Nascido em Lisboa, em 1437, numa família que seguia o judaísmo, Isaac Abravanel foi filósofo e estadista, tendo sido um dos conselheiros de D. Afonso V, a quem serviu igualmente como tesoureiro.
Numa entrevista há alguns anos a propósito livro ‘Vozes Judaicas de Portugal, o rabino Shlomo Pereira, também professor de Economia e que vive nos Estados Unidos, destacou a importância política de Abravanel, e também o seu prestígio como comentador da Bíblia. Caído em desgraça junto do novo rei, D. João II, pelas ligações ao duque de Bragança, que conspirava contra o monarca, o judeu lisboeta fugiu de Portugal, e durante uma década viveu em Castela.
Quando em 1492, ano da conquista do reino árabe de Granada e da descoberta da América, os Reis Católicos decidiram expulsar os judeus de Espada, Abravanel recusou a proposta para a sua família ser a exceção e partiu também. Os seus últimos anos de vida foram passados em Itália, onde continuou a dedicar-se aos estudos biblícos.
Instalando-se em Veneza, e reinando já em Portugal D. Manuel I, Abravanel ajudou a negociar em 1503 um tratado comercial entre a república que o acolheu e o reino onde nasceu. O seu filho Judá Abravanel, nascido em Lisboa em 1460, filósofo, poeta e médico conhecido pelo pseudónimo de Leão Hebreu, também viveu em Itália e foi em italiano que publicou ‘Diálogos de Amor’, uma obra filosófica que ainda recentemente teve uma edição portuguesa.
Isaac Abravanel morreu em 1508 em Veneza. O seu fillho Judá terá morrido em 1530, em Nápoles.
Leonídio Paulo Ferreira, Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.





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