Onésimo T. Almeida distinguido com Prémio Vasco Graça Moura

by | Jan 7, 2026 | Cultura, Do Diretor

 

O escritor e professor universitário Onésimo Teotónio Almeida, colaborador de vários jornais e publicações incluindo este semanário Portuguese Times, acaba de ser justamente reconhecido pelo seu valioso contributo para a “afirmação da cultura e língua portuguesa no mundo”: com o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, segundo nota que nos chegou à redação via Agência Lusa.

“Como estudioso e ensaísta tem contribuído decisivamente para a afirmação da cultura da língua portuguesa no mundo, afirmando assim a cidadania cultural como um fator exemplar de expansão e desenvolvimento”, realçou o júri, ao qual presidiu o antigo ministro Guilherme d’Oliveira Martins, pode ler-se ainda na nota da Lusa, que adianta: o júri justificou a escolha de Onésimo Teotónio de Almeida “em virtude da sua persistente ação enquanto professor e investigador de prestígio com provas dadas nos domínios do estudo e consolidação da língua, da literatura e da cultura portuguesas, em especial dos EUA”.

Onésimo T. Almeida, que foi um dos mais brilhantes alunos do Seminário Episcopal de Angra, na ilha Terceira, imigrou para os EUA em 1972 tendo ingressado na Brown University em Providence, onde obteve o doutoramento em Filosofia, e ali lecionado durante vários anos. Nesta famosa universidade ajudou a criar o Centro de Estudos Portugueses e Brasileiros, o qual dirigiu de 1991 a 2003. 

Natural do Pico da Pedra, São Miguel é uma das mais notáveis figuras inteletuais portuguesas da atualidade e este prémio, como acima referimos, vem reconhecer esse papel primordial na divulgação da língua e cultura portuguesa por onde tem passado ao longo da sua rica carreira académica e de escritor.

De entre as muitas distinções de que foi alvo sublinhe-se a atribuição de Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias em Lisboa, e poucos anos antes foi também distinguido com Honoris Causa pela Universidade de Aveiro. Foi nomeado, em abril de 2021, presidente da Comissão de Honra da candidatura de Ponta Delgada a Capital Europeia da Cultura 2027. Em 2019 Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, designou Onésimo para presidir às celebrações do Dia de Portugal em Ponta Delgada e em Boston e nesta qualidade foi o orador oficial das celebrações. 

Ainda em 2021 recebeu o Honorary Chairs’ Award for Lifetime Achievement in the Humanities concedido pelo Rhode Island Council for the Humanities 

Estas são apenas algumas das muitas distinções de OTA, que tem corrido mundo a intervir em várias palestras e conferências.

Desde 1979 mantém um programa bimensal no Portuguese Channel, de New Bedford, e durante dois anos manteve um programa semanal – “Onésimo à conversa com…” – na RTP Açores. Foi colaborador regular n’ O Jornal e no Diário de Notícias. É colaborador regular na revista LER, na PNETLiteratura e no Jornal de Letras. Entre as organizações a que pertence, é membro da direção da PALCUS – Portuguese-American Leadership Council of the United States. Foi vice-presidente do Rhode Island Council for the Humanities e da Associação Internacional de Lusitanistas. É “trustee” do New Bedford Whaling Museum. Foi eleito Membro da Academia Internacional de Cultura Portuguesa sócio-correspondente da Academia da Marinha e da Academia das Ciências de Lisboa.

A 9 de junho de 1997 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. A 28 de setembro de 2018, recebeu a Grã-Cruz da mesma Ordem.

Desde 2017, é sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa (7.ª Secção – Ciências Sociais e Políticas).

Em 2023 recebeu da Brown University a cátedra-prémio Royce Family Professorship for Teaching Excellence.

Jubilado em junho de 2024, é Professor Emeritus da Brown University.

Como autor, Onésimo Teotónio Almeida tem publicado em diferentes géneros – crónica, conto, teatro, poemas e ensaio. Entre as suas obras contam-se “José Enes – Filósofo, Pedagogo e Mestre” (2025), “Diálogos Lusitanos” (2024), “O Século dos Prodígios” (2018), “A Obsessão da Portugalidade” (2017), e “Despenteando Parágrafos” (2015).

A Estoril Sol – organizadora do prémio – sublinha que “Onésimo Teotónio Almeida é um dos grandes pensadores e prosadores, tendo mais de uma centena de ensaios e textos publicados em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente nos Estados Unidos, Brasil, França e Inglaterra”.

O Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, no valor de 20.000 euros, foi entregue pela primeira vez em 2016 ao ensaísta Eduardo Lourenço. 

Desde então foram já distinguidos o jornalista José Carlos Vasconcelos, o escritor e investigador Vítor Aguiar e Silva, a atriz Maria do Céu Guerra, o fadista Carlos do Carmo, o gestor e jurista Emílio Rui Vilar, o editor livreiro Zeferino Coelho, a pintora Graça Morais, o historiador José Pacheco Pereira e o escritor e investigador Helder Macedo.

