Os Prémios Nobel foram estabelecidos pelo sueco Alfred Nobel, inventor da dinamite, explosivo que o tornaria rico fabricante de armamentos considerado o “engenheiro da morte”. Por isso, quando morreu, em 1896, Alfred Nobel decidiu deixar a maior parte da sua fortuna de um bilião de dólares para criar um prémio celebrando a paz e o entendimento entre os homens. Segundo a Fundação Nobel responsável pela sua atribuição, desde 1901 já foram concedidos 628 prémios a 1.015 pessoas e organizações.
Dos cinco Prémios Nobel, o mais politizado é o Nobel da Paz, que já teve 143 laureados, dos quais 112 indivíduos (alguns celebridades como Nelson Mandela e Madre Teresa de Calcutá), e 28 organizações, algumas premiadas mais do que uma vez, caso do Comité Internacional da Cruz Vermelha, que recebeu o prémio em 1917, 1944 e 1963, pelo seu trabalho humanitário em tempos de guerra.
Em 2025, pelo menos 318 nomes foram indicados para o Nobel da Paz, sendo 94 organizações e 244 indivíduos, um dos quais Donald Trump.
Trump já tinha sido nomeado para o Nobel da Paz em 2018 por membros dos parlamentos da Coreia do Sul e dos EUA, mas o prémio foi atribuído a Denis Mukwege (República Democrática do Congo) e a Nadia Murad (Iraque) pelos seus esforços para pôr fim à violência sexual nos conflitos armados.
Em 2020, Trump voltou a ser indicado devido aos Acordos de Abraão normalizando relações entre Israel e países árabes, mas o Nobel foi para o WFP, o Programa Mundial de Alimentos da ONU.
Em 2025, Trump foi de novo nomeado e desta vez, em diferentes ocasiões, argumentou que deveria ser ele a ganhar o prémio por ter posto fim a sete guerras, nomeadamente na Assembleia Geral da ONU em 23 de setembro. “Acabei com sete guerras em apenas sete meses”, disse, referindo-se à resolução dos conflitos entre a Arménia e o Azerbaijão, a Índia e o Paquistão ou o Kosovo e a Sérvia. “Nenhum presidente ou primeiro-ministro fez isso antes. A ONU não fez absolutamente nada”, sublinhou Trump.
Os esforços de pacificação de Trump foram recompensados, mas não exatamente como esperava, com o novo Prémio da Paz da Federação Internacional de Futebol (FIFA), que aceitou com um sorriso forçado e admitindo que esperava “um pouco mais”.
O Nobel da Paz 2025 viria a ser atribuído a Maria Corina Machado, mas, sabedora do interesse de Trump, a vencedora anunciou que iria oferecer-lhe o prémio e assim fez. Dia 15 de janeiro, Maria esteve na Casa Branca e presenteou Trump com a sua medalha do Nobel, que ele aceitou prometendo que faria um “ótimo trabalho” na Venezuela.
A decisão de Maria Corina Machado levou o Instituto Nobel da Noruega a divulgar que a medalha pode ser oferecida ou vendida, mas o prémio Nobel da Paz permanece “indissociavelmente ligado à pessoa ou organização designada como laureada”.
Assim, embora Trump tenha ficado com a medalha, Maria Corina Machado continua sendo a laureada com o Prémio Nobel 2025. Trump ainda pode vir a receber o seu Nobel, uma vez que já foi proposto por Israel, Cambodja e Paquistão para o Nobel da Paz de 2026.
Quatro presidentes americanos já receberam o Nobel da Paz
Em 125 edições do prémio, 16 presidentes já receberam o Nobel da Paz, entre os quais quatro norte-americanos.
Theodore Roosevelt recebeu em 1906 e, segundo o Comité Nobel, pelo seu papel “em pôr fim à sangrenta guerra recentemente travada (1904-05) entre duas das maiores potências mundiais, o Japão e a Rússia”.
Woodrow Wilson recebeu em 1919, “pelo seu papel como fundador da Sociedade das Nações”, a primeira organização internacional criada para promover a paz e a cooperação entre países, instituída após a I Guerra Mundial.
Jimmy Carter recebeu em 2002, mais de 20 anos depois de ter deixado a Casa Branca, “pelas suas décadas de esforço incansável para encontrar soluções pacíficas para conflitos internacionais, para promover a democracia e os direitos humanos e para promover o desenvolvimento económico e social”.
Barack Obama recebeu em 2009, “pelos seus esforços extraordinários para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre povos”.






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