Isabel de Portugal, a formosa rainha de Espanha e imperatriz da Alemanha

by | Nov 12, 2025 | A Descoberta

‘Retrato de Isabel de Portugal’ é um quadro pintado por Ticiano e hoje exposto no Museu do Prado, em Madrid. O pintor italiano pintou-o já depois da morte daquela que foi rainha e imperatriz, a partir de um outro quadro que entretanto se perdeu. A beleza de Isabel corresponde aos relatos da época, que descreviam esta filha de D. Manuel I como sendo de grande formosura. Foi uma espécie de homenagem do viúvo, o imperador Carlos V.

Isabel nasceu em Lisboa em 1503. Era filha do rei de Portugal, esse D. Manuel I senhor de um império que ia já do Brasil à Índia e continuou a crescer durante o reinado, e de D. Maria, filha de Isabel de Castela e de Fernando de Aragão, que ficaram para a História como os Reis Católicos. Recebeu uma cuidada educação, aprendendo Matemática e os Clássicos, e estudou também latim, espanhol e francês.

Era já rei de Portugal o seu irmão D. João III, um ano mais velho, quando se concluiram as negociações para o casamento em 1526 com um primo, Carlos V, Imperador Sacro-Romano-Germânico e igualmente rei de Espanha, além de senhor de muitas outras terras, como essa Flandres onde nasceu. Foi um casamento em Sevilha motivado pela necessidade de manter a aliança entre as potências ibéricas, que disputavam o domínio dos mares. Mas apesar das ausências do marido, envolvido em guerras, foi uma relação apaixonada e geraram sete filhos.

Isabel fez questão de ensinar português às crianças e por isso o futuro Filipe II de Espanha cresceu familiarizado com a língua portuguesa. Nas ausências do marido teve de assumir a governação e terá mostrado sabedoria nos assuntos públicos. Morreu em 1539, em Toledo, de complicações no parto.

Carlos V não voltou a casar. E em 1555 abdicou do trono alemão para o irmão Maximiliano e do trono espanhol para o filho, Felipe II, o nosso Filipe I. Quando D. Sebastião morreu na Batalha de Alcácer Quibir sem descendentes, e após o efémero reinado do cardeal-rei D. Henrique, o filho de Isabel de Portugal herdou em 1580 a coroa portuguesa, pois era neto de D. Manuel I. Nas Cortes de Tomar de 1581 aceitou respeitar as tradições portuguesas e manter separados os reinos ibéricos.

 

* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.

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