Além de Guilherme d’Oliveira Martins, o júri foi constituído por Maria Carlos Gil Loureiro, da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários, Ana Paula Laborinho, diretora em Portugal da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura, pelo jornalista José Carlos de Vasconcelos, e, ainda, por Dinis de Abreu, a convite da Estoril Sol.

Na noite do passado domingo, contactámos Onésimo T. Almeida que nos concedeu uma pequena entrevista, sobre este prémio e citando etapas marcantes da sua carreira bem como outros projetos em manga.

 

– Como encarou esta distinção e o que representa para si e em linhas gerais, que peso tem Vasco Graça Moura na literatura portuguesa?

 “Vasco Graça Moura é o nome do prémio criado pela empresa Estoril Sol em homenagem a um dos grandes poetas e ensaístas portugueses do século XX, que foi Diretor da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e Secretário de Estado da Cultura. Esse prémio tem muito peso por causa do júri, composto por grandes figuras nacionais, sob a presidência de Guilherme d’Oliveira Martins, que foi Ministro da Cultura, Presidente da Fundação Gulbenkian e, atualmente, é Presidente do Centro Nacional de Cultura. Dele fazem parte pessoas como José Manuel Mendes, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores; a Professora Ana Paula Laborinho, que foi Presidente do Instituto Camões; José Carlos de Vasconcelos, fundador da revista Visão e diretor do Jornal de Letras; o Professor Manuel Frias Martins, Presidente da Associação de Críticos Literários, entre outros. O prémio também tem adquirido muito prestígio por causa das pessoas que têm sido  contempladas. Algumas delas são o ensaísta Eduardo Lourenço, o intelectual José Pacheco Pereira, a pintora Graça Morais, o fadista Carlos do Carmo, José Carlos de Vasconcelos (antes de ser membro do júri), o jurista Emílio Rui Vilar (três vezes ministro e também Presidente da Fundação Gulbenkian),  o Prof. Victor Aguiar e Silva, das universidades de Coimbra e do Minho, entre outros”.

 

– De várias outras distinções e prémios recebidos ao longo de uma bem sucedida e reconhecida carreira académica e de escritor, qual a que teve mais significado ou a última (mais recente) é sempre a mais importante?

“Para mim, o prémio mais importante (até mesmo do ponto de vista monetário, embora não seja essa a principal razão) foi a cátedra honorária concedida pela Brown University – a Royce Family Professorship in Teaching Excellence. Em Portugal, porém, este último foi o mais importante, pelo menos da série de prémios. Mas não posso deixar de referir outros sinais de reconhecimento, como a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, concedida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa; os doutoramentos Honoris Causa das Universidades de Aveiro e Lusófona, nem também a admissão na Academia das Ciências de Lisboa. A organização das Correntes d’Escritas na Póvoa de Varzim, o mais importante encontro de escritores portugueses e luso-africanos, ficará ofendida se eu não referir aqui o número especial da revista Correntes d’Escritas que, em 2025, me foi dedicado, tendo 30 escritores contribuído com textos sobre o meu trabalho.

 

– Dos vários livros já editados (quantos?) qual o que te deu mais “gozo” em escrever? Ou ainda qual o que exigiu mais de si?

Não é fácil contar os livros que publiquei. A lista deles está disponível na Wikipédia, na Internet, se procurarem pelo meu nome.

O que me deu mais trabalho foi um livro sobre a identidade nacional que acabou desdobrando-se em cinco livros diferentes, o último dos quais deverá sair este ano, no outono, na prestigiada editora Quetzal, que é a minha editora atual.

 

– Haverá algum livro na manga ou projeto para 2026?

 Além desse atrás referido, tenho sempre vários outros em andamento, inclusive um que continuará o tema do meu livro mais premiado (recebeu quatro prémios) O Século dos Prodígios. A ciência no Portugal da Expansão, onde continuo a trabalhar. Um dos capítulos será usado na conferência de abertura de um colóquio em Espanha daqui a um mês.

 

– Sobre a literatura portuguesa na atualidade, e sobretudo no que se refere à nova onda de escritores, autores e respetivas obras, há boas referências?

Sim, a literatura portuguesa está muito viva. Há 26 anos que participo das Correntes d’Escritas (desde o início) e tenho conhecido centenas de escritores, embora muitos deles se tenham ficado pela primeira obra. Vários, porém, afirmaram-se na cena nacional e até na internacional. Apenas alguns exemplos: João Tordo, José Luís Peixoto, Isabel Rio Novo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares. Estes já fazem parte do cânone da literatura portuguesa. A lista dos que poderão tornar-se grandes escritores é enorme e não é fácil escolher entre eles.

 

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