Almeida ainda tentou, mas Ayuso saiu duplamente vencedor do Malhão

by | Feb 22, 2026 | Desporto

 

Malhão, Faro, 22 fev 2026 (Lusa) – Juan Ayuso coroou hoje a conquista da 52.ª Volta ao Algarve com um triunfo no alto do Malhão, onde pelo segundo ano o ciclista português João Almeida subiu ao pódio, desta vez como terceiro classificado.

O melhor voltista português da atualidade tentou ‘partir’ o grupo nas duas ascensões ao Malhão, mas nada nem ninguém conseguiu fazer descolar o espanhol da Lidl-Trek, que alcançou a desejada vitória na quinta e última etapa, fechando com chave de ouro a sua estreia na ‘Algarvia’ e pela formação norte-americana.

“Sem dúvida era um objetivo muito grande vencer aqui e poder ganhar pela equipa. Foi uma pena não poder fazê-lo no alto da Fóia [foi segundo], mas estou muito contente por me ter imposto hoje”, reconheceu o catalão de 23 anos, que bateu o britânico Oscar Onley (INEOS) ao sprint no alto do Malhão.

O terceiro, com as mesmas 03:20.02 horas de Ayuso, foi Paul Seixas (Decathlon), o ‘vice’ e melhor jovem desta edição, a 14 segundos do campeão. Segundo no ano passado, João Almeida fechou o pódio, a 59 segundos, depois de ter sido quarto na etapa, a quatro.

Na véspera, o sucessor de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) no palmarés dos vencedores tinha alertado que cada segundo contava na luta pela geral e hoje, com uma meta volante situada ao quilómetro sete dos 148,3 a percorrer entre Faro e o alto do Malhão, o camisola amarela foi sprintar para bonificar, amealhando mais um segundo.

Sucederam-se então várias tentativas de fuga, mas esta formou-se quando estavam decorridos mais de 30 quilómetros, sendo integrada por nomes sonantes: o antigo bicampeão mundial Julian Alaphilippe (Tudor), Jan Tratnik (Red Bull-BORA-hansgrohe), terceiro na edição de 2024 da ‘Algarvia’, Maximilian Schachmann (Soudal Quick-Step), Tobias Bayer (Alpecin-Premier Tech) e Luca Van Boven (Lotto Intermarché).

Dado a sua qualidade, o quinteto nunca teve autorização para ampliar a vantagem muito para lá dos dois minutos, insuficiente para lutar pela etapa, até porque na primeira aproximação ao Malhão atacou Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe),

Foi a primeira das ‘escaramuças’ entre favoritos: mesmo a chegar ao topo da contagem de segunda categoria, João Almeida atacou e selecionou o pelotão, numa altura em que ‘Loulou’ e Schachmann seguiam isolados.

Na descida, Kévin Vauquelin (INEOS) e Lipowitz passaram diretos pelo grupo do camisola amarela, com Tratnik a descair para ajudar o seu colega alemão a aumentar a diferença para os perseguidores, já depois de o alemão da Soudal Quick-Step, então virtual camisola amarela, ter caído a 35 quilómetros da meta.

Schachmann deslizou numa curva, embateu no ‘rail’ e perdeu definitivamente o contacto com o antigo bicampeão mundial, que se manteve sozinho na frente da corrida até aos derradeiros 16 quilómetros, quando foi ‘apanhado’ pelo francês da INEOS e pelo terceiro classificado do Tour2025.

Alaphilippe não aguentou muito na roda do duo, que também só ‘sobreviveu’ até à entrada dos cinco quilómetros finais, após um grande trabalho da Lidl-Trek.

Os primeiros da geral seguiram juntos até à derradeira ascensão ao Malhão e, apesar de Almeida ter endurecido novamente o ritmo, chegaram juntos ao topo, com a discussão da etapa a fazer-se ao sprint.

Numa 52.ª edição em que não foi atribuído o ‘Prémio Prestígio’, distinção instituída em 2016, destaque ainda para o argentino Tomas Contte, que garantiu a segunda vitória consecutiva da Aviludo-Louletano-Loulé na classificação da montanha, e para Artem Nych (Anicolor-Campicarn), o bicampeão da Volta a Portugal que acabou na 19.ª posição.

Pelo pódio final passaram ainda a INEOS, que hoje tentou o ‘assalto’ ao pódio mas ‘só’ conseguiu acabar com três homens no top 10 – Onley foi quarto e Vauquelin quinto – e como vencedora da classificação por equipas, e o francês Paul Magnier (Soudal Quick-Step), que conquistou a camisola dos pontos.

Para memória futura de quem aplaudiu os ciclistas no alto do Malhão fica o sorriso de Ayuso, inexistente nos dias anteriores, e que hoje até se transformou em riso quando ouviu o ‘speaker’ chamar ‘Bota Lume’ ao seu ex-colega Almeida.

 

 

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