Universidade do Porto quer mais jovens licenciados na região para ‘empurrar’ economia

by | Feb 18, 2026 | Outras Notícias, Outros

Porto, 18 fev 2026 (Lusa) – A Universidade do Porto quer que 70% dos alunos do ensino secundário da sua área de influência entrem na faculdade, para ajudar a atrair “indústrias mais avançadas” para o Norte e aumentar o salário médio.

“Se nós conseguimos que os nossos jovens saiam da universidade com habilitações que lhes permitam ocupar lugares em empresas inovadoras, em empresas ligadas ao digital, às novas tecnologias, nós vamos conseguir atrair investidores, porque muitas vezes o problema dos investidores é que eles até gostariam de colocar cá em Portugal algumas indústrias mais avançadas, mas depois desistem, porque nós não temos capacidade para lhes fornecer a mão de obra do que eles necessitam, que é uma mão de obra qualificada”, explicou à Lusa o reitor da Universidade do Porto (UP), António Sousa Pereira.

Os estudantes do ensino secundário, e sobretudo os de 12.º ano, serão o foco de atenção de quinta-feira a domingo daquela instituição, que organiza, no Pavilhão Multiusos de Gondomar, a Mostra da Universidade do Porto.

Para Sousa Pereira, uma “população mais educada” permitirá à região “atrair investimentos e empresas mais diferenciadas, que passam a ter possibilidade de recrutar mão de obra qualificada” localmente, numa zona com “níveis de rendimentos muito baixos”.

O objetivo da instituição, que este ano bateu o seu recorde de abertura de vagas para um só ano letivo, com 7.064 para 2026/27, é que 70% dos finalistas do ensino secundário da região possam ingressar no superior até 2027, o que esperam poder levar a uma subida do salário médio no distrito.

“É preciso apostar em todos os níveis, é preciso recrutar empresas de elevado valor acrescentado para virem instalar-se aqui na região, mas também temos de preparar os quadros para depois trabalhar nessas empresas, porque elas não vêm para cá se não tiverem quem possa trabalhar nelas”, acrescentou.

Juntando os mais de 350 cursos que oferece nas 15 faculdades que a integram, o evento de entrada gratuita expõe a oferta formativa, além de realizar conferências, experiências interativas e outros momentos de contacto entre investigadores, docentes e alunos.

“Há dois tipos de estudantes, os que têm a certeza do que querem, e para esses a mostra é pouco útil, dando-lhes mais algum informação em relação às opções que vão fazer. Outro tipo de estudantes são os que querem ir para o ensino superior, mas não têm bem a certeza do que querem”, comenta o reitor.

Aqui, o objetivo é mostrar “diferentes opções, diferentes saídas profissionais”, conversas com pessoas que estão na área de trabalho desejada, o que pode ajudar a reduzir “o número de estudantes que, depois de ingressarem, querem mudar de curso”.

“A Mostra também tem este objetivo, que é fazer com que os estudantes, primeiro, tomem conhecimento de opções que, eventualmente, eles nem sequer tinham pensado, e, segundo, que façam opções informadas”, referiu.

Procurando também captar estudantes que não ponderassem o ensino superior, Sousa Pereira associa esta escolha a um momento em que o país “vive uma situação de pleno emprego” e em que um jovem com o 12.º ano “querendo, arranja onde trabalhar”.

“Nós devemos ter a ambição de procurar dar empregos qualificados aos nossos jovens. Uma das ambições que está associada à Mostra é trazer para o ensino superior jovens que, eventualmente, até nem estariam a pensar em ir para o ensino superior”, apontou.

Em suma, como “mais formação significa melhores salários”, é importante fazer com que os mais novos “vejam no ensino superior um elevador social”.

 

 

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