Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência.
-António Aleixo
TUDO ISTO EM ÉPOCAS EM QUE DOMINAVA O “PÉ DESCALÇO” de triste memória. Até nesta forma das pessoas se locomoverem, ficou-nos na mente uma particularidade, digna de nota, que alguns “felizardos” utilizavam. Estamos a referir às “extravagantes” “alparcas” (ou alpercatas) que os mais “engenhosos” utilizavam e que se traduzia, na utilização de um bocado de pneu velho, cortado ao jeito do pé, e que se prendia ao mesmo por meio de tiras de couro ou cordel, substituindo o “luxuoso e caro sapato”. O desenrascanço do homem sempre a funcionar!!
COM ESTE CAUDAL DE LEMBRANÇAS E RECORDAÇÕES, requisitadas a nossa memória, queremos, também, deixar aqui arquivada, uma situação surgida em determinada altura, devido ao aumento do trânsito nas estreitas Ruas de Ponta Delgada que “obrigou” as autoridades responsáveis pela orientação e regulamentação do mesmo, a criarem, dentro da Polícia, uma missão especial denominada “Polícia Sinaleiro”, com a finalidade de orientar e dirigir o trânsito nos sítios (cruzamentos) de maior movimento (ainda não se pensava em semáforos
PREOCUPA-NOS, SEMPRE, ESTE PRINCÍPIO de que um povo sem memória, não tem nada. Não se consegue redimensionar a sua história e cultura, perde identidade. Por isso e antes do aparecimento de novas regras de trânsito, que surgiram um pouco mais tarde e que se traduzia em “ter prioridade quem se apresentasse pela direita”, logo seguido do aparecimento dos semáforos, o trânsito automóvel, em determinadas horas do dia, tornava-se preocupante.
Nos primeiros tempos, como tudo, o “aparecimento do ”Polícia Sinaleiro” foi cartaz e novidade. Chamava a atenção do transeunte. O Porto foi a primeira cidade portuguesa a criar o serviço de regularização do trânsito, em Novembro de 1921. Chamavam-lhes os “CABEÇAS DE GIZ” porque andavam com capacete branco.
LEMBRAMOS DE VER “SINALEIROS”, nos cruzamentos da Rua Hintze Ribeiro com a Rua do Pedro Homem, no Largo 2 de Março, no cruzamento da Rua António Joaquim Nunes da Silva com a Rua João Moreira, e desta com a Rua do Contador, no cruzamento com as Ruas Margarida de Chaves e Poças Falcão, e no Largo da Matriz.
POMOS EM DESTAQUE um facto que, na altura, chamou a atenção de várias pessoas. Em determinada ocasião, entrou em funções de “policia sinaleiro”, um guarda há pouco chegado ao Comando da Polícia Pública de Ponta Delgada, natural, julgo, de Água de Pau e residente na Calheta e que tinha estado durante alguns anos em serviço na Praia da Vitória (no auge da estadia americana). Este referido guarda, colocava na sua actuação, um brio, e uma forma de actuar que, forçosamente, prendia a atenção de quem passava pela zona (que parava para assistir ao espectáculo), tal era a forma hirteza como “apitava” e “gesticulava”, quase “mecanizada”. Prestava servi no cruzamento das ruas Hintze Ribeiro junto à Farmácia Popular e no Largo da Matriz.
A VIDA É FEITA DE MEMÓRIAS. ( memória morre com as pessoas). De sonhos e de paixões, por isso olhamos o passado que nos legaram com ternura, preocupados com o futuro que temos de ajudar a construir. A evolução é galopante, embora, por vezes, nem sempre se enquadre nas realidades, servindo apenas para promover a estagnação. Recordamos o passado, para que sirva de exemplo, no presente, com vista ao futuro.





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