Werner Herzog diz que cinema e boas histórias vão sobreviver no mundo em transformação

by | Jan 25, 2026 | Noticias de Portugal

 

Ponta Delgada, Açores, 25 jan 2026 (Lusa) – O cineasta alemão Werner Herzog afirmou hoje, nos Açores, que o cinema “vai sobreviver” num mundo em rápida transformação, defendendo que “as boas histórias vão sempre sobreviver” independentemente do meio.

Werner Herzog foi um dos jurados do Azorean International Film Festival, que termina hoje, na ilha de São Miguel.

Ator, produtor, encenador, escritor e realizador, Werner Herzog, com 83 anos, recebeu este ano o Leão de Ouro de carreira no Festival de Cinema de Veneza.

Numa conferência de imprensa em São Miguel, Werner Herzog mostrou-se otimista quanto ao futuro da criação cinematográfica, quando questionado sobre o encerramento de várias salas de cinema em complexos comerciais em Portugal.

“Não é um fenómeno novo. É um fenómeno mundial”, sustentou o cineasta alemão, defendendo que “ainda podemos contar boas histórias”.

No entanto, assinalou Herzog, “há um novo mundo”, com novos instrumentos, principalmente na “distribuição” e com “novas audiências”.

“Hoje em dia tudo está a mudar. Não interessa como filmas. Interessa é ter um bom filme. É claro que a geração mais jovem tem de conviver com novos instrumentos de distribuição e com novos públicos com imaginações diferentes”, sustentou.

Como exemplo das transformações do setor, o cineasta alemão disse que produções como “Star Wars” “já não são apenas cinema”, mas sim “filmes-eventos”, associados a produtos licenciados e a experiências além da sala de cinema.

“É algo que veremos muito mais no futuro”, considerou Werner Herzog.

O cineasta insistiu que é “um mundo completamente novo”, afirmando que hoje “é muito mais fácil” filmar, já que é possível fazer um filme a partir de um telemóvel” e “editar muito rapidamente”.

“As boas histórias salvam-nos sempre”, sustentou.

Werner Herzog fez parte do júri internacional do Azorean International Film Festival, nas categorias de longas-metragens de ficção e documentário, no âmbito de uma parceria do festival com a produtora espanhola Extática Cine.

Durante a sua passagem pela ilha de São Miguel, Herzog orientou um ‘workshop’ e uma ‘masterclass’, precedida pela exibição do seu mais recente documentário, “Ghost Elephants”, que se estreou na 82.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

Herzog considerou S. Miguel “um lugar muito interessante para cineastas”: “Tens montanhas, o oceano por todo o lado, paisagens fascinantes e um forte sentido de hospitalidade”, realçou Werner Herzog, destacando as “ricas possibilidades criativas” oferecidas pela ilha e o envolvimento dos cineastas, que evidenciaram desempenhos “muito bons”.

Questionado sobre o seu papel como mentor, considerou que, apesar das diferenças geracionais, “o cineasta é basicamente o mesmo”.

“Fazer filmes não é algo fácil. É como aprender violino: não se aprende de um dia para o outro”, assegurou.

Esta edição do Azorean International Film Festival dividiu-se em duas secções: uma Mostra de Cinema Açoriano, entre os dias 13 e 21 de dezembro de 2025, e a Competição Internacional, com sete prémios e mais de 200 filmes inscritos, entre os dias 20 e 25 de janeiro.

Além de sessões de cinema, o programa do festival incluiu ‘workshops’ e ‘masterclasses’ com nomes-chave do cinema português e mundial, palestras, jantares de ‘networking’ e ‘after-parties”.

João Dutra, da Cão de Fila Produções, que faz parte da produção dos ‘workshops’, sublinhou a elevada exigência, tendo em conta estar-se perante “um colosso do cinema mundial”, referindo-se ao cineasta e escritor alemão Werner Herzog, sublinhando igualmente “a elevada fasquia de juntar 50 realizadores de todo o mundo com diferentes abordagens, diferentes pensamentos e diferentes tipos de trabalho”, no certame.

Em declarações aos jornalistas, João Dutra assinalou o grande interesse relevado pelos locais e também por pessoas do continente e de outras ilhas.

“E houve grandes revelações de pessoas que não são atores e que conseguiram brilhar. Conseguiu-se criar uma base de dados muito interessante e muito diversificada”, assinalou.

O Azorean International Film Festival surgiu há um ano, com direção artística de Sofia Caetano e Elliot Sheedy, numa edição de apenas um dia e meio.

 

 

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