A Associação dos Emigrantes Açorianos comemorou 15 anos de existência em 2025.
Sou sócio desta associação há 10 anos, desde 2015, embora com atividade suspensa desde que assumi as funções de Diretor Regional das Comunidades há 5 anos, no final de 2020.
Sempre acreditei que faz todo o sentido ter nos Açores uma associação como esta. Porque somos, sempre fomos, uma terra de emigrantes.
Há quase 600 anos que estamos aqui e há mais de 400 anos que saímos daqui. Não haverá um único açoriano que não tenha um familiar ou amigo no outro lado do Atlântico. Somos menos de 250.000 habitantes nas nove ilhas, mas somos mais de três milhões de açorianos – e, sobretudo, de açordescendentes – no Brasil, nos Estados Unidos, na Bermuda ou no Canadá.
Os Açores só ficam completos com a sua “décima ilha”.
Por isso tinha que existir uma Associação dos Emigrantes Açorianos. Que associasse os açorianos em geral e, em especial, os emigrados e regressados. Que tanto contribuísse para a preservação da memória da emigração açoriana como para a ligação contemporânea entre os que ficaram e os que partiram. Que fosse, afinal, uma expressão organizada da sociedade civil – de lá e de cá – em parceria, mutuamente vantajosa, com os poderes públicos regional e local.
Foi por isso que nasceu a Associação dos Emigrantes Açorianos, há 15 anos, no dia 28 de outubro de 2010.
Nasceu na cidade da Ribeira Grande, como se fosse filha do Museu da Emigração Açoriana e mãe da Praça do Emigrante. Nasceu em boa hora e em bom berço. E cresceu fazendo prova da sua valia.
Valeu a perna o esforço fundacional e a afirmação progressiva das sucessivas direções lideradas por Mário Moura, João Luís Pacheco, Luís Silva, Rui Faria e Andrea Moniz-DeSouza.
Mário Moura, cofundador e primeiro presidente, de 2010 a 2012, conferiu-lhe enquadramento histórico.
João Luís Pacheco, de 2012 a 2015, trouxe-lhe a ligação direta aos Estados Unidos da América.
Luís Silva, de 2015 a 2018, acrescentou-lhe a especial relação com o Canadá e mais tarde, já presidente da assembleia geral, até emprestou a sua própria arte ao globo emblemático da Praça do Emigrante.
Rui Faria, de 2018 a 2024, em dois mandatos consecutivos, dinamizou a atividade e afirmou a notoriedade da nossa associação, com respeito pelo passado e com sentido de futuro.
Se nomeio os sucessivos presidentes, é para, nas suas pessoas, saudar todos os demais dirigentes e sócios em geral que tornaram possível as diferentes etapas desta caminhada coletiva – como, por exemplo, a vice-presidente Nélia Silva, discretamente ligada às sucessivas direções.
Finalmente, Andrea Moniz-deSouza.
Em pouco mais de um ano, a nova presidente já deu provas da sua vontade, da sua capacidade, da sua atividade, acrescentando uma nova ambição aos desígnios da nossa associação.
Quando tomou a decisão corajosa de regressar à terra que deixou aos oito anos de idade – com o seu marido Bobby DeSouza e pelos seus filhos Noah e Logan – já trazia consigo essa imagem de marca de ser uma mulher determinada e empreendedora.
Advogada de profissão, foi a única mulher a presidir ao histórico Clube Vasco da Gama, era cofundadora e primeira presidente da Casa dos Açores da Bermuda, é ainda cônsul honorária de Portugal em Hamilton.
Trouxe consigo uma cultura diferente e isso já se nota no dinamismo da própria associação.
Como presidente da sua direção – conjuntamente com o presidente da assembleia geral, João Luís Pacheco, dos Estados Unidos, e com a presidente do conselho fiscal, Paula Ferreira, do Canadá – honra a história ainda breve, mas já intensa, da Associação dos Emigrantes Açorianos.
Basta recordar, nos últimos anos, a dinamização da Praça do Emigrante, as exposições itinerantes dedicadas às nossas comunidades ou as edições bibliográficas de investigação e divulgação da emigração açoriana para os Estados Unidos da América, para o Canadá e para a Bermuda.
Esta é a única associação açoriana que assume e dinamiza a nossa dimensão emigratória, desde sempre acolhida pela câmara municipal e desde sempre apoiada pelo governo regional.
Por isso, nestes 15 anos de vida que agora assinalámos, é justo recordar também o contributo importante do anterior presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Dr. Alexandre Gaudêncio, e do meu antecessor imediato na Direção Regional das Comunidades, Dr. Paulo Teves.
Todos cabem nesta celebração da vida da associação – desde a mais próxima presidente Andrea Moniz-DeSouza até ao mais distante açordescendente no arquipélago do Havai.
A vida de uma associação é uma corrida de estafetas com passagem de testemunho.
Há 15 anos, em 2010, foi dado o primeiro passo. Daqui a 15 anos, em 2040, continuaremos a caminhar.
-Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores
Texto baseado na intervenção proferida na Gala dos 15 anos da Associação dos Emigrantes Açorianos, a 8 de novembro de 2025, na ilha de São Miguel





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