques cardíacos sofridos quando padejavam a neve. Mais de 4.500 pessoas ficaram feridas ou adoeceram devido à tempestade.

No nevão de 2026 foram confirmadas apenas 12 mortes em New York, Maryland, Pennsylvania, New Jersey, Massachusetts e Rhode Island, neste caso um jovem (21 anos) aluno da Universidade Salve Regina, em Newport, que morreu vítima de intoxicação acidental por monóxido de carbono num veículo com neve a cobrir o tubo de escape.

 

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