O infortúnio assombra a família Kennedy há décadas. Acidentes, assassinatos, calamidades e uma longa lista de situações trágicas repetem-se quase matematicamente na árvore genealógica familiar. O caso mais recente é o de Tatiana Celia Kennedy Schlossberg, neta do presidente John F. Kennedy, que sofria de leucemia com uma mutação rara (mieloide aguda) e morreu dia 30 de dezembro de 2025 aos 35 anos.
Tatiana nasceu a 5 de maio de 1990, em New York, a filha do meio de Caroline Kennedy e de Edwin Schlossberg, ele um autor e designer e ela antiga embaixadora dos Estados Unidos na Austrália e no Japão.
Caroline Kennedy tem vivido a “maldição familiar” de forma particular. Tinha apenas 5 anos quando o pai foi assassinado, a 22 de novembro de 1963; tinha 10 anos quando o tio, Robert F. Kennedy, candidato presidencial nas primárias democratas de 1968, foi assassinado. O seu irmão, John F. Kennedy Jr., morreu em 1999, quando o avião que pilotava se despenhou perto da ilha de Martha’s Vineyard, matando-o, à sua mulher, Carolyn Bessette Kennedy, e à sua cunhada, Lauren Bessette. John-John, como era conhecido, tinha 38 anos, e Tatiana tinha sido dama de honor no seu casamento três anos antes.
Tendo crescido sob os holofotes do glamour dos seus pais e no meio das tragédias da sua família, Caroline Kennedy conseguiu proporcionar aos seus próprios filhos uma vida com uma educação relativamente normal, ainda que privilegiada, juntamente com um apelo ao serviço público que se tornou o legado da família Kennedy. Tatiana cresceu em New York, perto da casa da avó, a ex-primeira dama Jacqueline Kennedy Onassis e tinha quatro anos quando ela morreu, em 1994. Deixa o marido, George Moran, médico urologista e professor assistente na Universidade Columbia, que conheceu em Yale e com quem casou em 2017, e dois filhos, um menino e uma menina.
Deixa os pais, uma irmã mais velha, Rose, e um irmão mais novo, Jack Schlossberg, que está empenhado em voltar a pôr um Kennedy no Congresso dos EUA.
Frequentou a Brearley School e depois a Trinity School, escolas privadas em Manhattan. Estudou História na Universidade de Yale, tendo-se licenciado em 2012, e obteve o grau de Mestre em História pela Universidade de Oxford em 2014.
Decidiu ser jornalista e começou por trabalhar no semanário da ilha de Martha’s Vineyard, depois ingressou no diário The Record, de New Jersey, que trocou em 2014 pelo New York Times e onde acabou por especializar-se em questões ambientais e, em 2017, deixou o jornal para escrever o primeiro livro, ”Consumo Inconspícuo: O Impacto Ambiental que Não Sabe que Tem” (2019), uma espécie de guia do consumidor sobre as formas como o comportamento humano afeta negativamente o clima.
Tatiana descobriu que sofria de uma doença terminal pouco depois de ter dado à luz a filha, em maio de 2024, quando o seu médico lhe detetou um desequilíbrio na contagem de glóbulos brancos. Passou cinco semanas hospitalizada após o parto, posteriormente foi transferida para outro hospital para um transplante de medula óssea e desde então vinha recebendo quimioterapia em casa.
Ela própria revelou a doença terminal de que sofria num ensaio publicado na revista The New Yorker que atraiu a atenção mundial.
“Não conseguia acreditar que estavam a dizer de mim”, escreveu Tatiana. “Tinha nadado uma milha na piscina no dia anterior, grávida de nove meses. Não estava doente. Não me sentia doente. Na verdade, era uma das pessoas mais saudáveis que conhecia. Corria regularmente oito a dezasseis quilómetros no Central Park. Uma vez, nadei cinco quilómetros através do rio Hudson para angariar dinheiro para a Sociedade de Leucemia e Linfoma”.
Tatiana morreu dia 30 de dezembro depois de ano e meio de luta contra uma leucemia mieloide aguda (LMA) com Inversão 3, uma mutação genética rara encontrada em menos de 2% dos casos de LMA.
No ensaio publicado na The New Yorker, Tatiana escreveu: “Durante toda a minha vida, tentei ser boa, ser uma boa aluna, uma boa irmã e uma boa filha, e proteger a minha mãe e nunca a deixar perturbada ou irritada. Agora, acrescentei uma nova tragédia à vida dela, à vida da nossa família, e não há nada que eu possa fazer para a impedir”.





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