Manuel de Pina nasceu em Lisboa por volta de 1620, no tempo em que os Filipes, monarcas espanhóis, eram também reis de Portugal. É desconhecida a data da sua chegada a Amesterdão, mas em 1648, já entretanto Portugal tinha restaurado a independência, ali casou com Raquel, que era sua sobrinha, e também lisboeta de nascimento, segundo o ‘Dicionário do Judaísmo Português’.
Na Holanda, país de refúgio para muitos judeus portugueses, Pina assumiu o judaísmo e trocou o nome de Manuel pelo de Jacob. E foi como Jacob de Pina que fez uma notável carreira como poeta e também como músico, pois tocava harpa.
Como poeta, ficou conhecido pelo tom jocoso, tendo publicado a comédia burlesca “La Mayor Hazana de Carlos VI”. Escrevia tanto em português como em espanhol. Por vezes, foi ousado demais para a época, com poemas vistos como obscenos, e chegou a ter obras proibidas pela comunidade judaica de Amesterdão.
Pina destacou-se, porém, também por obras mais sérias, por vezes elogios de judeus vítimas da Inquisição, perseguidora dos chamados cristãos-novos, portugueses ou espanhóis com antepassados judeus e suspeitos de manter secretamente a religião ancestral.
Um poema célebre deste lisboeta exilado é ‘Canção Fúnebre’, de 1660, dedicada a Saul Levi Morteira, que foi mestre de Bento Espinosa em Amesterdão e depois um dos rabinos que em 1656 excomungaram o filósofo pelo atrevimento intelectual do seu pensamento.
Pina morreu em 1675 em Amesterdão.





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